Construindo bases sólidas


Por: Juliana Lima Faustino 

Costumo chamar de porto seguro aquelas pessoas ou coisas em que apoiamos nossa vida para nos sentirmos felizes e amparados. Para alguns o porto seguro é um relacionamento de anos, para outros é o trabalho conquistado com muita dedicação e há quem se apoie nos seus bens e dinheiro. A questão é: será que esse tipo de relação, em que colocamos toda segurança, é algo saudável em nossas vidas?

Vamos imaginar a brincadeira da corrida do ovo na colher. Nessa brincadeira os participantes têm que apostar uma corrida equilibrando na boca uma colher com um ovo. O participante que deixa o ovo cair durante a corrida é desclassificado e ganha a corrida o primeiro a chegar ao fim com o ovo intacto na colher. Mas, o que tem isso a ver com nossas relações? No jogo da colher com ovo se estabelece uma relação de dependência entre o participante e o ovo, na qual toda a esperança do participante está no ovo que não pode ser quebrado para que se alcance a vitória, é o mesmo que acontece quando depositamos toda a nossa fonte de prazer em uma única coisa ou pessoa é como se vivêssemos em uma corrida do ovo na colher, tememos que a qualquer momento o nosso “ovo” possa cair e nos tirar da corrida.

Quantas pessoas têm toda sua vida dedicada à carreira e por conta disso deixam de se relacionar com amigos, de estar com a família ou de ter um tempo de lazer? Quantas pessoas entram em um relacionamento amoroso e deixam de se dedicar ao trabalho, aos amigos e à família? E quantos são os que parecem não conseguir viver sem cartão de crédito, sem suas roupas e dinheiro?

Não que seja errado se dedicar ao trabalho, fazer compras e juntar dinheiro, e também não há nada de errado em buscar apoio de amigos e familiares. O problema está em apostar todas as fichas em uma única coisa ou pessoa, e fazer disso a única fonte de felicidade.

Em minha prática clínica tenho atendido pessoas que passam a vida se dedicando ao seu “ovo” e vivem como se a qualquer momento ele pudesse cair. É como uma mulher que ao terminar um relacionamento acredita que nunca mais poderá ser feliz com outra pessoa, ou como um jovem que perde um emprego e acha que a vida perdeu o sentido. Diante da imprevisibilidade das circunstâncias, essas pessoas só estão bem se as circunstâncias estão boas, mas se tudo vai mal elas ficam mal. Inevitavelmente, pessoas que dependem das circunstâncias sentem-se como se nunca estivessem seguras para tomar qualquer atitude porque estão sempre paralisadas pelo medo. É como acontece com o participante na corrida do ovo na colher que tem medo de correr e deixar o ovo cair, ele está sempre vacilante e temoroso de não alcançar a linha de chegada.

Por mais que tentemos nunca teremos o controle da vida. Todas as esperanças que depositamos em algo podem ser frustradas a qualquer momento. O emprego que hoje existe, amanhã pode deixar de existir, aquela pessoa em quem hoje confiamos, amanhã pode nos decepcionar, o dinheiro que juntamos hoje, amanhã pode faltar. Tudo é tão instável quanto o ovo na colher.

Viver de forma equilibrada e saudável é saber estruturar a vida sobre base sólida. Em um mundo onde nada é estável, temos que saber nos mover por diferentes caminhos, sabendo que na verdade tudo é passageiro. No final das contas a felicidade se encontra em si mesmo, em ter o domínio dá própria vida, em estar firme sobre seus valores, princípios e convicções, em estar bem consigo mesmo, em poder olhar no espelho e gostar do que vê, em ter motivos para se admirar, em saber que, embora o mundo seja instável e as pessoas nem sempre são o que aparentam ser, você sabe quem é e o que quer. Você se tornará feliz a medida que for percebendo que o porto mais seguro é você.

Colunista:

Juliana Lima Faustino
CRP 05/43780

Psicóloga clínica (PUC-Rio 2008), terapeuta cognitivo-comportamental (Cepaf-RJ 2011), Psicóloga na ONG Pra Melhor. Experiência clínica no tratamento de transtornos de ansiedade, estresse, depressão, relacionamentos e transtornos alimentares.
Contatos:
Cel: (21) 98108-1978
E-mail: julianafaustinopsi@gmail.com
Fan Page: www.facebook.com/julianafaustinopsicologa
Blog: Cuidando das Emoções: www.psijulianafaustino.wordpress.com
Instagram: www.instagram.com/psico_juliana

Imagem: Pinterest

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