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Desperdício de pessoas

“Há tanto desperdício de pessoas no mundo. Tanta gente competente, fazendo o que não gosta” - escutei ontem de um profissional que largou um cargo estável que o exauria para ser autônomo, fazer o que ama e enfrentar a insegurança diária de não ter renda fixa como tinha em tempos anteriores.

Por: Graziela Bergamini

“Há tanto desperdício de pessoas no mundo. Tanta gente competente, fazendo o que não gosta” – escutei ontem de um profissional que largou um cargo estável que o exauria para ser autônomo, fazer o que ama e enfrentar a insegurança diária de não ter renda fixa como tinha em tempos anteriores.

Fiquei pensando como isso é triste e verdadeiro. Pessoas gastando energia, tempo e esforço em lugares errados.

Acredito que tudo tem um propósito, muitas vezes maior do que podemos compreender no momento. Tudo o que fazemos, mesmo quando estamos infelizes, irá em determinado momento, fazer parte de alguma engrenagem importante. Então na minha otimista visão, nada é feito em vão. Na imperfeição, existe a perfeição. A perfeição do imperfeito.

Mesmo assim, acredito que quando você faz o que gosta, faz bem feito e cada vez melhor.

Por isso acho bom que as pessoas busquem fazer o que gostam, o que lhes dá prazer. “Ah, mas o que me dá prazer, não dá dinheiro”.  Não é verdade. Se não dá dinheiro, todo aquele que você precisa para ter uma vida boa e confortável, é porque existe alguma resistência sua em relação aquilo que quer fazer. Bom material para terapia. “ Quero e não quero…” Conflito que me acompanhou e que rendeu até um livro.

Nesse caso, foi a falta de confiança em mim, que me impediu de fazer as coisas. Aquela vozinha assim:

– “Menina, você está achando que é quem? Acha que pode mudar o mundo? Tire isso da cabeça, fique no seu canto, ponha –se no seu lugar e não incomode os outros. Você não irá fazer diferença nenhuma na vida de ninguém. ”

Essa voz foi minha grande inimiga.

Mas o que eu quero é só poder contribuir, dar algo de valor para o mundo.
Vejo tantos pais insistindo para que seus filhos escolham profissões pelas quais têm zero afinidade…

Outro dia me escreveu uma aspirante a estudante de Psicologia, que dizia que seus pais tinham dito a ela, que jamais permitiriam que ela estudasse psicologia. Mas esse era seu sonho. Fiquei com raiva. Entendo que eles queiram o melhor para sua filha. Mas querer o melhor nesse caso é ajudá-la. Apoiá-la a buscar e pesquisar sobre o que gosta ou acha que gosta. Incentivar a busca. Assim ela se dedicará e se tornará uma boa profissional. E será muito provável que ela ganhe dinheiro.

“Mas a vida tem que ser difícil, suada, sofrida, senão não tem valor”. Pensam algumas pessoas infelizes e orgulhosas de seu mundo rodeado de sofrimento.

“Temos que pensar em dinheiro, esse papo de prazer é furado” diz o pai  engravatado que chega 10 horas da noite super estressado, enfezado e também infeliz.

É verdade que dificuldades nos tornam mais fortes e nos trazem enormes aprendizados, mas daí a cultuar o sofrimento, é diferente.

Sou a favor de guinadas em atuações profissionais.

Sou a favor da busca pelo prazer no exercício da profissão

Sou a favor da busca pelo dinheiro, que é bom mesmo.

Podemos ter tudo isso, hoje, nesse momento histórico, nesse país. Por que não?

Sei que é mais fácil seguir o bonde, fazer o que os outros falam que é bom, seguir o fluxo que já existe.  Ficar sem questionar, sem assumir responsabilidade, mais fácil. A longo prazo acaba sendo mais difícil.  Difícil mudar, aceitar, renovar, conviver com as escolhas passadas e mal pensadas.

Mas sempre é tempo, nunca é tarde.

graziela

“Graziela Bergamini é psicóloga e escritora. Fez cursos de extensão em Harvard  “Human Emotions” e em Lesley University, EUA “Family Couselling”. Formada em Dinâmica de Grupos e facilitadora de grupos pelo Pathwork (método de autoconhecimento). Atendimento em consultório particular desde 2006, palestrante desde 2010. Graziela é também autora do livro “Viagens de uma Psicóloga em Crise”, publicado em 2013.

Saiba mais: http://www.grazielabergamini.com.br/


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

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