Adolescentes e Comportamento nas Redes Sociais


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Recebi por e-mail essa ótima sugestão de tema para tratar no blog, que sempre chega até mim em diferentes momentos, em forma de dúvidas: como lidar com a influência das redes sociais no comportamento dos adolescentes?

Estas dúvidas vem acompanhadas de algumas preocupações distintas, então, gostaria de abordar cada uma delas de forma reflexiva.

Segurança e exposição nas Redes Sociais:

Hoje o diálogo com os filhos sobre o uso da internet não é feito mais da mesma forma como há alguns anos, quando os pais não faziam muita ideia daquilo que os filhos estavam fazendo, não sabiam utilizar muito bem o computador. Agora, pais de adolescentes também utilizam as redes sociais, assim como seus filhos. Por um lado, isso é ótimo, já que significa uma proximidade maior com “o mundo tecnológico” do adolescente e assim os pais conseguem observar um pouco melhor a utilização que os filhos tem feito das redes. Por outro lado, porém, é preciso que os pais estejam bem informados acerca dos riscos aos quais eles mesmos e também seus filhos podem estar expostos. Como já dito, muitos pais utilizam de forma frequente as redes sociais, tanto quanto os adolescentes e, sem conhecer ao certo determinados perigos, expõem fotos, vídeos, informações e outros dados que podem prejudicar a segurança pessoal e familiar. Hábito este que pode ser copiado pelos filhos. Por isso o diálogo deve ser precedido de muita informação e também, claro, do exemplo. A exposição nestas redes sociais tem se tornado tão natural que muitas vezes não levamos mais em conta o cuidado que precisamos ter com nossa intimidade. Muitos jovens tem sofrido nos dias de hoje por conta do excesso de exposição e a dependência das redes – não só jovens, claro, mas adultos também – e este é o ponto. Algumas vezes as pessoas tem consciência deste sofrimento, outras não. Sofrimento este que pode ser gerado pela grande repercussão de algo postado e que fere a sua intimidade ou até mesmo pela falta de repercussão (poucas curtidas, comentários, etc). Isso mesmo! A necessidade de aprovação é uma característica comum na adolescência e no ser humano em geral e as redes sociais tem servido como um meio onde se busca esta aprovação, certas vezes de forma nada saudável. O melhor é dosar este comportamento e ter consciência das proporções que uma simples postagem pode atingir.

Excesso de tempo nas redes sociais:

Da mesma forma como no tópico acima, o exemplo e o diálogo para uma boa utilização das redes sociais é fundamental. Mas é claro que muitos adolescentes (e adultos!!) desperdiçam horas de sua vida checando suas redes, atualizando status, conversando com amigos… Passamos tempo demais colados no computador, no tablet, no celular. Os filhos veem este comportamento nos pais o tempo todo, em todo lugar: em casa, nos passeios, nos restaurantes. Mas aqui entra de novo o cuidado com a dependência e o distanciamento das relações sociais!
O importante é estabelecer limites para tal utilização e a melhor forma de estabelece-lo é em um acordo entre os pais e os filhos. Proibir não é a melhor saída! Até porque, as redes sociais não são somente vilãs! É possível ter acesso a muitas informações instrutivas por meio delas, manter contato com amigos, familiares e, claro, uma ferramenta para se distrair. Mas é possível e é saudável também que o adolescente consiga encontrar prazer em outras atividades que não estejam relacionadas com o computador e a internet, então, uma ótima dica é estimular a realização de esportes, hobbies, artes, leitura e afins (algo que realmente seja prazeroso para ele), assim, dosar o tempo entre o computador ou celular e outras atividades será algo muito mais natural. O dever também é importante, por isso é válido estabelecer um limite neste sentido, para que as responsabilidades com os estudos, por exemplo, não sejam deixadas de lado por conta das redes sociais.
Agora, se houver uma dificuldade acentuada em encontrar prazer em outras atividades e de se relacionar com outras pessoas que não seja por meio da internet, se excluindo da vida social, é importante buscar orientação de um psicólogo.

Comportamento do adolescente nas redes:

É preciso orientar que, diferente do que se pensou durante muito tempo, a internet é um ambiente onde regras e leis precisam ser seguidas, bem como adotar um comportamento ético e respeitoso, assim como em outros locais na sociedade. A orientação de respeitar os outros não se restringe apenas à utilização de redes sociais, assim como já citado, deve estar presente nos diálogos entre pais e filhos e também, novamente, no exemplo. É natural que na fase da adolescência haja uma busca pela própria identidade, uma tendência de participar de determinados grupos de amigos, estabelecendo gostos, afinidades, opiniões, necessidade de reconhecimento e de aprovação. Mas também é uma fase onde há a necessidade de um modelo firme, de um referencial de comportamento a ser seguido. O adolescente, provavelmente, irá reproduzir muito de seu comportamento também na rede social, mas é muito importante provocar a discussão sobre o impacto de um comentário feito, a repercussão que pode ter uma opinião emitida de forma equivocada, dentre tantas formas de se manifestar neste meio. A fiscalização exagerada sobre o adolescente também não é indicada, pois é necessário que ele tenha autonomia para que aprenda a tomar as melhores atitudes mesmo quando estiver sozinho, para que ele não sinta a sua privacidade invadida e possa amadurecer.

Ainda, estimular o pensamento crítico nesta fase é fundamental, ajudando o adolescente a não se deixar influenciar pela atitude dos amigos ou de determinados grupos na internet e aprenda a fazer boas escolhas.

Um comportamento ético e responsável, portanto, vai muito além das redes sociais. É importantíssimo que seja criada entre pais e filhos uma relação de confiança e de coerência, onde o adolescente consiga conversar com liberdade e não sentir a necessidade de omitir comportamentos.

É importante lembrar que um psicólogo pode ajudar bastante em casos onde há dificuldade em lidar com estas questões, quando há o sofrimento relacionado às redes sociais e internet, dificuldade no relacionamento entre os pais e os filhos adolescentes, difícil adaptação do adolescente (ou adulto) à vida em sociedade e outras questões relacionadas.
Se tiver outras dúvidas sobre este assunto, deixe um comentário ou envie um e-mail na opção “Fale Conosco”.


 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556



*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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