Uma análise da linguagem como fenômeno complexo


Por Psicóloga Graciele de Carvalho

“A espécie humana foi muito além da imitação e modelação com o comportamento verbal ou linguagem. As pessoas não apenas mostram umas às outras o que fazer – elas dizem.” (Skinner, 1987)

Skinner em 1987, colocou nessa pequena citação a importância da linguagem na vida do ser humano. Hoje, neste texto, quero citar além de sua importância a sua complexidade. O ser humano passa por transformações desde a sua concepção até a morte. Até a concretização do bebê se tornar uma criança, haverá várias mudanças (Papalia e Feldman, 2013).

Uma destas mudanças é o desenvolvimento da linguagem, que envolve vários aspectos do desenvolvimento, como 1) a presença de um aparelho fonador; 2) o convívio com uma comunidade de falantes; 3) a influência de aspectos como a emoção, a atenção e memória. Já de início vemos que uma atividade que muitos de nós exerçam tranquilamente, não é tão simples como parece.

Segundo José Pereira da Silva, a linguagem, pode ter as seguintes funções: a) uso afetivo: que é a expressão das emoções; b) uso lúdico: é o momento em que a criança brinca com os sons que ela mesma emite, um exemplo é a repetição de sílabas; c) uso prático: é quando a criança usa a linguagem para facilitar uma ação; d) uso representativo: é o momento em que a criança começa a utilizar a linguagem como forma de representar algo; e) uso dialético: é o uso formal da linguagem. José Pereira da Silva cita ainda que estas funções não irão acontecer ao mesmo tempo, mas irão ampliar-se no decorrer do desenvolvimento. Através de todas estas funções a linguagem se mostra como “uma criação social de cada um e de todos os grupos humanos” (Dalgalarrondo, 2008, p. 232).

Mas, e quando alguns aspectos afetam a aquisição da fala? O apego e a confiança, a emoção, a atenção e a memória, são fatores que estão interligados ao desenvolvimento humano e afetam o desenvolvimento da linguagem. Como o apego da criança com os seus cuidadores, principalmente a mãe, que atuará no desenvolvimento emocional da criança. As emoções, que para Dalgalarrondo (2008, p. 156), “podem ser definidas como reações afetivas agudas, momentâneas, desencadeadas por estímulos significativos. (…), é um estado afetivo intenso”, sendo seu papel principal de comunicação interna. Como por exemplo o medo, pode nos alertar de algum perigo.

Outros aspectos psicológicos que atuam na linguagem são a atenção e memória. A atenção e a memória se desenvolvem melhor a partir da linguagem, pois quando nos comunicamos, fazemos associações de ideias e assim nosso cérebro memoriza melhor (Mousinho, Schimid, Pereira e colaboradores, 2008). Além disso, no processo de conversação, devemos focar nossa atenção na fala do outro, para que possamos processar a conversa e fazer parte dela. Assim como usamos a atenção e a memória para organizar as palavras aprendidas. Neste sentido, memória, atenção e linguagem são processos que se retroalimentam.

Além dos aspectos psicológicos, para que a criança desenvolva a linguagem, ela necessitará do aparelho fonador, que é constituído pelos pulmões, laringe, faringe, cavidade oral e cavidade nasal. A criança então passará por várias fases, como o choro, os murmúrios e balbucio.

E assim, todos estes aspectos apresentados – aparelho fonador; emoção; apego e confiança; memória e atenção – confirmam a linguagem como um fenômeno complexo. Sua complexidade muitas vezes não é percebida pela maioria das pessoas, que não percebem os vários aspectos envolvidos para seu desenvolvimento. E por haver vários elementos ligados em seu processo, a dificuldade na aquisição e/ou desenvolvimento da linguagem está associada à vários transtornos.

Mas este já é outro texto.

Referências:

DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2 ed. Porto Alegre. Editora Artmed, 2008.

PAPALIA, Diane E. e FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano. 12 edição, Porto Alegre/RS. Artmed, 2013.

MOUSINHO, Renata; SCHMID, Evelin; PEREIRA, Juliana e colaboradores. Aquisição e desenvolvimento da linguagem: dificuldades que podem urgir neste percurso. Revista Psicopedagogia, Vol.25. São Paulo, 2008.

SILVA, José Pereira. O desenvolvimento da linguagem. Disponível em <http://www.filologia.org.br/pereira/textos/odesenvolvimento&gt; no dia 23 de maio de 2014.

SKINNER, B.F. (1957/1992). Verbal Behavior.

Psicóloga Graciele de Carvalho:
CRP 04/43980

Formada em Psicologia com ênfase em saúde mental pela Faculdade Pitágoras Betim.
 Formação em diversos cursos na área da infância e neuropsicologia.
Certificada pela APMG International em nível 1 em Gerenciamento de Projetos em Desenvolvimento (PMD-PRO).
Mais de três anos de atuação na área social, atendendo crianças e adolescentes em vulnerabilidade social.
Atendimentos psicoterapêuticos a crianças, adolescentes e adultos em Betim/MG.

Imagem: Pinterest

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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Sobre a autora deste blog:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora e editora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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