Quando as expectativas atrapalham a relação


Por:  Psicóloga Ane Caroline Janiro

Há alguns dias recebei a seguinte dúvida de uma leitora: “O que podemos fazer para reduzir as expectativas em relação ao outro e evitar frustrações e sofrimento, sobretudo no relacionamento conjugal? ”.

Criar expectativas sobre algo ou alguém não é necessariamente ruim. Todos nós criamos expectativas praticamente o tempo todo: no trabalho, no namoro, no casamento, ao planejar e esperar uma viagem, ao desejar conquistar um objetivo. É importante que nós consigamos idealizar, sonhar e desejar o melhor sempre, assim, estaremos sempre em movimento e em crescimento nos diferentes setores de nossa vida.

O problema começa quando essas expectativas se tornam excessivas e incompatíveis com nossa realidade. E como podemos identificar se estamos criando expectativas em excesso? Quando isso nos traz sofrimento, quando há constantes frustrações em decorrência de esperarmos por algo que não se concretiza.

Na relação amorosa especificamente, estas frustrações podem afetar bastante a convivência, levando a constantes desentendimentos e desgastes.
Um erro muito comum é iniciar uma relação já imaginando que o outro irá suprir todas as nossas necessidades e depositando nele a responsabilidade pela nossa felicidade. Passa-se a esperar que o outro faça de tudo para atender aos nossos anseios e idealiza-se o namoro ou o casamento como algo capaz de fazer alguém plenamente feliz, assim como as relações amorosas que vemos nos filmes (ideal de relacionamento que precisa ser desconstruído por muitos).

Bem, mas na prática, como podemos aprender a diminuir as expectativas em relação ao outro e possibilitar que a relação se torne mais saudável?

Alguns pontos devem ser questionados na comunicação do casal, como:

  • Será que aquilo que espero do outro não está acima das capacidades dele, ou não é algo que está em desacordo com sua personalidade?
  • Será que o outro sabe aquilo que desejo? Ou seja, será que a minha comunicação tem sido clara em relação àquilo que eu espero ou que eu quero?

É importante que ambos tenham claros os desejos e necessidades do outro, evitando uma comunicação jocosa – com meias palavras – onde se espera que o outro simplesmente adivinhe o que estou pensando ou desejando. É possível evitar muitos problemas na relação apenas se comunicando com clareza, dizendo o que deseja ou o que espera. Estar pronto para ouvir e acolher as necessidades do outro também é importante para que este hábito da comunicação seja estimulado cada vez mais.

Em relação às capacidades ou personalidade do outro, poderíamos citar muitas situações onde a comunicação mesmo poderia ajudar bastante. Por exemplo, se um dos parceiros sabe que o outro tem dificuldades para se lembrar de datas comemorativas, o primeiro não precisa se sentir ofendido com isso, pois trata-se de uma dificuldade dele e, ao invés de esperar que ele se recorde sozinho da data (o que certamente fará com que haja frustração), um pode simplesmente comunicar ao outro sobre o dia que se aproxima e mesmo deixar claro que gostaria de alguma comemoração, presente, etc. “Testar” o nível de amor do parceiro criando situações nas quais é claro que haverá frustração, não é nem um pouco saudável e colabora bastante para o desgaste do relacionamento.

Comunicar o que está sentindo ou esperando é um hábito que deve existir sempre e essa comunicação precisa ser clara. Por exemplo, ao invés de dizer ao outro: “Estou com tantas saudades dos meus pais” esperando que ele sugira uma visita aos sogros, correndo o risco de a mensagem não ser compreendida e gerar frustração, é mais assertivo dizer: “Eu gostaria muito de visitar meus pais no fim de semana, estou com saudades deles, o que você acha? ”. Claro que essa comunicação deve respeitar também os limites do outro e não apenas as nossas vontades.

Portanto, comunicação é imprescindível. O outro sabe claramente o quanto você gosta de ir ao cinema? Sabe claramente que você gosta de surpresas em datas comemorativas?

Outro aspecto é que não é necessário, como já foi dito, depositar no outro a responsabilidade por todos os nossos desejos. Precisamos valorizar as nossas próprias conquistas e saber da nossa parcela de responsabilidade sobre a própria felicidade, tendo em mente que muito daquilo que espero que o outro me faça, eu mesmo poderia fazer por mim, tornando assim a relação mais leve e livre de cobranças em excesso.

É claro que existe aí uma linha que divide “o fato de não esperar que o outro seja responsável pela minha felicidade” do “aceitar qualquer coisa apenas para manter a relação, se conformando com situações de sofrimento, rejeição, etc.”. Muito pelo fato de algumas pessoas acreditarem que o casamento é sua única chance de serem felizes, é que elas se anulam e passam a aceitar situações extremamente dolorosas e de dependência emocional.

Como é possível encontrar o equilíbrio então? Conhecendo a si mesmo (a). Ao aperfeiçoar o seu autoconhecimento e compreendendo bem a dinâmica de suas relações é possível viver de forma saudável e transferir isso para os seus relacionamentos. Para algumas pessoas isso pode não ser uma tarefa simples de se realizar sem ajuda.

Sempre é tempo de buscar apoio, aprendendo a se relacionar melhor e a se conhecer mais. Se você identificar que este é o caminho, busque o auxílio da psicoterapia!


 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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8 opiniões sobre “Quando as expectativas atrapalham a relação”

  1. Excelente exposição!!! “Como é possível encontrar o equilíbrio então? Conhecendo a si mesmo(a)”: gostaria de ter descoberto isso há uns anos atrás, com certeza teria evitado muitas frustrações e sofrimento, sobretudo nos relacionamentos no geral. Em um momento de desespero procurei ajuda na psicoterapia e tenho certeza que foi um dos melhores investimentos que fiz em mim mesma! E agora acompanhando seu trabalho em paralelo com a terapia, os esforços vão se convergindo para um auto conhecimento ainda mais profundo, aliviando a mim mesma e deixando os relacionamentos mais leves e com menos cobranças!!! Tenho a impressão de quanto mais nos conhecemos, mais melhoramos nossa percepção e compreensão sobre o outro, o que contribui para relacionamentos mais saudáveis… Mais uma vez, parabéns pelo trabalho!!! Abraços

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    1. Olá Nayara, que bom!! Fico muito feliz com seu comentário!! Ótimo saber que o blog, em conjunto com o processo de psicoterapia, tem lhe ajudado significativamente! Espero que as publicações continuem sendo úteis e que você continue acompanhando sempre o Psicologia Acessível! Desejo também muito sucesso em seu processo de autoconhecimento em psicoterapia. Afetuoso abraço!!

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