Psicoterapia de Casal – Quando é o momento de buscar ajuda profissional?


Por: Ane Caroline Janiro

Embora a procura pela Psicoterapia Familiar ou de Casal cresça ano após ano, ainda existe certo receio em buscar um psicólogo para ajudar a lidar com as questões de relacionamentos.

É preciso considerar que muitos “mitos” são constantemente veiculados pela mídia (novelas, filmes…) em relação ao processo de terapia de casal, que em geral apresentam como único motivo e o momento ideal para auxílio psicológico um relacionamento já à beira da separação. E também, nem sempre o processo terapêutico e o psicoterapeuta são retratados da maneira mais correta. Tudo isso contribui para que as pessoas ainda tenham muitas resistências em admitir que a orientação psicológica pode ser importante em suas relações. Muitas vezes recorre-se a conselhos de amigos e familiares que, normalmente não são imparciais e por não terem uma escuta adequada às ferramentas psicológicas, nem sempre conseguem ajudar da melhor forma.

Essa resistência leva sim muitas vezes o casal até uma situação grave e insustentável e só então há a busca pelo auxílio psicoterapêutico. Ainda assim há o que ser feito, pois o psicólogo/psicanalista irá ajudar a criar tanto um ambiente quanto uma situação favorável para que o casal consiga dialogar. Além disso, irá ajudar as partes a conhecerem aspectos íntimos, inconscientes e desconsiderados por elas até então, que provavelmente levam à compreensão dos conflitos atuais.

É claro que nem todo casal ou família precisa fazer psicoterapia, mas ela pode ser útil quando as dificuldades são presentes e persistentes neste contexto, quando não há diálogo, entendimento, quando há brigas excessivas e essas questões parecem ser insolúveis.

Esta modalidade de psicoterapia costuma ser mais breve em relação às outras (cerca de quatro meses, mas pode variar dependendo do profissional ou das questões a serem trabalhadas). Não é uma terapia voltada apenas para os casados, muitas pessoas que ainda namoram, por exemplo, podem se beneficiar desta orientação em sua relação. E é durante o processo que será identificado aquilo que pode ser o melhor caminho para o bem estar físico e psicológico do casal/família (permanecer juntos, separação… E também as melhores maneiras de adotar estes caminhos).

É importante lembrar também que há muitas outras situações em que a Psicoterapia Familiar ou de Casal pode ajudar, como:

  • As dificuldades na comunicação e no relacionamento em geral, como já mencionado;
  • Episódios específicos como traição sexual e/ou afetiva;
  • A fase de gestação/adoção e a adaptação da família com um novo membro;
  • O processo de adoção em si ou dificuldades nas tentativas de engravidar;
  • Separações e divórcios;
  • Dificuldades e desentendimentos em relação à criação dos filhos;
  • Dificuldades escolares e de aprendizado dos filhos;
  • Morte de um dos membros da família;
  • Saída dos filhos de casa (o ninho vazio), dentre outras.

Dentre todos estes motivos, porém, os que ainda mais levam os casais aos consultórios de Psicologia são as dificuldades em dialogar, as brigas constantes e as traições.

Em muitos casos, é possível notar certos padrões de equívocos que podem levar a essas dificuldades, como:

  • A idealização de um parceiro e relacionamento perfeitos: não são raros os namoros e casamentos que se iniciam de forma impulsiva, baseando-se apenas naquela fase de paixão avassaladora, que não nos permite enxergar certas imperfeições do outro. Todos sabem que as pessoas não são perfeitas, mas muitas vezes se deixa de considerar que a fase da empolgação irá passar, assim como a vida sexual não será o tempo todo como é nos filmes. Deixa-se de considerar que será preciso aprender a lidar com a rotina, o cansaço e os defeitos do(a) parceiro(a). E percebe-se que o exercício do diálogo não foi feito antes, não foi praticado desde o início. A relação cai então no comodismo, os desentendimentos tornam-se constantes;
  • Casamento como refúgio: Algumas pessoas buscam em um relacionamento ou no casamento fugir de uma situação ou mesmo de uma desilusão amorosa anterior, sair de um contexto familiar problemático, entre outros. Muitas pessoas depositam a responsabilidade de sua felicidade no relacionamento amoroso, na outra pessoa ao invés de se compreender e buscar a felicidade também nas outras áreas da vida;
  • Cada vez mais liberdade: É muito importante que cada um tenha o seu espaço no relacionamento, seus momentos sozinhos, suas atividades individuais. Isso é muito saudável para a relação. O problema é que em nossa sociedade tão moderna, essa máxima da liberdade leva muitas pessoas a tolerarem qualquer tipo de comportamento do parceiro em nome de preservar a relação, o que, por consequência, gera cada vez mais insegurança, baixa autoestima, ciúmes, sofrimento e relacionamentos onde ninguém confia em ninguém, onde não há respeito ou admiração, apesar de tentar manter essa aparência.
  • Em contrapartida, há os casos onde não se sabe ceder: há relacionamentos onde tudo é cobrado e ninguém cede, o objetivo é ter razão sempre. Ambos acreditam que oferecem demais ao parceiro e recebem pouco em troca. É difícil olhar para si mesmo, identificar onde é possível mudar, o que é preciso ajustar.

É claro que as mudanças na sociedade também influenciam em nossa maneira de nos relacionarmos, algo que precisa ser discutido e trabalhado. Hoje, ambas as partes da relação precisam lidar com as pressões no trabalho, o estresse das competições profissionais, trânsito, criação de filhos, cuidados com a casa…

Se a sociedade muda, os padrões de relacionamento também mudam.

Como já foi dito, nem todos precisam passar pela Psicoterapia Familiar ou de Casal, mas em muitos casos é preciso sim buscar auxílio psicológico.

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

3 opiniões sobre “Psicoterapia de Casal – Quando é o momento de buscar ajuda profissional?”

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