A Psicologia do Esporte e as Paralimpíadas


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Falamos recentemente por aqui sobre o papel da Psicologia do Esporte em competições como os Jogos Olímpicos Rio 2016. Agora vamos abordar os ganhos psicológicos e sociais que advém da relação entre deficiência e prática esportiva.

Quando se fala na prática de atividades físicas por pessoas com deficiência, é importante nos lembrarmos das vantagens para a melhora na saúde física e qualidade de vida (assim como ocorre para as pessoas que não tem deficiência), que incluem, por exemplo: ganho de força muscular, melhora na coordenação motora, reabilitação, condicionamento, prevenção de doenças, entre outros. Mas é essencial falarmos também sobre os benefícios “psico-sociais” do esporte neste sentido.

Não somente quanto aos paratletas de alto rendimento, como é o caso dos que participam das Paralimpíadas Rio 2016, mas também aqueles que praticam esportes com regularidade no cotidiano, são muitos os ganhos que podemos citar, como a socialização (conhecer pessoas novas – com e sem deficiência, ter maior motivação para sair de casa – não somente para trabalhar, pertencer a um grupo com os mesmos interesses e atividades), maior autonomia no dia a dia, descoberta de habilidades e capacidades diferentes das quais imaginava desenvolver. Além, é claro, da melhora na autoestima e na autoconfiança, pois a pessoa passa acreditar que pode investir em novas possibilidades e passa se ver sob outro ângulo – o de suas capacidades e não apenas de suas limitações. É dentro do esporte que muitas pessoas encontram um sentido maior para suas vidas e passam a compreender o seu papel social. E isso também é possível para que a sociedade como um todo tenha a oportunidade de conhecer as deficiências sob um aspecto distinto daquele que paira no imaginário de muitos, com uma imagem preconceituosa do deficiente vitimizado ou incapaz. Uma chance para desfazermos estereótipos e entendermos a inclusão como uma necessidade urgente de nossos dias.

Pensando agora no universo das competições, como os Jogos Paralímpicos, o papel da Psicologia é fundamental, pois o paratleta, assim como o atleta convencional, precisa passar por inúmeros momentos de superação para alcançar bons resultados e, para isso, trabalhar a motivação e as emoções como um todo faz parte da preparação esportiva. É preciso enfrentar frustrações, derrotas, pressão e ainda lidar com a superação de si mesmo, mantendo o foco e a competitividade. Para isso, um acompanhamento psicológico de qualidade aliado a uma equipe multiprofissional comprometida, aperfeiçoará cada vez mais o bom desempenho dos paratletas em seu comportamento e postura diante dos jogos. Trabalho este que não é feito apenas durante as competições, mas deve vir de longo período.

É importante compreender que o alto rendimento nos esportes não deve considerar apenas o aspecto biológico, como alimentação e treinamento físico, mas deve englobar também uma boa saúde mental. Um cuidado que proporcione ao atleta desenvolver ao máximo as suas habilidades.

Foto: Comitê Paralímpico Brasileiro 

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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Sobre a autora deste blog:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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