O Florescer das Cerejeiras: Reflexões sobre a Beleza, a Vida e o Tempo


Por: Susana Joaquim Rodrigues

Em julho, a convite de uma amiga, fui à Colônia Japonesa em Ivoti, cidade da região metropolitana de Porto Alegre no Rio Grande do Sul. Quando ela me falou que queria ver as cerejeiras eu não entendi muito bem o seu interesse, mas fui. Ela me disse: As cerejeiras estão floridas! Realmente estavam. Floridas e lindas. No Japão nessa época, é organizado um grande festival para contemplar o florescimento da Sakura, como é chamada a flor símbolo dos guerreiros japoneses, que floresce por poucos dias representando a efemeridade da vida humana. Além, disso simboliza a beleza feminina, o amor e a transformação. Mesmo durando tão pouco, ou talvez até por isso, sua beleza tem um efeito encantador.

As cerejeiras fazem pensar sobre a beleza, a vida e o tempo. Quando não estão floridas, parecem adormecidas. Feias? Não. A beleza que possuem permanece dentro delas e dentro daqueles que já viram suas belas flores. Por isso a beleza nunca acaba. A arte nos mostra isso. Ela é eterna, atemporal, está sempre viva na memória, mesmo que não lembremos. A arte desperta emoções, desejos, conhecimento. É algo constituinte do ser humano. Cada sujeito é um mosaico daquilo que já viu, ouviu e viveu. Por isso é importante que desde cedo, ainda criança, possamos vivenciar o contato com o que é belo.

A vida é assim, aquilo que vivemos não deixa de existir quando acaba, mas permanece vivo dentro de nós. As belas imagens, os bons momentos, as alegrias vividas, é isso o que temos para nos alimentar quando o momento atual não é dos mais agradáveis. A vida passa por ciclos, uns mais floridos e outros menos. Quanto mais significativos forem os bons momentos, quanto melhores forem os nossos registros psíquicos destes, mais amparados nos sentimos para passar por momentos de dificuldades.

Por fim, o tempo. As flores das cerejeiras também nos lembram de que às vezes é preciso esperar, aguardar que o tempo passe e o ciclo mude, pois, como já disse o poeta, nem tudo são flores, mas sempre haverá flores. Por isso, sabemos que o tempo é um conceito relativo e que sua sensação é muito subjetiva, pois os opostos são sempre dois lados de uma mesma moeda: rápido X lento, muito X pouco (tempo), eterno X efêmero. Essas sensações mudam a todo o momento, conforme cada situação e cada pessoa que sente. A medida do tempo é a medida que cada um consegue dar naquele instante singular.

Mas nesse caso, o tempo não é o mais importante. Assim como as flores da cerejeira, em relação a cada vivência, não importa o tempo de duração, importa a beleza que desperta em nós e a certeza de que chegará novamente a época do florescer. Isso é eterno: o ciclo, a continuidade, a possibilidade. Aí está a beleza do tempo.

Imagem: Pinterest

Susana Joaquim Rodrigues
CRP 07/15823

Psicóloga com atuação clínica, especialista em Educação Especial e Inclusiva, membro da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul.
Contatos:
Telefone: (51) 95396145
Email: susipsique@yahoo.com.br
Facebook: /psicologasusanajoaquimrodrigues
Instagram: @psicologasusanarodrigues

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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