Doenças Psicossomáticas: O que são e como lidar?


psicossomática

Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Você provavelmente já deve ter ouvido falar no termo “Somatização” ou em alguma doença classificada como “Psicossomática”. Mas você sabe realmente o que significam estes termos? Será que existe diferença entre Somatizações e Doenças Psicossomáticas?

Sim, existe diferença. Somatização é o termo utilizado quando o indivíduo apresenta determinados sintomas mas, ao ser examinado por um médico, não apresenta uma causa ou doença orgânica relacionada àquele sintoma. Por exemplo: a pessoa sente constantemente taquicardia, vai ao médico, realiza vários exames e não apresenta nenhuma doença cardíaca, nenhuma alteração física. Podemos associar estes eventos de taquicardia com alguma causa emocional, um quadro de ansiedade, Síndrome do Pânico, entre outros. A avaliação e o acompanhamento psicológico então são fundamentais para o paciente.

Nas Doenças Psicossomáticas, é possível detectar clinicamente alterações que demonstram a presença de uma doença orgânica (física), que tem suas raízes ou causas em eventos emocionais/psicológicos. Neste caso, a doença precisa ser tratada por meio da medicina e com o tratamento adequado para o determinado quadro apresentado, mesmo que associado ao tratamento psicológico.

Particularmente, existem alguns pontos que acredito que devem ser ressaltados. No caso da somatização, os sintomas físicos realmente existem e não devem ser desconsiderados, pois, apesar de não estarem associados a uma causa orgânica, prejudicam e muito a qualidade de vida do indivíduo e podem levá-lo a desenvolver quadros mais graves futuramente. Por isso, se torna tão necessária a intervenção psicológica adequada. É claro que existem casos em que o indivíduo “fantasia”, ou mesmo mente em relação a determinados sintomas que na verdade não existem, mas mesmo nestes casos se faz necessário o auxílio psicológico, já que o fato de uma pessoa criar um sintoma que não existe, esconde alguma intenção, seja ela obter atenção, se livrar de uma situação incômoda ou de algum sofrimento, isolamento social, entre outros. Neste caso o Psicólogo irá auxiliar na identificação do objetivo deste indivíduo e procurará maneiras melhores e mais assertivas de resolver a situação.

Já no caso das Doenças Psicossomáticas, é importante frisar aqui novamente que elas necessitam de tratamento médico convencional. Por muitas vezes ouvi confusões relacionadas a estas doenças tidas como Psicossomáticas, que tentam induzir o indivíduo a crer que, da mesma forma como seu estado emocional “causou” a doença, este mesmo estado emocional pode curá-lo. Não dispenso a ajuda que os fatores psicológicos podem fornecer ao tratamento de certas enfermidades, mas é um risco muito grande para a saúde de uma pessoa responsabilizar apenas seus “poderes emocionais” pela sua cura física. Ainda neste sentido, existem muitos e muitos mitos, como: o câncer é causado por influência do estado psicológico da pessoa. Convenhamos, é uma maldade extrema fazer com que uma pessoa que já sofre pelo fato de ter uma doença tão séria como o câncer se sentir ainda responsabilizada psicologicamente por isso. É realmente uma tortura. E não é assim que funciona, determinados tipos de câncer têm suas causas associadas, que não estritamente psicológicas.

Algumas doenças são mais frequentemente associadas ao psicológico e tidas como Psicossomáticas, como: Irritações e alergias na pele; azia e má digestão (levando até a um possível caso de gastrite); irritações na garganta; baixas no sistema imunológico, facilitando a manifestação de gripes e resfriados, herpes e outros vírus; dores de cabeça e enxaqueca. É claro que, novamente, somente uma avaliação médica poderá dizer precisamente a causa e o tratamento destes sintomas, já que uma alergia na pele, por exemplo, pode realmente significar uma alergia a determinada substância e não ter propriamente uma causa emocional.

A Psicossomática é uma área muito rica e ampla da Psicologia e teríamos ainda muitos pontos relacionados a ela para tratarmos aqui. Voltaremos a falar em futuros artigos.

Obs.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações deste site tem função informativa e não terapêutica.

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

5 comentários em “Doenças Psicossomáticas: O que são e como lidar?”

  1. É preciso lembrar q nós q trabalhamos com pessoas, não podemos esquecer q devemos trabalhar em equipe… Afinal o indivíduo é multipartiriam.
    Desconsiderar um sintoma/reação é quase o mesmo de um profissional q olha seu paciente com uma visão obtusa!
    Onipotência e prevenção não podem estar a frente da melhora do paciente!!

    Curtir

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