Quem sabe amanhã…


Por: Amanda Santos de Oliveira

Desde que nascemos, inseridos em uma sociedade e em um mundo de relações, já temos uma espécie de roteiro pré-estabelecido, conforme o contexto em que estamos inseridos, de como devemos seguir a vida. Em nossa sociedade, ele se desenha mais ou menos assim: vamos à escola, em seguida, à faculdade, para por fim sermos profissionais bem-sucedidos, nos casarmos e constituirmos família.

Esse plano já está aí, mas, obviamente, existem variações. Além das variações que podem ocorrer em sua própria estrutura, existem aquelas que dizem respeito aos projetos de vida de cada um, sonhos, metas e desejos a se conquistar. Lutar pelos nossos sonhos é saudável e importante para nós, assim como realiza-los garante-nos uma grande satisfação pessoal.

Mas, as pressões do dia-a-dia muitas vezes nos impelem a deixar tais objetivos para segundo plano. Claro, temos muito a fazer. Socialmente, somos pressionados não só a trabalhar, mas a nos tornar “bem-sucedidos” conforme alguns padrões. Para isso, será necessário muito trabalho e muito tempo despendido. Mas, nossos sonhos e planos, quando vamos lidar com eles?

O que eu quero?

Primeiramente, é preciso delimitar quais são nossos objetivos, o que queremos de nós e para nós e qual o nosso projeto de vida. A constituição deste projeto, geralmente se dá em nossa juventude, mas quantas vezes nos envolvemos em nossas atividades e nos esquecemos de uma pergunta essencial: o que eu quero com tudo isso?

Os projetos de vida, segundo Maia e Mancebo (2010)[1], são desenvolvidos em torno de nossa noção do tempo (ontem, hoje, amanhã) e possuem etapas que implicam em elaboração de planos e condutas, com o objetivo de atingir determinados fins. Dessa forma, é possível dar sentido ou coerência as experiências que vivemos. Portanto, segundo os autores, os projetos não são naturais e inerentes a todos os seres humanos, mas sim elaborados e construídos em função de experiências socioculturais, vivências e interações. Dessa forma, tais projetos serão sempre relativizados.

Com esta pergunta e com este projeto, serão delimitados não só objetivos profissionais, mas, também, metas que claramente se relacionam a estes. Portanto, se torna possível identificar não só o que se quer ter como profissão, como o que quero colher com meu esforço.

E agora?

Quando já temos estes planos em mente, muitas vezes, o tratamos de forma muito subjetiva. Para realizar qualquer meta ou sonho, é necessário trazê-los do mundo das ideias, para a nossa realidade objetiva. Para isso, torna-se necessário encaixar em nossa rotina, todas as ações que levarão a tais conquistas. Torna-se necessário, gerir o tempo de forma inteligente, para cumprir obrigações e planejar um futuro.

Segundo Lilian Graziano[2] em reportagem para Revista Psique Ciência & Vida, uma das grandes dificuldades atuais é gerir o tempo. Isso se dá, não só por uma rotina apertada, mas por algumas atitudes que nos desviam do foco das prioridades do dia. Segundo a autora, nos desorganizamos em etapas menores que são parte do nosso projeto inteiro de vida. Ainda, tais atitudes podem ser pequenas sabotagens inconscientes trazidas como inseguranças que nos colocam longe da objetividade necessária para cumprir tantas atividades em tão pouco tempo.

Sejamos objetivos. Com sonhos a alcançar é necessário planejar. Este planejamento deve ser concreto, assim como nossa agenda de trabalho. Por exemplo, não precisamos planejar uma viagem para que ela aconteça sem grandes problemas? Pense na vida dessa forma. O planejamento não significa retirar de sua vida toda espontaneidade, mas, significa ser realista em relação ao que se quer da vida e quais passos precisam ser dados para atingir determinada meta.

Vou fazer… Mas hoje não!

Todo esse planejamento exigirá tempo, objetividade e encontro com realidades que nem sempre estamos prontos para enfrentar. Aí, aparece aquela famosa desculpa: hoje não. Todos nós temos se assim desejarmos, desculpas perfeitas para atrasar nossos planos.

Conforme Brito e Bakos (2013)[3], a procrastinação é um comportamento comum que pode gerar prejuízo significativo à  qualidade de vida. Segundo autores apresentados pelos mesmos, a procrastinação refere-se ao atraso desnecessário e irracional de uma tarefa ou tomada de decisão, acompanhado de desconforto psicológico e emoções negativas, como culpa e insatisfações.

A procrastinação pode ser identificada, por exemplo, na vida acadêmica, quando temos um prazo para finalizar um projeto e produção.  Mas, nestes casos, podemos facilmente identificar este problema e nos atentar para que ele não aconteça. Mas, e quando procrastinamos em metas maiores? Em atividades em que não existe prazo final para entrega?

Quando você procrastina, você está sabotando você mesmo.  Os sonhos são seus, as metas são suas, a vida é sua. O tempo está passando e você está atrasando a realização de seus sonhos. Está em suas mãos: conquistar seus sonhos, começando hoje, ou deixar para amanhã.

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

Referências:

[1] MAIA, Ana Augusta Ravasco Moreira; MANCEBO, Deise. Juventude, trabalho e projetos de vida: ninguém pode ficar parado. Psicol. cienc. prof.,  Brasília ,  v. 30, n. 2, p. 376-389, jun.  2010 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000200012&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  30  out.  2016.

[2] GRAZIANO, Lilian. Repensando a agenda. Psique Ciência e Vida, São Paulo, ed. 83. 2016. Disponível em: <http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/83/artigo272988-1.asp&gt;. Acessos em  30  out.  2016

[3] BRITO, Fernanda de Souza; BAKOS, Daniela Di Giorgio Schneider. Procrastinação e terapia cognitivo-comportamental: uma revisão integrativa. Rev. bras.ter. cogn.,  Rio de Janeiro ,  v. 9, n. 1, p. 34-41, jun.  2013 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872013000100006&lng=pt&nrm=iso&gt;. acessos em  30  out.  2016.  http://dx.doi.org/10.5935/1808-5687.20130006.

Imagem: Pinterest

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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