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Indicação e Reflexão sobre o Filme “Entre Abelhas”, com Fábio Porchat – Por Lidiane Vilela

Bruno (Fábio Porchat), um editor de imagens recém-separado da mulher (Giovanna Lancellotti), começa a deixar de ver as pessoas. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Com a ajuda da mãe (Irene Ravache) e do melhor amigo (Marcos Veras), ele tentará descobrir o que se passa em sua vida.

Diferente dos outros filmes em que Fábio Porchat atua, que nos entregam significados e sentidos prontos, “Entre Abelhas” é um tipo de filme que todos ficam esperando a cena extra após os créditos, mas não há (desculpa, já contei! rs).

O filme começa com a “despedida de casado” de Bruno (personagem principal, interpretado por Porchat), que está em processo de separação. Porém, quando questionado, não sabe dizer o que houve e nem o que fez para impedir a separação, já que ele não queria que acontecesse.

Em meio a esse conflito (de separação), Bruno passa cada vez menos a enxergar as pessoas – nem o motorista do táxi em que está – as pessoas no ônibus, a pessoa que passa de skate… E aos poucos ele enxerga cada vez menos.
É possível levantar diversas questões que surgem ao longo do filme.

A primeira acerca da separação. Recorrente hoje em dia, mas no filme aparece claramente a não vontade de separação por parte dele, ao mesmo tempo em que não há ação / atitude / tentativa para reverter a situação, parece não haver posse da relação, como se não assumisse o casamento como seu.

Outro ponto é o que isso pode causar – depressão. Passa a faltar sentido, causa-lhe desânimo e ele passa a correr atrás da tal poltrona vermelha que a esposa quis; talvez tentando reparar e, como ponta de esperança de resgate, ou, algo que restou do relacionamento e que talvez recuperado preenchesse o vazio da separação. Ou ainda, pensar na poltrona como lugar e a “corrida” de Bruno durante todo o filme pela busca do lugar que tinha / ocupava, ou já não ocupava mais na vida da esposa.

Diante do vazio desse momento de tristeza, Bruno aos poucos deixa de ver as pessoas, o que em um sentido mais “figurado”, não é muito difícil de ocorrer hoje em dia; não das pessoas desaparecerem, claro! Mas, no sentido de serem invisíveis na multidão, de se sentirem sozinhos, sem apoio ou alguém com quem se possa falar de si (Bruno com o tempo não consegue mais enxergar o “amigo”, este que nunca o ouviu)… Aí, pessoas e coisas vão perdendo sentido e lugar em nossas vidas, e “desaparecem”.

Outra questão que chama a atenção no filme, é que as pessoas nas fotos também desaparecem e, não ficam buracos, é possível ver o que havia por trás delas, ver além. O que leva a pensar nas coisas que estão por trás do supérfluo, que por vezes, ofuscam coisas sinceras e verdadeiras (não vou contar, mas isso é possível ver na última cena do filme). Coisas tão simples, mas que já não vemos mais como são, se perderam na correria do dia-a-dia.

Aí todos se olham com cara de “ué! o filme acabou?” E eu te respondo: Sim! Simples não é? Vamos tirar os cabrestos e enxergar as pessoas, o mundo, e o que há de bom? Mesmo que algumas pessoas e a mídia tentem nos mostrar outras coisas? Vamos sair do piloto automático?

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Por: Lidiane Mara de Oliveira Vilela – Psicóloga – CRP 06/118076.
Graduada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
Atendimento Clínico Infantil e Adulto.
Contato: lidiane.vilela@yahoo.com.br – (11) 94207-7212

Filme “Entre Abelhas”
Sinopse: Bruno (Fábio Porchat), um editor de imagens recém-separado da mulher (Giovanna Lancellotti), começa a deixar de ver as pessoas. Ele tropeça no ar, esbarra no que não vê, até perceber que as pessoas ao seu redor estão ficando invisíveis. Com a ajuda da mãe (Irene Ravache) e do melhor amigo (Marcos Veras), ele tentará descobrir o que se passa em sua vida.
Ano: 2015
País: Brasil
Gênero: Drama/Comédia
Com: Fábio Porchat, Marcos Veras, Irene Ravache, e outros
Direção: Ian SBF


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

9 comentários

  1. E muito bom receber mail sobre filmes enteressantes sobre psicologia,sou pedagoga e gosto muito desses assuntos que leva reflexão!

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  2. Caramba. Foi esclarecedor demais. Acabei de assistir o filme agora e não tinha entendido nada. E pensei “q bosta de filme é esse?” E não me conformei com o final do filme sem entendê-lo então decidi pesquisar para descobrir o significado de tudo.

    Pow. Muito óbvio e eu não havia notado. A mãe dele se importava com ele. Ela morreu e sumiu. Nem o psicólogo se importava mais com ele. No final de tudo, a garota apaixonada por ele, ainda se preocupava com ele e ainda pensava nele. Q incrível isso.

    Obrigado pela explicação. Depois do sej post a minha análise do filme passou de um filme lixo e sem sentido, para um filme excelente.

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    1. O teu comentário também foi muito esclarecedor e propositivo, Kaíque!!
      Além de ter sido muito parecido com o que aconteceu com a gente em relação ao filme! Valeu!!

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  3. Maravilhosa publicação. Eu ñ havia compreendido o filme e tinha achado um lixo. Por isso decidi procurar seu significado. E agora q eu compreendi o achei sensacional.

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  4. Excelente reflexão sobre o filme!! Eu e minha namorada terminamos de vê-lo e sobraram muitas indagações, logo a partir do final… Fomos procurar alguma luz na Internet e adoramos termos chegado até aqui! O filme é muito bom e a devida reflexão sobre tudo o que ele nos traz é indispensável e arrebatadora!!

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  5. Assisti esse filme no cinema, não entendi absolutamente nada, nunca esqueci o filme, assisti ele nesses últimos 3 anos que ate perdi as contas. Assistia na intenção de entender, mas agora com sua análise eu finalmente poderei relaxar

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  6. Em um mundo onde a aparência vale mais que a personalidade essa foi a forma mais “complexa” porem fácil de se entender, é o famoso vc é oq vc vê ou oq vc sente e pratica, excelente filme que nos revela uma coisa muito importante de valor e seja valorizado antes que seja tarde demais, nos funcionamos para um mundo melhor não o mundo por nós!

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