Terror Noturno – Entenda o que é e por que ocorre


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Apesar do nome, o Terror Noturno costuma assustar muito mais aos pais e outros familiares do que a própria criança.

Trata-se de um distúrbio do sono que ocorre mais frequentemente na infância, a partir dos 9 meses de idade em média, mas em alguns casos pode ocorrer também na adolescência ou fase adulta.

Durante os episódios de Terror Noturno, a criança pode se sentar na cama, gritar, se debater, ficando bem agitada e chorar. Pode até mesmo ficar com os olhos abertos e andar ou correr pela casa, apesar de ainda estar dormindo. Tudo isso pode durar até cerca de meia hora (ou bem menos, dependendo de cada criança).
Apesar desse quadro um tanto desesperador, após todos os sintomas, a criança volta a dormir e não se lembra de nada no dia seguinte.

  • Terror Noturno X Pesadelos

A diferença entre o Terror Noturno e os pesadelos é que o primeiro costuma ocorrer nas horas iniciais de sono da criança, já o pesadelo ocorre na fase conhecida como sono REM (fase do movimento rápido dos olhos), que são as últimas horas de sono. Além disso, as crianças normalmente se lembram do pesadelo e, em alguns casos, podem sentir medo de voltar a dormir, o que em geral não ocorre no Terror Noturno.

  • O que a família pode fazer durante um episódio de Terror Noturno?

Por maior que seja o desespero de quem presencia um episódio de Terror Noturno em uma criança, é importante se lembrar sempre de que não é nada tão sério assim e que aquilo irá passar em alguns minutos. E ainda: a criança sequer irá se lembrar depois.

Então, a principal preocupação da família é garantir a segurança da criança durante os episódios. Cuidar para que o ambiente esteja livre de coisas nas quais ela possa esbarrar e quebrar, objetos que possam oferecer algum risco de acidente e observar para que ela não se machuque ao se debater ou correr pela casa.

Lembre-se também: mesmo que a criança esteja de olhos abertos e gritando, ela ainda está dormindo! Portanto, não surtirá efeito algum tentar falar com ela, acalmá-la ou segurá-la na cama. Aliás, não é necessário tentar acordar a criança durante o Terror Noturno, isso pode prolongar ainda mais o episódio. Apenas cuide da segurança e aguarde a criança se acalmar sozinha.

  • É preciso buscar ajuda profissional para o Terror Noturno?

É interessante, durante as consultas de rotina da criança com o pediatra e/ou outros médicos e profissionais da saúde, comentar a respeito dos episódios de Terror Noturno, explicando exatamente o que ocorre e qual a frequência e duração (é interessante anotar tudo, como um diário de sono da criança). Caso o especialista identifique algo incomum, certamente irá pedir avaliações mais precisas.

Mas não há motivos para se preocupar. O Terror Noturno não é uma doença ou transtorno sério e tende a desaparecer conforme a criança cresce. Pode ser foco de maior atenção apenas em casos onde esses episódios se prolonguem durante o crescimento ou causem prejuízos significativos, como: criança com medo de dormir, comportamento agressivo onde a criança se machuca durante as crises, frequência muito alta de Terror Noturno (em todas as noites e/ou todos os momentos de sono da criança), interrupções constantes de sono.

Caso o Terror Noturno esteja associado a outros quadros de saúde, como apneia, refluxo ou outros, então um especialista poderá auxiliar no tratamento destes.

O Terror Noturno em adolescentes e adultos também deve ser motivo de avaliação profissional. Nesses casos, é importante buscar um Psicólogo, Psiquiatra, Neurologista, Neuropsicólogo ou outros profissionais da saúde mental e especialistas do sono.

  • Quais as causas do Terror Noturno e o que fazer para evitar?

As causas não são totalmente conhecidas, mas podem estar relacionadas à má qualidade de sono, estresse, agitação ou mesmo quando já há casos de Terror Noturno ou sonambulismo na família.

O que pode ser feito para ajudar a evitar ou a diminuir os episódios de Terror Noturno é cuidar para que a criança tenha períodos maiores de descanso, como aumentar o tempo de soneca durante a tarde, deixa-la dormir por mais tempo de manhã ou coloca-la para dormir mais cedo à noite. Ainda, evitar que a criança fique muito agitada antes de dormir, por exemplo, com brincadeiras ou jogos muito estimulantes, brinquedos com muitas luzes e sons. Prefira historinhas tranquilas, musiquinhas calmas ou brincadeiras igualmente mais amenas. Evitar também que a criança consuma alimentos indigestos, como açúcares e gorduras, por exemplo, próximo à hora de dormir. Manter também uma rotina de horários para a hora de dormir e a hora de acordar pode ajudar a diminuir os episódios de Terror Noturno.

Observar também as possíveis causas de estresse ou ansiedade na criança pode auxiliar bastante.

Reforçando:

A principal preocupação com uma criança que apresenta o Terror Noturno deve ser a segurança, portanto:

  • Mantenha o local onde a criança dorme livre de móveis ou objetos que possam oferecer riscos;
  • Mantenha a porta do quarto sempre aberta e destrancada (cuidando para que a criança não possa fechá-la ou trancá-la sozinha) e as janelas sempre bem fechadas;
  • Proteja escadas e mantenha trancadas as portas externas, por onde a criança possa sair da casa;
  • Evite o uso de camas altas ou beliches;
  • Proteja bem tomadas, equipamentos elétricos e fios onde a criança possa tropeçar.
  • Proteger a cozinha com trancas, portões ou trancar portas ou gavetas que contenham facas e outros objetos cortantes.

Ane Caroline Janiro – Psicóloga
CRP: 06/119556

Referências:

  • Associação Brasileira de Medicina do Sono
  • Sociedade Brasileira de Pediatria


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

 

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6 opiniões sobre “Terror Noturno – Entenda o que é e por que ocorre”

  1. Meu filho teve terror noturno dos 6 meses aos 5 anos de idade, as crise eram 2 ou 3 por semana com durações de 30 a 40 minutos. Quando bebê ele se arrastava pelo berço e se contorcia muito em nosso colo, demoramos um pouco para tomar conhecimento do assunto. Realmente é desesperador ver seu filho chorando e esperneando como se sentisse uma dor muito aguda. Tentamos calmantes fitoterápicos e nada surtia resultado. Com 2 anos de idade resolvi leva-lo a um neuropediatra que diagnosticou o terror noturno. Disse que não existia tratamento e que as crises poderia acabar com o passar dos anos. Tivemos que aprender a lidar com as crises que eram cada vez mais frequentes e intensas. Quando maiorzinho ele tinha crises por volta da 1:30 da manhã e gritava demais com os olhos abertos e tentando escapar do nosso colo, as crises eram longas e ele chegava a ficar molhado de tanto suor e lágrimas. Descobri que quando eu tirava ele do “transe” ele simplesmente acordava e voltava a dor dormir como se nada tivesse acontecido. Passamos a acorda-lo durante as crises (fazíamos sons altos) batia panelas, estalava os dedos bem próximo ao seu ouvido, ligava uma tv bem alto, tinha que ser assim para o som pudesse cobrir o barulho do choro dele. Durante 5 anos e meio vivenciamos madrugadas de total desespero, sem poder fazer muita coisa, tentando acalma-lo e rezando para que essas crises deixassem que ele tivesse uma noite inteira de sono. Espero que esse post possa ajudar outros pais que estejam passando por uma situação semelhante.

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