Por que insistimos em classificar pessoas em padrões de beleza? – Uma reflexão sobre nossos conceitos estéticos.


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Foto: Google

Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro
Alguns acontecimentos recentes expostos na mídia tem gerado certo incômodo pelo excesso de valorização dos padrões de beleza. Gostaria de tratar alguns pontos acerca deste tema:

1 – ANTES DE TUDO, SAÚDE.

Acho maravilhoso ver que cada vez mais temos nos preocupado com a nossa saúde! Acredito que as pessoas tem que se sentir bem consigo, procurar agradar, antes de tudo, a elas mesmas. Se você se sente bem malhando todos os dias, se é algo que você gosta muito de fazer, ótimo! Se você cuida da sua saúde, faz algumas atividades que gosta, mas não se sente bem em frequentar a academia por horas para ter o corpo sarado dos(as) modelos e artistas, ótimo! Isso deveria ser respeitado também. Saúde é fundamental, nosso foco deve estar sempre nisso. Ter uma alimentação adequada e praticar exercícios é essencial para a saúde física e mental. O sentimento de culpa, porém, também é muito prejudicial ao nosso bem estar, então, nada de excesso de restrições alimentares e privar sua vida de pequenos prazeres em troca de uma rotina pesada de atividades físicas e dietas.

 2 – O PADRÃO É, NA VERDADE, EXCEÇÃO.

Convenhamos, a gigantesca maioria das pessoas não se encaixa naquilo que a sociedade considera como um “corpo bonito”. Dentre todas as pessoas que convivo, particularmente, não conheço uma só pessoa que se encaixe sem ressalvas neste “padrão” absurdo. Considerando que nossa meta de vida fosse alcançar este ideal, todo o grupo de seres humanos que conheço (pessoalmente) seria eliminado dessa brincadeira, porque segundo as regras, não vale: celulite, estria, gordurinha localizada, espinha no rosto, rugas, orelha grande, nariz grande, barriga de chopp, barriga saliente por outros motivos, barriga flácida (daqui a pouco, barrigas em geral), ser magro(a) demais, ser baixo(a) demais, ser alto(a) demais, dedo do pé torto, unha encravada… Enfim, poderíamos ficar horas citando aspectos socialmente rejeitados pelo conceito de belo. Logo, o padrão que tentamos alcançar é a exceção. Deseja-se ser como a minoria – que são aqueles que trabalham com sua imagem e ganham para malhar por horas, estampar fotos de revistas, internet – e que muitas vezes tem suas imagens ainda manipuladas por programas de edição de fotos. A outra parte dos mortais, é induzida a carregar um sentimento de culpa quando chega do trabalho exaustivo, cuida do cachorro, do gato, dos filhos, estuda para provas da faculdade, cuida da casa e fica com preguiça de ir para a academia por um só dia.

3 – MEU DEFEITO NO OUTRO DÓI MENOS EM MIM.

O principal aspecto psicológico que acho importante citar nisso tudo é a lógica perversa de apontar “defeitos” nos outros. A ideia principal que observo nos sites de fofocas de celebridades quando entopem as praias de paparazzi, é a de fotografar exatamente aquilo que consideram que foge de um ideal de beleza que, loucamente, a pessoa famosa deveria representar. Entretanto, será que todos os envolvidos – a pessoa que fotografou, a que escreveu a matéria apontando o que supostamente está fora do lugar, as que viram/comentaram a foto e matéria publicadas – seguem este rigoroso modelo de beleza que cobram do outro? Será que quando aponto para as imperfeições alheias desvio o foco de mim e isso faz com que eu me sinta melhor? Afinal de contas, se fulano que é famoso, que deveria malhar por horas a fio, é imperfeito, então ufa! Posso viver melhor comigo mesmo depois disso! Isso pode até trazer um sentimento de bem estar consigo em um primeiro momento, mas quando entramos nessa lógica maluca de classificar as pessoas de acordo com a aparência de seus corpos nos incluímos nisso também e, logo em seguida, o sentimento de culpa por não nos enquadrarmos naquilo que gostaríamos prevalece.

E afinal de contas, por que raios temos que ser julgados pelo nosso índice de massa corporal? Qual crime uma pessoa comete por expor sua figura na praia sem checar antes se todos irão gostar do que vão ver? Quem foi que deu o direito ao mundo de colocar mentalmente um selo de qualidade em outra pessoa rotulando seu corpo como “aceitável” e “não aceitável”?

Como já foi dito no início, o sentimento de culpa não contribui para nossa saúde mental, por isso, ao vivermos aprisionados ou aprisionando os outros em normas estéticas, prejudicamos muito nossa qualidade de vida.
OBS.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações deste site tem função informativa e não terapêutica.


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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