Patologias: Um Primeiro Olhar.


Por: Psicóloga Agnes Trama

Quando pensamos em patologias, pensamos em doenças ocasionadas em situações onde algo deu errado. Porém, especialmente na perinatalidade, não é necessário que haja uma crise para que surja uma patologia pois a própria perinatalidade, e cada fase que a compõe, já caracterizam crises por si só.

Por conta de elaborações sobre desejos – conscientes ou inconscientes, escolhas, lutos e responsabilidades, mulheres e homens comumente passam por essas crises acompanhados de sintomas. A preocupação do aparecimento de sintomas, nesse período, é a sua intensidade. Por tantas mobilizações, muitas vezes esses acabam por ser incapacitantes, o que impedem pai e mãe de seguirem e inclusive, se reorganizarem.

Os sintomas são figura presente na gestação – numa gestação saudável, podemos esclarecer. Apesar de nossa crença de que sintomas são sinais de doença, nesse caso, ele vem como caminho para a saúde psíquica. Num momento de tantas mobilizações e confusões, o sintoma vem convocar a mulher a elaborações e, por isso, se torna um aliado. Ao contrário, foi observado que, a gravidez, quando sem sintomas, torna a mulher uma forte candidata a uma Depressão Pós Parto.

No puerpério, temos o já esperado Baby Blues; ele se faz necessário tanto para a criação do vínculo desse novo par mãe-bebê, quanto para a (re)organização da mulher no período, visto que pede um ensimesmamento (um “voltar para si mesma”) dela com seu bebê, além de elaborações relativas ao luto de sua vida anterior.

No campo da patologia, a Psicose Puerperal supõe uma já comprometida condição psíquica anterior e envolve um estado confusional, além de surtos. Como nas Psicoses, apresenta delírios e alucinações e uma dificuldade em investir a libido no outro, o que a impede de se vincular. Aqui, o cuidado deve ser intenso e imediato. Atualmente, não é frequente.

Já a Depressão Pós-parto, vem aumentando cada vez mais sua incidência. Sua característica é a presença de pensamentos relacionados a causar danos ao bebê, juntamente com componentes ansiosos. É importante lembrar que, muitas vezes, a mulher está deprimida já na gestação e, se reconhecido, já pode começar a ser cuidada antes mesmo do parto. Daí a importância de a rede estar bem informada, sobre a gestação e sobre essa mãe – por estarem na convivência com ela, são eles que poderão fazer comparações nos diferentes momentos.

O grande risco da DPP hoje, penso que seja o pré-conceito – com hífen mesmo. Vemos frequentemente mães sendo rotuladas com a doença, ao mínimo sinal de insatisfação com a maternidade ou ao não corresponder à felicidade fantasiada (e também rotulada) que ‘deveriam’ apresentar. Assim, quando algumas mulheres saem desse padrão estabelecido há anos, entram na caixinha de “puérperas depressivas”. Vamos lembrar, se a maternidade é difícil, o puerpério é uma avalanche! Vamos reconhecer, dar espaço a essas mulheres e falar sobre ele.

Assim como os bebês, as mães também precisam de um olhar de narcisisação, valorização e investimento. Por estarem num momento de reorganização e elaboração de perdas, demandam um olhar cauteloso, ou simplesmente, um olhar. Por que perdas? A

perda de uma situação anterior, de um corpo diferente, de uma situação familiar, de um bebê dentro da barriga para um bebê fora dela…. É uma lista grande e subjetiva.

O trabalho psíquico que acontece nesse período é dispendioso, além do próprio trabalho de um puerpério. A sensação de desamparo é recorrente e, por isso, essas mães precisam saber e perceber que podem falhar, porque, numa situação ideal, não estarão sozinhas.

Os personagens de uma cena perinatal estão à flor da pele, vulneráveis, expostos e inseguros. Demandam, assim, atenção e presença de uma rede fiel, que possa acolher e assumir tarefas, em situações graves. Ainda assim, com dificuldades concretas e psíquicas, com ou sem sintomas, são pessoas capazes, que devem ser valorizadas e reconhecidas como tais.


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Agnes Trama

Psicóloga (CRP 06/118164)
Especialização em Psicologia Perinatal (em formação)
Contato pelo e-mail:
agnestrama@uol.com.br
Facebook: /agnestramapsicologa
Instagram: @agnes.psicologa



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