Entenda a Síndrome do Esgotamento Profissional (ou Burnout)


Por: Ane Caroline Janiro

A “Síndrome de Burnout” ou “Síndrome do Esgotamento Profissional” é um transtorno mental associado especificamente aos elementos estressores  relacionados ao trabalho.

Inicialmente, esta Síndrome teve sua descrição em pessoas cujas profissões envolviam o “cuidar” ou a relação intensa com outras pessoas, como é o caso de médicos, enfermeiros e profissionais da saúde em geral, também professores. Recentemente, porém, outras áreas de atuação vem apresentando casos de Esgotamento Profissional e estão associados à possibilidade de ocorrência da Síndrome. Inclusive, já existem casos mais recentes descritos onde pessoas dedicadas ao cuidado de familiares afetados por doenças que prejudicam a mobilidade e autonomia manifestaram também a Síndrome de Burnout.

A exposição crônica de uma pessoa a fatores então estressantes em seu trabalho, de maneira emocional e interpessoal, seria o ponto de partida para o desenvolvimento desta Síndrome, onde existe uma sensação constante de exaustão, falta de esperança naquilo que se faz, não vendo mais recompensas pessoais pelo seu trabalho e despersonalização.

Transtornos associados:

A Síndrome de Burnout pode ser um fator de risco para o desenvolvimento de outros tipos de transtornos, como alcoolismo e abuso de outras substâncias psicoativas, ideações suicidas, doenças cardiovasculares, depressão e outros.

Como identificar os sinais da Síndrome de Burnout?

É preciso ficar atento ao diferenciar um episódio de estresse ou um problema isolado no trabalho de um esgotamento profissional. Ou mesmo com a depressão, por exemplo, onde o sentimento de culpa é uma das características predominantes, enquanto que na Síndrome de Burnout, a irritabilidade e a raiva são predominantes.

Algumas pessoas, entretanto, apresentam maiores chances de desenvolver a Síndrome. Além dos profissionais da áreas de atuação já citadas acima e da constante exposição aos fatores estressantes, outros fatores merecem também atenção, como os famosos “workaholics” – expressão que identifica os indivíduos “viciados em trabalho”, que não conseguem se desligar dele, sentem a necessidade de fazer cada vez mais e fazer tudo sozinhos, sentem-se muitas vezes culpados pelos momentos de descanso e por passarem alguns momentos sem serem “produtivos”, negligenciando os cuidados pessoais, a vida social e a saúde.

Tudo isso pode desencadear o Esgotamento e é possível identificar alguns sintomas comuns às pessoas afetadas por ele, como:

  • Mudanças repentinas de comportamento;
  • Isolamento social;
  • Depressão;
  • Sensação de vazio interior;
  • Fadiga;
  • Diminuição no interesse em realizar atividades que antes eram prazerosas;
  • Aumento ou diminuição significativas do sono;
  • Aumento ou diminuição significativas do apetite;
  • Ansiedade;
  • Tremores, taquicardia;
  • Dores de cabeça;
  • Problemas digestivos, entre outros.

É claro que a Síndrome de Burnout pode se apresentar com alguns sintomas distintos dos apresentados acima, que na verdade são os mais comuns, o que não significa necessariamente que o paciente apresentará todos eles.

Além disso, para o diagnóstico, é necessária a verificação da presença de três grupos de sintomas, são eles:

  • Exaustão emocional (esgotamento e a sensação de que nada mais irá resolver sua situação atual, o que resulta em irritabilidade, desesperança, atitudes pessimistas e sentimento de incapacidade);
  • Despersonalização (caracteriza-se pela indiferença diante do sofrimento alheio, diminuição da capacidade de empatia, de se solidarizar com o outro);
  • Diminuição da Realização Pessoal (o indivíduo subestima sua capacidade de desempenhar funções, apresentam insatisfação e/ou infelicidade com os resultados obtidos a partir de seu trabalho).

Outras características comuns às pessoas que apresentam a Síndrome de Burnout são os reflexos no próprio ambiente de trabalho, como a queda no desempenho de suas tarefas, distanciamento de colegas de trabalho, clientes e outros, atrasos ou ausências constantes do local de trabalho, maior risco de sofrer acidentes de trabalho, baixa energia.

Após o diagnóstico, como é o tratamento?

Normalmente o tratamento para a recuperação do indivíduo envolve a psicoterapia e, quando necessário, o uso de medicamentos específicos. Em alguns casos, é necessário afastamento temporário das funções de trabalho.

Existe a necessidade de um trabalho mais profundo com as empresas e instituições, visando o bem estar emocional dos funcionários o que, consequentemente, irá colaborar para o melhor desemprenho da empresa como um todo, diminuição da rotatividade dos colaboradores, menor ocorrência de faltas e atrasos e maior comprometimento das equipes.

Referência: Associação Brasileira de Psiquiatria (http://www.abpcomunidade.org.br/site/)  


 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556



*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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