O impacto dos pensamentos sobre nossos desejos


Toda vez que eu tenho algum desejo é porque um lado meu quer se expandir, se experimentar e isso é natural do ser humano.O desejo é algo saudável porque leva para expansão, criatividade e prazer.
Ao mesmo tempo, pode ser que eu tenha um outro lado meu que resiste, que tem medo, que não deseja aquilo por algum motivo.
Instalado o conflito de forças. Uma vai numa direção, outra vai para a direção oposta.

Digamos que eu queira um namorado ou namorada. O meu lado que quer se expandir, se entregar, sentir prazer e amor é o lado saudável. Mas digamos que um lado meu subconsciente, tenha medo, ou não acredite que eu seja interessante o suficiente, ou bonita o suficiente, ou inteligente o suficiente ou tudo isso junto.

Se esses dois lados estão ativos, haverá um conflito, uma tensão, uma confusão sobre esse assunto. Um mal estar, incômodo ou até um desespero quando eu pensar nisso. Vai existir um espaço entre mim e o que eu quero. As emoções representam esse espaço.

Se eu estou alinhada com aquilo que eu quero, ou seja, se os meus pensamentos estão “de acordo” com meu desejo, minhas emoções são positivas. Seria o caso de eu me sentir bem o suficiente para atrair e buscar um parceiro(a) com tranqüilidade e confiança. Se meus pensamentos estão distantes, em “desacordo” com o que eu desejo, as emoções são negativas. Se meus pensamentos são contrários, do tipo já citado “sou feia, sou sem graça, não mereço”, eu sentirei medo, angústia, pressa, ansiedade, frustração etc.

Então as emoções são indicadoras confiáveis que nos mostram se estamos nos aproximando ou distanciando daquilo que queremos. (Outro assunto, para o futuro é a dificuldade de sentir. Muitas pessoas apertaram o “botão da anestesia emocional” para não sentirem dor e o que acontece é que não sentem nem dor nem alegria. Mas este é outro assunto.)

Se você tem algum contato com suas emoções, saiba que elas ajudam a reajustar pensamentos e redirecioná-lo para onde você quer ir. Sempre que você sai do trilho, suas emoções te ajudam a mostrar que algo está errado e que você deve voltar a atenção para o seu desejo, ajustando seus pensamentos.

Outros exemplos:

Desejo: Quero ganhar mais dinheiro. (vontade saudável: quero ter mais recursos e possibilidades de vivenciar experiências)

Pensamento associado subconsciente: “mas dinheiro só traz problemas” ou/e, “mas as pessoas terão inveja”, ou/e “não me acho capaz de gerar mais dinheiro”.

Emoções: medo, angústia, frustração, raiva

Comportamento: com esse conflito interno, não conseguimos nos direcionar com tranqüilidade para maior quantidade de dinheiro, não percebemos ou não geramos oportunidades que nos levarão a receber maior volume de dinheiro. Nosso comportamento é de desistência, apatia, falsa aceitação.

Outro exemplo:

Desejo: Quero mudar de trabalho (vontade saudável: quero mais prazer, mais reconhecimento, mais troca, mais contribuição)

Pensamentos: “ trabalho é isso mesmo, um sofrimento”, e/ou “sofrer é normal” e/ou “nunca vou encontrar nada melhor” e/ou “pelo menos eu tenho alguma coisa” e/ou “impossível ganhar mais e ainda gostar do trabalho” etc.

Emoções: medo, frustração,desespero.

Comportamento: ficar no mesmo emprego. Não procurar outro trabalho, ou procurar, mas sem nenhuma real confiança de que eu posso encontrar algo melhor.

E como lidamos com esse conflito interno?

A primeira “instância” a ser atacada, é a dos pensamentos. É importante você saber o que está pensamento “lá no fundo” sobre o seu desejo. Existe alguma voz contrária a ele? Quais são? Escreva todas. Veja o que aparece. Depois que você fizer essa identificação, deve questionar, deve refutar, deve encontrar um lugar generoso, honesto e objetivo dentro de si mesmo.

Exemplo: É verdade que dinheiro só traz problemas? Será que a falta de dinheiro não traz muito mais problemas? Será que as pessoas terão tanta inveja? Mas será que eu não vou conseguir lidar com isso? Será que não sou capaz de gerar mais dinheiro? Por que não seria? Eu tenho alguma limitação? Tenho mesmo?
Será que não mereço? Porque não mereceria? (Essa parte é um trabalho sério, importante, delicado, porque confronta crenças muito antigas que foram formadas na infância).

Depois ainda podemos encontrar outros pensamentos novos e saudáveis que se direcionam para o amor, aceitação, merecimento, autoestima.

Exemplo: “O dinheiro possibilita muitas oportunidades, com ele posso fazer tantas coisas interessantes, posso até ser mais generosa, posso comprar mais coisas, ter mais conforto e tudo bem. Não é errado eu querer viajar mais, ter uma casa própria, ou uma casa maior, ou um carro mais moderno. Nada de errado com isso.”  (Esses novos pensamentos têm um tempo de maturação. De um nível intelectual, eles precisam ir gradualmente sendo incorporados).

Sobre o trabalho: eu tenho tanto a contribuir, quero sentir-me mais integrada ao mundo, quero sentir que tenho um lugar singular onde trabalho, quero me sentir bem, gostando do que eu faço, num ambiente gostoso.

Às vezes somente mudando a nossa postura, conseguimos mudar o ambiente à nossa volta. Se vamos procurar outro trabalho sem fazer o trabalho interno podemos acabar caindo na mesma armadilha e criar as mesmas condições que as anteriores.

Ainda sobre o desejo, este é voltado para aquilo que queremos, mas também temos desejo de fugir de algumas coisas e isso faz diferença no resultado final.
Exemplo: Eu quero um namorado porque quero me relacionar, amar e ser amada, compartilhar minha vida?
Ou quero um namorado porque preciso urgentemente fugir desse vazio em que me encontro?

Esse poderá ser o tema para meu próximo texto.

Um abraço, Graziela.

graziela

“Graziela Bergamini é psicóloga e escritora. Fez cursos de extensão em Harvard  “Human Emotions” e em Lesley University, EUA “Family Couselling”. Formada em Dinâmica de Grupos e facilitadora de grupos pelo Pathwork (método de autoconhecimento). Atendimento em consultório particular desde 2006, palestrante desde 2010. Graziela é também autora do livro “Viagens de uma Psicóloga em Crise”, publicado em 2013.

Saiba mais: http://www.grazielabergamini.com.br/


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.

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