[Dica de Leitura] Série “Os Medos que Eu Tenho”


Os livros da série “Os Medos que eu Tenho” foram escritos com base nas teorias da psicanalista Melanie Klein que considerava as experiências do nosso primeiro ano de vida como responsáveis pelos sentimentos que traduzem as principais fragilidades do ser humano. Criados em parceria pela escritora Ruth Rocha e a psicóloga Dora Lorch, os livros ajudam a ressignificar os medos mais comuns das crianças e transformá-los em situações de aprendizagem. Tudo isso por meio de histórias com as quais os pequenos certamente irão se identificar.

“Na série ‘Os Medos que eu Tenho’, estão relacionados alguns dos receios mais comuns às crianças, correspondentes às experiências do primeiro ano de vida. Estes sentimentos, que traduzem nossa fragilidade, como o medo de ser abandonado, de destruir ou de ser destruído, podem perdurar até à fase adulta. Para ajudar as crianças a partir de 3 anos a superarem essas dificuldades, a série “Os medos que eu tenho” apresenta medos básicos e comuns a todos os seres humanos e propostas de resolução desses conflitos.”

Em “Ninguém gosta de mim?”, temos os medos primitivos de não ser amado, de ser abandonado, ou de ser trocado por outra pessoa. (Medo do Abandono)

1 NINGUEM GOSTA DE MIM

 

Este livro apresenta os temores mais comuns em crianças pequenas, como o medo de ser abandonado, de ser trocado, ou as fantasias sobre o que vai acontecer se os pais ficarem bravos com elas.
Em geral as crianças gostam de olhar o livro todo diversas vezes e pedem para que seja recontado vezes seguidas. Essa necessidade de repetição mostra que elas estão “trabalhando” as emoções despertadas pela leitura. Quando o “trabalho” interno estiver pronto, elas vão mudar de assunto sozinhas.

A leitura do livro pode ser de grande ajuda para:

  • Momentos em que a criança se sente em risco, como o nascimento de um irmãozinho, a separação dos pais;
  • Situações de luto pela perda de um ente querido, mudança de casa ou escola;
  • Quando a criança ficar receosa de como os pais vão reagir quando ficam nervosos com ela;
  • Períodos em que a criança fica muito tempo longe dos pais, especialmente se for muito pequena;
  • Quando a criança temer a separação dela para com os adultos: por exemplo, quando entrar na escola, ou em viagens onde não estará com os pais;
  • Para todas as crianças de 3 anos em diante.

Observação: crianças pequenas não têm domínio das palavras, nem das emoções, portanto deixe-as contar o que as impressionou, e nomeie as emoções que elas descreverem. Só isso já configura grande ajuda.

Em “Fantasma existe?” estão caracterizados os medos simbólicos, ou seja, aqueles que não conseguimos explicar. (Medo das Fantasias)

1 FANTASMA EXISTE

Este livro mostra que alguns medos não têm explicação racional. Quer dizer que são medos “simbólicos”, ou seja, o medo de fantasmas, por exemplo, significa alguma outra coisa que naquele momento a pessoa não consegue compreender. Esse tipo de medo – de fantasma, ou do escuro – é o medo de pensamentos e sentimentos que vivem dentro de nós, aos quais não temos acesso. A ideia deste livro é mostrar que os medos não são o que parecem. Assim, o lobo mau não é o lobo do zoológico, mas aquele que habita no fundo da nossa alma. Nesta fase da vida a criança está vivendo conflitos edípicos, ou seja, ela está percebendo que os pais têm uma vida independente dela, e isso causa sentimentos contraditórios de amor e raiva. Algumas dessas emoções podem ficar mascaradas e aparecer em sonhos, ou no medo do escuro, etc. Esses conflitos não só são normais no desenvolvimento humano, como são necessários para um desenvolvimento psíquico saudável.

