A dor do trauma


Por: Juliana Lima Faustino

Em nossos dias é fácil encontrar alguém que compartilhe um evento que tenha sido difícil de enfrentar, não é mesmo? Afinal, os maus momentos fazem parte da vida e eles não escolhem dia e nem hora para acontecer. Vivemos em mundo cada vez mais dominado por situações difíceis de tolerar, passamos nossos dias sob ameaças de todos os tipos, assaltos, diferentes formas de violência, morte, terrorismo, guerra, doenças, e por aí vai. E quem já foi vítima de uma dessas ameaças sabe bem o que é revivê-las através de lembranças que não se apagam. A marca da dor, em alguns casos, permanece pela vida toda. Algumas pessoas passaram por traumas logo cedo na vida, tiveram sua infância marcada por abusos, violências, abandono e rejeição e carregaram as conseqüências durante muitos anos.

Um trauma ocorre quando uma pessoa passou por um evento em que se sentiu extremamente ameaçada e, desde então, ela passa a sofrer com as lembranças e o medo de que o evento ocorra novamente. É normal que ao sofrer um trauma qualquer pessoa leve algum tempo para se recuperar e colocar novamente a vida nos eixos, embora não seja possível esquecer o evento, ele já não aprisiona a pessoa no medo incontrolável de revivê-lo. Por outro lado, algumas pessoas não conseguem romper com o medo e a dor que as lembranças provocam e revivem dia a após dia o acontecimento, tendo suas vidas girando em torno do medo.

Quando o trauma persiste por um longo período de tempo e a vida já não prossegue como antes do acontecimento, pode ser que a vítima esteja sofrendo de estresse pós-traumático, um transtorno em que a pessoa apresenta recordações aflitivas do evento e que podem ocorrer de forma intrusiva e recorrente. Essas recordações podem aparecer em sonhos, pensamentos e imagens. As recordações passam então a influenciar o comportamento e os sentimentos, como se a pessoa estivesse vivendo novamente o evento. Qualquer indício que simbolize o ocorrido pode ser suficiente para desencadear um forte sofrimento psicológico. Além disso, a vítima pode passar a evitar tudo que remeta ao fato, sejam lembranças, lugares, pessoas ou atividades. Podem ainda ocorrer sintomas de ansiedade, irritabilidade e hipervigilância.

Quanto maior a gravidade do evento, mais chances a vítima tem de desenvolver o transtorno do estresse pós-traumático. Algumas pessoas são mais predispostas a desenvolver o transtorno ainda que o episódio traumático não seja de grande gravidade, enquanto outras são capazes de superar rapidamente o trauma e seguir com suas vidas. O desenvolvimento ou não do transtorno depende da capacidade emocional de cada pessoa em lidar com as circunstâncias.

É muito importante que se busque ajuda logo após sofrer o trauma para que as chances de recuperação sejam maiores e para que se evite que problemas como depressão, ansiedade e vícios apareçam dificultando ainda mais a situação. Atualmente o transtorno do estresse pós-traumático, em alguns casos, é tratado com medicamentos que reduzem a ansiedade e a depressão. A psicoterapia cognitvo-comportamental é muito indicada para ajudar na reestruturação de pensamentos e interpretações de situações e na abertura para boas lembranças. A terapia é um espaço onde a vítima pode falar de seus medos, expor seus pensamentos de maneira que se torne cada vez mais fácil enfrentar o problema de frente.

Nunca é fácil passar por esses momentos, sejam eles de quaisquer natureza. Muitas vezes, é difícil se reerguer e juntar as forças para continuar. Mas é importante lembrar que a vida não nos reserva somente bons momentos e nós somos resultado tanto das boas experiências quanto das experiências ruins. Aprender com as dificuldades é um processo muito importante em que podemos descobrir em nós virtudes que antes não sabíamos que existiam, o que dá um valor totalmente novo à existência de qualquer pessoa. Também, quando somos desafiados podemos adquirir um novo significado diante da vida, descobrimos o que valorizamos e somos motivados a conquistar o que realmente importa para nós. É fato que não se pode mudar o passado, mas é possível mudar a forma de olhar para ele, é possível também olhar para a frente e perceber novas possibilidades de recomeçar.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Juliana Lima Faustino
CRP 05/43780

Psicóloga clínica (PUC-Rio 2008), terapeuta cognitivo-comportamental (Cepaf-RJ 2011), Psicóloga na ONG Pra Melhor. Experiência clínica no tratamento de transtornos de ansiedade, estresse, depressão, relacionamentos e transtornos alimentares.
Contatos:
Cel: (21) 98108-1978
E-mail: julianafaustinopsi@gmail.com
Fan Page: www.facebook.com/julianafaustinopsicologa
Blog: Cuidando das Emoções: www.psijulianafaustino.wordpress.com
Instagram: www.instagram.com/psico_juliana



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