Psicologia e Transtornos Psicologia explica Psicossomática

Fibromialgia, a ‘dor invisível’ e seus aspectos psicológicos

Uma dor intensa e incapacitante que não deixa 'marcas' físicas. Isso faz com que a fibromialgia e seus sintomas ainda sejam pouco compreendidos pela maioria das pessoas.

Por: Ane Caroline Janiro

O termo ‘fibromialgia’ refere-se a um quadro de dor generalizada e crônica e é considerada como uma síndrome, já que engloba diferentes manifestações clínicas que a caracterizam, por exemplo: dor intensa, fadiga, distúrbios do sono, indisposição.

Em 1992, a Organização Mundial da Saúde (OMS) a reconheceu como doença e dados mostram que ela ocorre com maior frequência em mulheres, sendo 80% dos casos diagnosticados. A frequência na população geral é de 1 a 5%.

O diagnóstico, entretanto, é bem complexo, já que não existem exames específicos que “detectem” a fibromialgia, sendo necessária uma investigação clínica aprofundada por profissionais experientes e atualizados no assunto. Isso porque, apesar de hoje ser compreendida como uma forma de reumatismo (envolvendo músculos, tendões e ligamentos), a doença não deixa “marcas”, isso é, não causa qualquer tipo de deformidade, sequela ou alteração na estrutura física.

A origem desta condição ainda é desconhecida e cada vez mais profissionais da área tem se dedicado a estuda-la e a encontrar respostas que auxiliem no tratamento. As questões emocionais e sociais, por exemplo, são fatores amplamente associados à ocorrência da fibromialgia, porém, ainda é incerto afirmar que ela é causada por intercorrências psicossociais ou se o que acontece é justamente o oposto: que a dimensão emocional é uma consequência do sofrimento causado pela dor e outras questões, como a incompreensão familiar e social frente aos sintomas. Entretanto, ainda não existe uma evidência científica que relacione a fibromialgia com outras condições psicológicas ou psiquiátricas.

Observações em pacientes, porém, demonstram que a ocorrência de estresse ou ansiedade podem agravar as crises e a sensação de dor por conta de uma sobrecarga na estimulação.

Voltando à questão social e familiar, a incompreensão é um elemento que dificulta não só a condição do paciente, mas também a sua forma de lidar com ela. A dor intensa muitas vezes incapacita o indivíduo de realizar atividades cotidianas como trabalhar e mesmo as mais prazerosas – que envolvem o lazer. Como consequência podem ocorrer quadros de ansiedade, depressão, isolamento, entre outros, agravados pelo pouco acolhimento das pessoas próximas, já que não conseguem visualizar as causas da dor e demais sintomas.

Não há um tratamento específico para a fibromialgia, mas sim um controle de seus sintomas e de suas crises. Uma das formas controle é então o acompanhamento psicológico, fundamental nesta doença, pois irá auxiliar o paciente a encontrar estratégias de enfretamento dos sintomas e das consequências sociais e emocionais. Caso haja a ocorrência de outros transtornos psicológicos devidamente diagnosticados, pode ser necessária a intervenção medicamentosa para esses quadros específicos.

Atividades físicas orientadas pelos profissionais de saúde também são de extrema importância, pois, além de auxiliarem no controle dos níveis de estresse e ansiedade, contribuem para o relaxamento das áreas afetadas pela dor, melhoram o condicionamento físico, cardiovascular, o alongamento, entre outros benefícios.

O tratamento medicamentoso orientado pelo médico engloba normalmente antiinflamatórios, que amenizam a dor e inflamação, mas são associados a outros medicamentos para que seu efeito seja mais assertivo.

Referências:
Fibromialgia
A Mente é Maravilhosa

Imagem: Medscape


Gostou deste conteúdo? Compartilhe nas redes sociais!
Cadastre-se também na opção à sua direita “Seguir Psicologia Acessível” e receba os posts em seu e-mail!


12009753_1145254608837345_2914420128489159683_n


Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

 

10 comentários

  1. Muito legal o texto. Eu acompanho vários pacientes com fibromialgia na minha clínica, o ponto comum entre todos que tenho observado é o fato de terem carregado peso demasiado na infância, coisa que aguça minha curiosidade, além de outros fatores psicológicos óbvios. Mas não sei se esta questão está circunscrita à região que trabalho (interior de minas gerais) ou se estende à outros lugares.

    Curtir

  2. Pensei que seu texto a respeito do termo Fibromialgia, ou seja, dores invisíveis nas algumas partes do corpo, é de suma relevância para os médicos, mas é provavelmente que estes precisem participar de seminários na área de psicologia, em relação às partes de corpo ou à alma, porque eles devem saber como descobrir a dor invisível (corporal ou de alma) para solucionar isso. Obrigado por ler seu texto.

    Curtir

  3. Sofro ha anos dessa doença e em consequencia dela.artrite psoridica,atrose,depressao e insonia e so quem tem sabe o qto e horrivel vc se sentir presa a uma doença autoimune e saber que amedicina trata como pode pra amenizar as dores mas saber tbm que estao totalmente as cegas com a doença,na vdd somos cobaias e a medicaçao alem de muito forte e pesada é cara e pouco eficas.palavra de quem rodou 6 anos de medico em medico ate descobrir q tinha uma doença pouco conhecida.

    Curtir

  4. Tenho muitas dores articulares, desde pequena sem nunca saber o motivo, depois que fiz o tratamento com roacutan elas pioraram, me sin
    to tão infeliz por que não consigo ter uma vida normal, sinto muita dor durante a noite, não consigo limpar minha casa, tem dias que choro, pois como pode um ser humano sentir tanta dor, fora que posição nenhuma sentada em pé ou deitada fico confortável, andei caminhando e me sentindo bem, mas comecei a inchar os tornozelos, será que posso ter essa doença?

    Curtir

Deixe um comentário (seu e-mail não será publicado)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s