Aborrescência – será?


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Sabemos lidar com a fase de desenvolvimento adolescente? E o que podemos considerar como “normal” ou como patológico neste período?

Alguns familiares e outras pessoas que convivem com adolescentes por vezes se desesperam diante de certos comportamentos, que acabam sendo considerados como desvios de conduta quando, na verdade, fazem parte das características desta fase.

O que é Adolescência?

É um período do desenvolvimento humano, compreendido entre os 12 e os 18 anos aproximadamente, visto que pode se anteceder ou se estender.

Psicologicamente falando, esta é uma fase em que todas as identificações que foram sendo feitas no decorrer das idades anteriores possibilitarão ao indivíduo encontrar e fortalecer a sua identidade.

“É um período da vida em que o corpo muda radicalmente de proporções, a puberdade genital inunda o corpo e a imaginação com toda espécie de impulsos, a intimidade com o outro sexo se inicia e o futuro imediato o coloca diante de um número excessivo de possibilidades e escolhas conflitantes. (…) ele [adolescente] deve fazer uma série de seleções cada vez mais específicas de compromissos pessoais, ocupacionais, sexuais e ideológicos.” (Erikson, 1968).

A fase da adolescência está entre as experiências da vida infantil e as expectativas e medos referentes à vida adulta.

Busca pela Identidade e a Confusão de Papéis

A “confusão de papéis” é uma característica comum desta fase e do processo de conquista da identidade, onde o adolescente pode apresentar desconfianças, vergonhas, culpas e sentimentos de inferioridade, o que diz respeito a um reflexo e revivência dos conflitos da infância e também o processo da aquisição da identidade sexual e social. Cada pessoa, porém, manifesta esses sinais em maior ou menor grau.

É um período onde o indivíduo está “amadurecendo”, assimilando os valores da cultura onde está inserido, desenvolvendo o seu senso crítico, observando de forma muito particular a realidade, refletindo e utilizando suas atividades cognitivas.

Nesta busca então pela identidade, é comum que o adolescente tenha uma preocupação excessiva com a opinião do outro e com o seu papel na sociedade, fazendo com que ele remodele sua forma de se comportar em um período que pode ser visto como repentino por aqueles que convivem com ele, mas que na verdade acompanham também o ritmo de mudanças físicas da adolescência.

A importância dos grupos para o adolescente

O adolescente precisa se sentir inserido em um determinado grupo com características e comportamentos específicos para que consiga se ver como parte da sociedade. Ao mesmo tempo em que busca construir a sua identidade e individualidade, ele seleciona daqueles que admira aspectos que passa a integrar ao seu próprio comportamento.

Outras crises e características são comuns a esta fase, como a separação progressiva dos pais (pela necessidade de busca pela identidade), necessidade de intelectualizar e fantasiar, crises religiosas e de valores, constantes flutuações de humor e de estado de ânimo, contradições constantes no que diz respeito às formas de conduta e o descobrimento mais claro da sexualidade.

O Adolescente passa também por transformações que chamamos de “lutos”, que são a “perda” do corpo infantil, a “perda” de seu papel infantil, que faz com que ele comece a ser cobrado por responsabilidades que antes não tinha e a “perda” do comportamento dos pais como era conhecido na infância, que se mostram a ele agora de forma diferente (como diminuição do papel de “refúgio” e as dúvidas dos pais em lidarem com as mudanças dos filhos).

Quando precisamos então nos preocupar?

Na verdade, o melhor caminho para que a criança e o adolescente passem por suas fases de desenvolvimento, é sempre o diálogo. A convivência familiar próxima, a compreensão dos comportamentos específicos dos filhos e a conversa franca podem influenciar grandemente estes períodos, de modo que se consiga passar por eles sem grandes transtornos. E este exercício deve começar desde muito cedo.

Por exemplo, o adolescente, que tem a necessidade de se integrar a grupos e assumir para si características deles, como já foi dito, pode se ver diante de ofertas de comportamentos de risco, como o uso de álcool e outras drogas, transgressões, entre outros. Neste caso, é importante que, mesmo com as características de insegurança e dúvidas desta fase, ele tenha tais valores já incorporados desde cedo pelo âmbito familiar, o que facilitará o seu poder de decisão diante destas situações.

É verdade que, em alguns casos, o adolescente pode chegar a apresentar quadros patológicos, quando algumas das características já citadas acima como “comuns” desta fase do desenvolvimento passam a se apresentar de forma a causar sofrimento para o indivíduo e para os que com ele convivem. Exemplos disso são: quadros de depressão, de transtornos alimentares em busca do corpo idealizado e para ser aceito pelos grupos, o uso de álcool e outras drogas, agressividade exacerbada, entre outros.

É preciso ficarmos atentos às mudanças e, mais uma vez, manter o diálogo pois, só assim seremos capazes de conhecer melhor os filhos e perceber melhor estas transformações. E é claro que um psicólogo pode ajudar a lidar melhor com esta fase, seja ela em seu curso “normal” ou não.

Referência: ERIKSON, E. Juventude, Identidade e crise, Rio de Janeiro. Editora Guanabara, 1987

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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Sobre a autora deste blog:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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