Como conversar com as crianças sobre grandes tragédias


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

É comum que os casos de desastres naturais, terrorismo e outros tipos de tragédias causem muito medo nas crianças, mesmo que o acontecimento não tenha sido próximo a elas. Hoje as crianças tem acesso aos mais diversos meios de informação e, assim como os adultos, estão expostas ao barulho da mídia, especialmente quando ocorre um caso de comoção nacional ou mundial.

Podem surgir muitas dúvidas por parte das crianças em relação a esses acontecimentos e algumas delas, por serem muito pequenas, não levam em consideração a distância, por exemplo, de um atentado terrorista na França (justamente por não saberem que a França é um país distante do Brasil), ou de um desastre em Minas Gerais, mesmo que ela resida no mesmo Estado (pelos mesmos motivos).

O primeiro ponto a levarmos em consideração é que evitar falar sobre o assunto com as crianças não é o melhor caminho. Isso só irá fazer com que as dúvidas delas aumentem e, consequentemente, o medo também. Mas a ideia é não complicar muito a explicação (principalmente se a criança for muito nova). Para falar, por exemplo, sobre atentatos terroristas, pode-se optar por uma explicação mais ou menos neste sentido: “Alguns grupos de pessoas estão brigando em outro país, e algumas pessoas morreram.” No caso de tragédias ou desastres naturais, a ideia é a mesma, tente simplificar a explicação: “Choveu muito forte no local e, por isso, a casa de algumas pessoas foi destruída, agora elas precisam de ajuda”. A ideia é: explicar o que aconteceu, explicar a consequência do ocorrido e explicar o que está sendo feito ou o que está acontecendo no momento. Sem mentir para a criança, é válido lembrar!

Importante: mantenha a calma e evite causar mais pânico ainda nas crianças. O comportamento da criança está muito ligado àquilo que elas observam nos adultos, sendo assim, se ela presenciar desespero e angústia em casa, provavelmente também apresentará essas reações. Procure conversar com tranquilidade sobre os fatos.

Evite o excesso de informações e as imagens fortes! Quando tais eventos ocorrem, é comum que a mídia passe o dia abordando o assunto, então a dica é não ficar com a TV ligada o dia todo e, também, ter o cuidado de não expor a criança a imagens fortes, o que é totalmente desnecessário. Manter a rotina e mostrar para a criança que, apesar da necessidade de se solidarizar com quem precisa, a vida continua e que ela não precisa ter medo.

Procure se informar e não transmitir preconceitos ou ideias erradas às crianças. É preciso que estejamos cientes de que muitas informações que damos aos pequenos, eles irão disseminar por aí (na escola, na casa dos amiguinhos…), então evite falas preconceituosas, como: “a religião X é formada por terroristas e eles estão atacando outras pessoas”. É melhor explicar que “um grupo pequeno de pessoas” foi responsável pelo fato e que a maioria das pessoas não faz esse tipo de coisa.

Referência: Entrevista do Psicólogo Genevieve Djenati ao jornal Le Fígaro, intitulada “Imagens de guerra no coração de Paris: como falar com as crianças”


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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556



*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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