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Transtorno Bipolar – O que você precisa saber sobre o assunto

30 de março é o Dia Mundial do Transtorno Bipolar e o objetivo desta data é a conscientização e a eliminação de estigmas e preconceitos. E nada melhor para combater um preconceito do que o conhecimento. Então vamos lá: o que é importante sabermos sobre o assunto? Vamos falar tópico por tópico.

Por: Ane Caroline Janiro

30 de março é o Dia Mundial do Transtorno Bipolar e o objetivo desta data é a conscientização e a eliminação de estigmas e preconceitos. E nada melhor para combater um preconceito do que o conhecimento. Então vamos lá: o que é importante sabermos sobre o assunto? Vamos falar tópico por tópico.

  • O que é o Transtorno Bipolar?

É um transtorno caracterizado por alterações de humor que se distinguem entre episódios “depressivos” e de “mania” (ou de euforia) em graus de intensidade diversos e que podem acontecer isoladamente, estarem presentes quase que simultaneamente, ou mesmo um dos episódios (normalmente o depressivo) pode ocorrer com mais frequência do que o outro. A maior ocorrência é em pessoas com menos de 30 anos de idade e pode estar ligada a uma predisposição genética ou alterações específicas no cérebro, o que não é totalmente comprovado. Existe a hipótese de que outros fatores também podem desencadear este transtorno, como o uso de drogas e alguns tipos de medicamentos psiquiátricos ou traumas.

  • Quais são as principais características dos episódios de mania e dos depressivos?

Mania: impaciência, inquietação, confiança exagerada, euforia, pensamentos acelerados, insônia, ansiedade e, em extremos, até mesmo a perda de contato com a realidade. Pode ocorrer também a “hipomania” que é uma forma mais branda do episódio de mania, onde a pessoa, apesar de se sentir agitada, ansiosa e com os demais sintomas citados acima, consegue dar continuidade às suas atividades rotineiras sem grandes prejuízos para a vida cotidiana. Depressão: pode ser leve, moderada ou grave e os principais sintomas podem ser de humor melancólico, irritabilidade, perda ou aumento do apetite e do peso, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, excesso de sono ou mesmo insônia, pensamentos de morte. Também pode ocorrer o chamado “estado misto”, que é caracterizado por sintomas maníacos e depressivos ao mesmo tempo, alternando-se em um intervalo de tempo menor. Os sintomas que ocorrem mais comumente nestes casos são de ansiedade, angústia, raiva e hostilidade.

  • Existem tipos diferentes de Transtorno Bipolar?

Sim. Ele é dividido normalmente em “Tipo I” e “Tipo II” e esta divisão é baseada na presença ou na ausência de mania, que neste caso pode se apresentar como hipomania, independente da gravidade dos episódios. O Tipo I ocorre em cerca de 1% da população e é caracterizado pela presença dos dois episódios (de mania e de depressão) e o Tipo II é caracterizado pela alternância entre os episódios de depressão e hipomania e pode atingir cerca de 8% da população. Entre os dois tipos, é estimado que até 15 milhões de brasileiros tenham o Transtorno Bipolar. Hoje se fala do termo “Espectro Bipolar”, que busca incluir as diferentes manifestações. Existe ainda a Ciclotimia, que consiste em mudanças de humor cíclicas caracterizadas por episódios de hipomania e depressão leve.

  • Quais as consequências do agravamento do Transtorno Bipolar?

O Transtorno Bipolar tem como sua mais grave consequência a mortalidade, cuja principal causa é o suicídio, em especial entre jovens. Outras causas são doenças clínicas que ocorrem mais frequentemente em pessoas com este transtorno, como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Ainda, outro fator é a associação com o consumo de álcool e outras drogas, o que “agrava o curso e o prognóstico, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio”.

  • Qual o tratamento para o Transtorno Bipolar?

É importante lembrar que apenas um especialista em saúde mental poderá estabelecer diagnóstico e tratamento corretos para cada caso. Mas uma vez detectado o Transtorno Bipolar, o tratamento normalmente inclui a indicação de medicações estabilizadoras de humor, associação de antidepressivos e/ou antipsicóticos (varia de caso para caso). Além disso, o acompanhamento em psicoterapia é extremamente válido para o controle dos episódios de depressão e mania. Embora as consequências do Transtorno Bipolar possam ser bem graves e intensas (e ainda não ter cura), é possível que uma pessoa com este transtorno leve uma vida praticamente normal, apesar de desafiadora. Isso será resultado de um tratamento correto e efetivo e de hábitos saudáveis.

