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Eterna insatisfação com o corpo

Outro dia fui tomar um café num shopping aqui em São Paulo e no balcão havia uma senhora de uns 60 anos, lindíssima e muito bem vestida, gritando com as atendentes: - Como vocês me chamam de "senhora"? Por favor já falei para não falarem isso, eu já estou velha, vocês não podem me chamar de "senhora", é insultante. Então ela começou a chorar e a soluçar como uma criança, sem se importar em virar o centro das atenções. - Eu estou com depressão, estou velha e feia e vocês me chamam de "senhora", é o fim para mim, é o fim... - e soluçava.

Por: Graziela Bergamini

Outro dia fui tomar um café num shopping aqui em São Paulo e no balcão havia uma senhora de uns 60 anos,  lindíssima e muito bem vestida, gritando com as atendentes:
– Como vocês me chamam de “senhora”?  Por favor já falei para não falarem isso, eu já estou velha, vocês não podem me chamar de “senhora”, é insultante.  Então ela começou a chorar e a soluçar como uma criança, sem se importar em virar o centro das atenções.
– Eu estou com depressão, estou velha e feia e vocês me chamam de “senhora”, é o fim para mim, é o fim… – e soluçava.

Reparei que até ela começar a chorar, todos estavam olhando com raiva e desprezo e depois com seu choro, as caras passaram de raiva para pena. Eu mesma tive o impulso de me meter na história elogiá-la:
– Mas você é tão linda… e essa palavra “senhora” é protocolo, não liga, não é pessoal.
Ela parou de soluçar. A gerente do café convidou-a para sentar à mesa e contar mais sobre o motivo da sua insatisfação. Fiquei de longe olhando, vi que elas ficaram conversando um bom tempo. Parece que o final foi feliz, ela saiu mais tranquila e até recebeu uns abraços de algumas pessoas que, como eu, estavam de butuca ligada no episódio.

Fiquei pensando na sua dor de se achar velha e feia, mesmo sendo realmente bonita e bem cuidada.
Uma coisa é se cuidar, cuidar da saúde, ir na academia, valorizar o corpo. Isso é realmente muito saudável e deve ser incentivado. No entanto, vejo muita gente sofrendo demais com a questão estética. Estar fora dos padrões de beleza anunciados diariamente pela sociedade e não saber envelhecer, pode causar enorme sofrimento. Algumas pessoas vivem para fazer pequenas plásticas, são escravas de suplementos, não podem viver sem esteticista, cabeleireiro. Emagrecer e ter um corpo que foi idealizado por outros é uma meta cruel porque não tem fim. Nestes casos a pessoa associa o seu valor pessoal com a sua aparência que nunca parece ser satisfatória, ou seja, a pessoa está sempre muito mal com seu corpo, por mais que faça correções nele. Não estou falando de eventuais plásticas, estou falando de obsessões. Obsessões sem fim, a busca pelo ideal que nunca é alcançado.

O caminho para sair desta armadilha é perceber que se está nela, perceber o tanto de energia que se esvai, o tanto que se perde de tempo e dinheiro. A solução não está em mais uma mudança no corpo, mas na exploração de si mesmo, na busca pelos aspectos positivos, nas qualidades, pontos fortes, habilidades; explorar essas características positivas, expandi-las, oferecê-las ao mundo, às pessoas em volta. Associar o valor pessoal ao ser e não às condições estéticas. Não aprendemos em nosso desenvolvimento humano a buscar conhecer nossos verdadeiros potenciais, então essa tarefa parece ser algo muito difícil, mas realmente não é, uma vez que decidimos saber quem somos em todos os nossos aspectos positivos.

A psicoterapia pode ajudar nesta expedição de si mesmo, ajudando as pessoas a reconhecerem suas qualidades, seus recursos internos, ajudando também a respeitarem seu histórico, trajeto de vida, suas escolhas anteriores, ajudando a criar novos significados e novos impulsos para o crescimento e realização.

Vamos cuidar do corpo com respeito e amor ao invés de odiá-lo. Ele é divino, é a máquina mais incrível que existe. 

“Crescer como ser humano significa libertar os potenciais intrínsecos, que são realmente infinitos.” Pathwork

graziela

“Graziela Bergamini é psicóloga e escritora. Fez cursos de extensão em Harvard  “Human Emotions” e em Lesley University, EUA “Family Couselling”. Formada em Dinâmica de Grupos e facilitadora de grupos pelo Pathwork (método de autoconhecimento). Atendimento em consultório particular desde 2006, palestrante desde 2010. Graziela é também autora do livro “Viagens de uma Psicóloga em Crise”, publicado em 2013.

Saiba mais: http://www.grazielabergamini.com.br/


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora deste blog.
CRP: 06/119556

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