A leitura do livro pode ser de grande ajuda para:

  • Discutir os vários medos que as crianças têm. Cuidado: alguns medos são tão profundos que elas não querem sequer mencioná-los. Nesses casos, falar do que assusta pode tornar a criança vulnerável.
  • Mostrar que há medos que só acontecem em algumas situações, como o medo do escuro, que só acontece à noite. O que será que tem à noite que causa esse medo?
  • Conversar com as crianças sobre: por que temos medo dos sonhos? Do que mais temos medo? Será que o sonho se transforma em realidade?

No livro “Será Que Vai Doer?”, está o medo que temos de ser gravemente machucados ou mutilados. Trata também dos nossos desejos e do receio que temos de sermos descobertos e castigados. (Medo da Castração)

1 SERA QUE VAI DOER

Este livro foi elaborado para lidar com o medo que todos temos de sermos machucados. Como no livro anterior, este medo aparece travestido de outras simbologias, como os procedimentos imaginários praticados por médicos e dentistas. Escolhemos lidar com a questão odontológica porque a boca é uma parte do corpo sobre a qual não temos controle do que está sendo feito, pois não vemos o que o dentista está realizando; porque não temos conhecimento para escolher outras alternativas. O instrumental usado também ajuda a criar fantasias. Segundo Melanie Klein, o nascimento do primeiro dente traz consigo muitos significados, entre eles o da agressão (morder passa a ser uma maneira de agredir); e com a agressão, a possibilidade de ameaçar e ser ameaçado. Não queremos dizer que ir ao dentista é ruim, mas que a maioria dos receios que temos, na verdade, vem da nossa imaginação. Optamos por mostrar que certas situações que no consultório parecem assustadoras, em outros casos, são até desejadas, por exemplo, o afastamento dos pais, situação que as crianças buscam quando estão brincando.

A leitura do livro pode ser de grande ajuda para:

  • Perceber o que é verdade e o que é criado por nossa imaginação (por exemplo, o tamanho dos equipamentos odontológicos);
  • Discutir quem pode nos fazer bem e quem pode nos fazer mal (pessoas estranhas x pessoas conhecidas, em quem podemos confiar);
  • Conversar sobre que tipo de coisas as pessoas podem fazer e o que não podem, o que podem exigir, e o que é direito da criança: (por exemplo: quem pode dar banho na criança? Quem pode tirar sua roupa e em que situações? Quem pode mexer em seus órgãos sexuais e quando?) e, dessa forma, prevenir abusos.

Em “Tenho Medo Mas Dou um Jeito”, vemos como lidar com os medos saudáveis, aqueles que nos alertam para os ‘perigos da vida’, e por isso mesmo sinalizam novas maneiras de lidar com essas situações. (Medos que nos protegem)

1 TENHO MEDO MAS DOU UM JEITO

Este livro foi feito para discutir por que existe o sentimento de medo: ele existe para nos proteger, portanto é uma emoção necessária. Mas só ter medo não resolve; é preciso saber lidar com o medo, respeitá-lo e achar uma saída para ele. Ter medo de ser atropelado é importante para conseguirmos chegar ao outro lado da rua sãos e salvos. Ter medo de se cortar ajuda a ter cuidado e a lidar corretamente com instrumentos que podem nos machucar.

A leitura do livro pode ser de grande ajuda para:

  • Discutir os perigos que temos à nossa volta e como lidar com eles;
  • Discutir outros perigos que não estão listados no livro e pensar como podemos contorná-los;
  • Conversar sobre a importância do medo para nossa sobrevivência e o respeito pelas emoções que temos;
  • Falar sobre as muitas maneiras que temos para lidar com as dificuldades que a vida nos traz.

Fonte: Encarte elaborado por Dora Lorch, com ilustrações de Walter Ono. Disponível neste link!

Onde encontrar os livros da Série “Os Medos que eu Tenho”?

No site da Editora Salamandra você encontra os livros da série. É possível encontrar também nas principais livrarias do país.

 


 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

 

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