Criança tem razão!


Por: Aline Rodrigues de Brito 

As crianças pequenas também sentem raiva, se frustram, tem vontade, são curiosas, sentem antipatia por algumas pessoas, têm preferências.

Nós crescemos e costumamos esquecer, mas não nos tornamos sujeitos desejantes apenas quando viramos adultos.

Quando éramos crianças, também fazíamos pirraça, chorávamos, falávamos “não”, e nossos motivos também eram genuínos. Ficávamos com raiva, quando não podíamos comer dois iogurtes. Nos sentíamos impotentes quando não podíamos nem escolher nossa própria roupa quando íamos passear, só porque gostávamos da bermuda e da blusa que a mamãe julgava que não eram adequadas para a ocasião.

Às vezes não queríamos comer toda a comida. Queríamos ficar na pracinha até mais tarde, quando a mamãe tinha que ir pra casa fazer janta…!

A mamãe e o papai diziam: desce! Vem! Vamos embora! Senta aqui! E era sempre uma ordem que a gente não sabia porque, mas tinha que obedecer. E como era chato isso! E aí era o momento de toda sorte de malcriação!

Ah! Como a gente dava trabalho para nossos pais!
Mas  a gente esquece. E quando não esquece, a gente finge. Deus ajude que nenhum adulto fale perto dos nossos filhos sobre as notas baixas que tirávamos na escola ou que não éramos tão comportados, como queremos que eles sejam.

A escritora e psicóloga Violet Oaklander, – psicóloga e autora do livro “Descobrindo Crianças”, nos convida a pararmos um instante e recordar nossa própria infância e nossas lutas para entender o mundo da “gente grande”…

É claro que nem sempre os pequenos discernem corretamente, mas às vezes, nós também não! (Hoje uma criança de uns 5 anos fez um escândalo porque queria ficar dentro da piscina com os amiguinhos, enquanto sua mãe queria a todo custo fazê-lo ficar sentadinho na borda).

É importante que os adultos expliquem o porquê das regras. Normalmente, quando damos explicações coerentes, as crianças entendem e aceitam. Elas fazem birra porque frequentemente não lhes damos voz. Crianças precisam ser ouvidas. Precisam saber que o que dizem e o que pensam tem relevância. Violet Oaklander, diz que nós, adultos, frequentemente lhes negamos informações e expressões, deixando-as confusas.

A criança ocupa um lugar na família e não pode ser apenas fisicamente. Ela deve ocupar este espaço com tudo que ela tem e é: com suas fantasias, suas habilidades, criatividade. A criança é muito lúdica. Sua expressão se dá desta forma, mas ela também pode aprender, e aprende o respeito, a tolerância, o limite, que é essencial para a formação do caráter e aprende que a frustração faz parte da vida. É necessário ter horário para dormir. Mas é possível negociar/flexibilizar este horário nas férias? Nem sempre é possível ceder aos pequenos, mas o “não”, não precisa ser autoritário, ditador ou ameaçador.

Dar-lhes a oportunidade de argumentar e expressar seus sentimentos é um grande presente que os ajudará a crescer e se tornarem adultos assertivos e confiantes.

Ser assertivo e confiante é respeitar a si mesmo. Também é criar um vínculo respeitoso com o outro, já que quando conhecemos quais são as nossas necessidades e podemos satisfazê-las, podemos aprender a respeitar as necessidades do nosso próximo!

Aline Rodrigues de Brito
CRP: 08/45699

Psicóloga Clínica, Gestalt terapeuta. Experiência em Dependência Química.
Atendimento em consultório particular, supervisão clínica
Facebook.com/alinebritogestaltterapeuta
Tel: (21) 98110-0440/98153-5316

Imagem: Pinterest

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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Sobre a autora deste blog:
Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, idealizadora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556

Sobre o Psicologia Acessível (saiba mais aqui).

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