Encontros e Desencontros: A complexidade de uma vida a dois


Por: Psicóloga Niliane Brito

Gostaria que fosse menos complexo viver a dois, que existissem fórmulas e resoluções simples para tratar os casais. A principal complexidade de uma vida a dois é a ideia de unidade de um lado, e a de diversidade do outro, que no começo, se repelem ou se excluem. Nossa tendência é negar ou excluir o alheio pela ameaça e desestruturação do vínculo e do próprio sujeito.

Alguns casais mesmo vivendo a dois, anulam sua vida de tal forma que vivem só a vida do outro, isso pode acontecer tanto por parte da parceira quanto por parte do parceiro. Ao anular sua vida, a pessoa acaba anulando a sua individualidade, a sua própria identidade. Eles acabam sendo um só. O que é muito perigoso, pois muita presença acaba sufocando, e não suportando isso acaba que um dos lados tende a abrir mão e a querer se separar.

Hoje, mais do que nunca, a relação a dois é uma relação conjunta, é a aceitação da incerteza do outro, da disparidade, é você saber lidar com a diferença do outro, com suas manias e imperfeições.Sempre falo que no primeiro momento, o momento da paixão, ficamos cegos diante dessas diferenças e defeitos, e só enxergamos o amor idealizado, aquele em que só notamos o que nos agrada, todo o resto é recalcado, até que chega um ponto em que tudo do outro parceiro vem a tona, e em muitos casos isso não é suportável, gerando decepções e mais uma vez a separação.

Spivacow e Brengio (1997, p. 22) afirmam que o funcionamento do casal é regido por dois princípios: o de permanência e o de mudança, que estão em constante equilíbrio. O conflito conjugal vai fazer parte da vida do casal, este conflito diz respeito a luta entre os dois polos da relação.

“Essa ideia de que o conflito sempre esteve ali porque é absolutamente necessário é perturbadora, sinistro, porque perturba nossa ideia do que seria uma boa relação.” (Wingley, 1996, p. 156).

Os casais que atendi reclamavam que não existia mais amor entre eles, mas o que não existia de fato era o respeito à individualidade e espaço do outro, ambos estando simbióticos em um só, o que gera muita tensão, já que para cada um é necessário ter sua própria parte, para que haja harmonia e equilíbrio entre as duas partes em conjunto.

Amar é difícil, se relacionar é difícil, mas para que isso dê certo e se construa algo realmente sólido, é importante conviver e vi-ver com as particularidades de cada um, e o que sempre falo a todos os casais que atendo é sobre a importância de estabelecer confiança e diálogo, pois falando sobre o que não está bom, pode-se chegar ao equilíbrio mais rapidamente.

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Niliane Brito – Psicóloga
CRP-03/IP12433
Bacharelado e Lincenciatura em Psicologia; Formação em Psicanálise pela Escola Brasileira de Psicanálise; curso de aprimoramento em psicologia clínica infantil pela Viva Infância.
Psicóloga clínica nas Clínicas Holos e Florescer Espaço Terapêutico, Salvador – Bahia. Atendimento privado e por convênio a jovens, adultos e casais com enfoque na Psicanálise. Saiba mais neste link.


 

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Sobre a autora deste blog:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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