A autoimagem idealizada


Por: Graziela Bergamini

Eu gosto de dar exemplos pessoais, porque são os exemplos mais nítidos e profundos que eu tenho para apresentar. Mesmo que eu tenha exemplos de pacientes, dar o meu, me expõe, mas torna o que quero dizer bastante claro. No meu livro, falo de como fui soltando um pouco das garras da ditatória autoimagem idealizada e como isso foi me levando para caminhos novos e interessantes na vida. Ainda tenho muito muito trabalho, mas hoje me sinto mais livre do que antes.

As pessoas em geral, nem imaginam o quanto a sua autoimagem idealizada influencia sua personalidade, suas decisões e qualidade de vida. É uma voz ditatória que impõe ‘o que deveria ser ‘ e esconde ‘o que é’. Uma verdadeira prisão viver de acordo com ela. É como tentarmos passar pelo buraco de uma fechadura. Não cabe. Não dá, é impossível. Nós somos complexos, cheios de contradições e imperfeições e ao mesmo tempo cheios de qualidades. Quanto mais tento passar pela estreita fechadura, mais me machuco e me frustro.

Isso não significa nos conformarmos com limitações, ou com dificuldades. Pelo contrário. Assumirmos o que é verdadeiro no momento presente, nos dá uma base sólida para avançarmos onde precisamos.

Eu nunca teria publicado um livro, se fosse refém da minha imagem idealizada que me diz que para publicar um livro, eu teria que ser muito mais poeta, entender muito mais dos assuntos que abordei, e ter lido pelo menos 1000 livros a mais do que eu li. A realidade é que eu quero sim ser mais poeta, colocar mais beleza na minha escrita e saber construir melhor as ideias, mas isso hoje não me impede de fazer o que eu já posso fazer.

Conheço uma pessoa muito próxima que queria muito ter filhos, mas não tem porque não se acha competente o bastante, mesmo sendo para mim um modelo de competência.

Conheço um cara que gasta todas as suas energias querendo ser o mais forte possível e não aceita nem um pingo da sua fragilidade que para ele é vergonhosa. Mas o ser humano tem suas fragilidades. O ser humano não é sempre forte, as vezes é muito fraco. E tudo bem. É real. Quando ele aceitar sua fraqueza, ficará muito mais forte.

Conheço algumas pessoas que acreditam que o casamento é a melhor forma de se tornarem prisioneiros que existe. Eu concordo, apenas se as partes acreditam que para se relacionarem precisam projetar imagens idealizadas, escondendo grande parte de si mesmo. Inferno total. A grandeza do casamento é a troca diária e a revelação constante de um e de outro, com toda a complexidade de cada um. Um inferno é quando um não aceita o outro e nem a si mesmo.

Viver apoiado na autoimagem idealizada, é um mecanismo de defesa e foi construído quando éramos crianças, com o propósito de evitar a dor e o sofrimento de não sermos como queriam que nós fôssemos. Hoje temos a escolha de deixar esse lado múmia de lado e começar a encontrar o verdadeiro eu. O preço disso pode parecer alto. Afinal poderá ir em desencontro com as imagens estáticas e pobres que as pessoas esperam de nós. Que sejamos só bons, que sejamos prudentes, comedidos, que tenhamos sucesso em tudo, que sejamos sempre amáveis etc etc, etc sem fim.

Podemos conquistar o que queremos, evoluirmos e sermos cada vez melhores. Mas para isso, precisamos encarar a realidade de hoje. Assumir totalmente quem somos.  Isso é liberdade, a maior de todas, isso é sair da gaiola e começar a voar.

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“Graziela Bergamini é psicóloga e escritora. Fez cursos de extensão em Harvard  “Human Emotions” e em Lesley University, EUA “Family Couselling”. Formada em Dinâmica de Grupos e facilitadora de grupos pelo Pathwork (método de autoconhecimento). Atendimento em consultório particular desde 2006, palestrante desde 2010. Graziela é também autora do livro “Viagens de uma Psicóloga em Crise”, publicado em 2013.

Saiba mais: http://www.grazielabergamini.com.br/

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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