Separação: como falar com os filhos


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

“Como conversar com uma criança acerca da separação de seus pais?” Esta é uma dúvida bem frequente recebida por aqui e leva muitas famílias a buscarem apoio psicológico.

De fato, a separação dos pais é um momento que normalmente vem acompanhado de muitas mudanças na vida da família e, consequentemente, da criança.
Embora hoje seja mais fácil falar sobre o assunto com as crianças – já que provavelmente elas convivem na escola ou outros ambientes com coleguinhas que tem seus pais separados ou tem conhecimento de casos parecidos – é importante sim dedicar uma atenção especial aos filhos quando se toma esta decisão.

A separação dos pais sempre será traumática ou sinônimo de sofrimento para as crianças?

Claro que não! Um dos motivos que fazem com que a separação seja aceita de forma mais tranquila hoje pelos filhos é justamente o fato de não ser mais algo tão incomum e de elas terem conhecimento de outros casos onde a separação dos pais não gerou tanto sofrimento. Outro aspecto é que quando as crianças já estão em um ambiente familiar conturbado, com muitas brigas e convivência ruim, elas podem compreender a separação como uma mudança para melhor, para sair daquela situação atual de estresse. Mas é claro que esta preocupação dos pais com a aceitação dos filhos é algo legítimo e deve realmente ser uma prioridade na decisão do divórcio o bem-estar físico e psicológico das crianças. O diálogo com elas e o comportamento dos pais neste momento fazem toda a diferença.

Como conversar então com as crianças sobre a separação de seus pais?

O principal cuidado que se deve ter é para que a criança não se sinta responsável ou acredite que tenha alguma influência sobre a decisão dos pais de se separarem. Um dos sentimentos mais comuns e que causam sofrimento na criança neste momento é a culpa. É fundamental explicar e reforçar sempre que preciso para a criança que esta decisão foi tomada pelos pais e que ela não tem nada a ver com o que aconteceu. Falar também que, apesar da separação do casal, a criança é muito amada pelos dois e que isso não irá mudar. Utilizar tom de voz tranquilo e expressão igualmente calma e natural ao falar com a criança, sem dramatizar ou transmitir preocupação.

Um dos erros comuns dos pais neste momento é envolver a criança de alguma forma nas brigas ou no processo de separação, falando mal do outro ou buscando o apoio da criança, como se esperasse que ela “prefira” um dos dois ou tome partido da situação. Vemos muitos casos onde isto ocorre, gerando um sofrimento muito grande na criança (Alienação Parental – vamos falar mais deste tema em breve). Não é necessário explicar para a criança todos os detalhes que levaram o casal a se separar (especialmente se ela for muito nova), pois é fundamental preservar o seu papel de filho e não fazer com que carregue consigo uma carga emocional e uma responsabilidade que não pertence a ela.

Na verdade, mais importante do que comunicar à criança sobre a separação, será o comportamento dos pais com os filhos neste momento e também ao lidar com as mudanças desta nova etapa e isso mais ainda se ela for pequena demais para compreender o que está acontecendo ou entender um diálogo. Manter o afeto e a presença de ambos na vida da criança, ainda que a dinâmica de convivência tenha sido alterada é extremamente importante, além de ter atenção às suas mudanças de comportamento. Ela precisa sentir que a mudança não a afetou negativamente.

A maneira como os pais irão lidar com este processo e sua posterior fase de adaptação são a chave para que as crianças aceitem com maior tranquilidade esta transição (e isso também vale para os adolescentes).

Os pais devem evitar ao máximo que a criança presencie brigas, comportamento este que pode leva-la a se sentir culpada, triste, ansiosa, entre outros. Não devem usar a criança como “mensageira”, levando recados de um lado ao outro, os adultos devem conversar entre si sobre suas próprias questões. Também não devem tentar “comprar” a criança com presentes e privilégios, objetivando que a criança prefira passar mais tempo com um dos pais. Quanto mais clareza e honestidade houver com a criança, melhor será a sua reação frente à separação e seu desenvolvimento emocional será beneficiado.

Quando buscar apoio psicológico?

O apoio psicológico no momento do divórcio é de grande valia, tanto para o casal, quanto para a família, considerando filhos pequenos e adolescentes. Certamente será um auxílio para lidar melhor com esta decisão e seus efeitos e os pais podem buscar a orientação de um psicólogo para encontrar a melhor forma de conversar com seus filhos sobre o assunto.

Em alguns casos especificamente, mesmo com grande esforço, não se consegue lidar facilmente com os desdobramentos desta situação: seja porque os filhos não aceitam, porque o divórcio talvez não seja um desejo de ambos, porque a separação seja conturbada, seja pela impossibilidade de convivência da criança com um dos pais, entre outros fatores. Nestes casos então, é fundamental o apoio psicológico.

Como já foi dito, é importante também ter muita atenção ao comportamento das crianças. Mudanças como falta de apetite, tristeza, queda no desempenho escolar, isolamento, agressividade e afins merecem cuidado e auxílio psicológico.

Na dúvida, converse sempre com um psicólogo.

Leia também: [Dica de Leitura] “Quando os pais se separam”


 


 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

 

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