Importante: todos nós passamos por mudanças de humor ao longo do dia e da semana, a diferença entre o que ocorre quando há o Transtorno Bipolar é a intensidade e a velocidade dessas mudanças, além de como este problema afeta a vida do indivíduo e gera sofrimento e incapacitação para o mesmo.

Referência: Associação Brasileira de Transtorno Bipolar

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OBS.: Todo o conteúdo desta e de outras publicações deste site tem função informativa e não terapêutica.

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

24 comentários

    1. Joelma, procure um especialista em saúde mental (psicólogo ou psiquiatra) em sua cidade. Esse transtorno tem tratamento e controle. Posso imaginar como você se sente, mas vai ver o quanto procurar ajuda pode ser útil e mudar essa situação.
      Abraços!

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  1. Gostei muito do assunto tratado como sou apaixonada por psicologia,pois sou pedagoga.E como faço tratamento depressivo gosto de ler muito sobre psicologia. Matérias dessa qualidade nos põe a par do que se passa conosco e aprende a lidar com outros caso apareça na família ,sabemos a que especificação médica orientá-lo a procurar o especialista obrigada.

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  2. Obrigada pelo bom esclarecimento,tenho uma pessoa na família com transtorno bipolar e foi muito difícil na última crise da mesma,mas graças à Deus e ao tratamento exercido ela está bem e feliz,é possível sim viver bem mesmo com esse d

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  3. Muito bom, sou bipolar e adoro ser assim Pq minha bipolaridade diminui meu teor de colina deixando-me mais preocupado consequentemente aumenta minha sobrevida.

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  4. Sou bipolar e adoro ser Pq a preocupação nos deixa mais alerta, algo que garante a sobrevivência e consequentemente diminuir a concentração de colina..

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    1. Olá Maria. Na verdade somente um especialista no assunto de saúde mental pode avaliar sua filha e dizer se ela tem este ou outro transtorno. Nunca devemos fazer um “diagnóstico caseiro”. Na dúvida, sempre procure um profissional.
      Abraços!

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  5. Muito obrigada pela explicação e pelo esclarecimento da mesma,eu sou estudante de psicológia e me interessa muito esse tipo de assuntos que é pra eu poder aprender.

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    1. Nós que agradecemos pelo seu retorno, Adelina! Continue informada sobre estes temas se cadastrando na opção “Seguir Psicologia Acessível” na coluna à direita do blog e receba todo nosso conteúdo em seu e-mail. Abraços!!

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  6. Vi esse link no face de uma amiga psicóloga (fizemos faculdade juntas, porém não concluí), muito interessante. Sofro de TB desde os 21 (hoje tenho 29), tenho uma personalidade exigente, e crítica. Algumas informações (era bom que fossem citadas as referências científicas) parecem fazer sentido. Pois o perigo é de nos “compararmos a pessoas que não têm TB, e nos culparmos violentamente, desistindo/deprimindo ou ousando demais”. Algo que me tem feito BASTANTE BEM foi a meditação com prática corporal, com a concentração no básico, no pouco. Praticar esporte!! Temos MUITA ENERGIA; precisa ser queimada ao máximo nos suor dos músculos, descarregando a mente! A COMPETITIVIDADE que temos só vale a pena nas horas certas; saber perder é bom, é saudável. Respirar sempre fundo, agüentar um pouco mais, respirar novamente deve virar hábito. Somos pessoas complicadas, muitas vezes odiosas, mas só o tempo das coisas pode nos julgar; nada nem ninguém mais, nem nós mesmos. Abs,

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    1. Oi Maria Clara! Obrigada por comentar e compartilhar sua experiência!! Como citamos ao final do artigo, você pode pesquisar mais sobre este assunto na Associação Brasileira de Transtorno Bipolar, que foi nossa referência no tema. E se quiser acompanhar mais de nossos conteúdos, é só cadastrar seu e-mail na opção “Seguir Psicologia Acessível” na coluna à direita do blog. Abraços!!

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