Dia Internacional da Luta Contra a Violência à Mulher – Como posso ajudar?


Por: Amanda Santos de Oliveira

Hoje é o dia que, especialmente, nos atentamos a essa causa. Obviamente, a luta contra a violência à mulher deve ter nossa atenção todos os dias. Mas, o dia 25 de novembro foi uma data escolhida pelo mundo inteiro para atenção a esta temática. Então, tire um momento do seu dia para entender a importância dessa luta e porque todos devem se envolver no combate a tal violência.

Contexto Histórico

Segundo o portal Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz[1], a data de 25 de novembro foi estabelecida no primeiro encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe realizado em Bogotá. O estabelecimento deste marco se deu em homenagem às irmãs Mirabal: Pátria, Minerva e Maria Teresa. Tais mulheres foram brutalmente assassinadas pelo ditador Trujilo em 25 de novembro de 1990 na República Dominicana.

Minerva e Maria Teresa foram presas várias vezes entre 1949 e 1960. Minerva era conhecida como Mariposa no exercício de sua militância política clandestina. Segundo apresenta o portal, ao regressar de Puerto Plata, onde os maridos das três irmãs estavam presos, as mulheres foram detidas na estrada e assassinadas por agentes do governo militar. Tal acontecimento gerou grande rechaço nacional e acelerou a queda do ditador no comando.

Tipos de Violência

Apesar deste acontecimento já ter ficado para a história, os casos de violência contra a mulher ainda são assustadores. Mas, primeiro, se torna necessário entender o que e quais são os tipos de violência praticados contra mulheres. Nesse sentido, o Portal Brasil[2] em sua seção de cidadania e justiça, apresenta alguns comportamentos violentos que mais se relacionam aos casos de violência:

  • Humilhar, xingar e diminuir a autoestima;
  • Tirar a liberdade de crença;
  • Fazer a mulher achar que está ficando louca;
  • Controlar e oprimir;
  • Expor a vida íntima;
  • Atirar objetos, sacudir e apertar os braços;
  • Forçar atos sexuais desconfortáveis;
  • Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obriga-la a abortar;
  • Controlar o dinheiro ou reter documentos;
  • Quebrar seus objetos.

Tais atos são muito característicos da violência doméstica e como é possível notar, nem sempre a agressão está relacionada a atos físicos. Este tipo de comportamento e muitos outros acontecem todos os dias e podem estar ocorrendo agora com familiares ou pessoas próximas a você. Todo comportamento violento deve ser combatido e não existem justificativas para tais.

Estatísticas da Violência

Segundo Ana Lis Soares em reportagem para o site Terra[3], mulheres são alvo de diversos tipos de violência, desde o assédio verbal até a morte. Segundo a ONU, sete em cada dez mulheres no mundo já foram ou serão violentadas em algum momento da vida. Entre os casos de feminicídio (termo usado para designar toda violência contra a mulher que leva ou pode levar à morte), 35% de todos os assassinatos de mulheres no mundo são cometidos por parceiros íntimos. Segundo relatos da polícia e registros da OMS, tais casos têm crescido nos últimos anos entre mulheres grávidas.

Ainda, segundo reportagem do site Terra, a ONU estima que, no mínimo, 5 mil mulheres são mortas por “crime de honra” no mundo por ano. Os chamados “crimes de honra” são assassinatos de mulheres ou meninas a mando da própria família, por suspeita de caso de transgressão sexual (quebra de regras ou tabus) ou de alguns comportamentos considerados intoleráveis como adultério, relações sexuais, gravidez fora do casamento e até em casos de vítimas de estupro.

Além desses casos, existem outros tipos violência presentes em algumas partes do mundo, relacionadas a estruturas culturais ou religiosas. Alguns exemplos são assassinatos por dote (25 mil mortes por ano), casos de casamento forçado (100 milhões de vítimas durante a próxima década), mutilação genital feminina (mais de 135 milhões de vítimas), dentre outras configurações.

No Brasil, segundo o jornal Estadão[4], nos dez primeiros meses de 2015 foram registradas 63.090 denúncias de violência contra a mulher, o que corresponde a um relato a cada sete minutos no país. Entre estes registros, quase metade corresponde a denúncias de violência física e 58,55% foram relatos de violência contra mulheres negras. Além disso, o Ligue 180, registrou 9.182 denúncias de violência psicológica (30,40%), 4.627 de violência moral (7,33%), 3.064 de violência sexual (4,86%) e 3.071 de cárcere privado (1,76%). Mais de 80% dos casos ocorreram em situações de ambiente doméstico e familiar.

Como lutar?

Como demonstrado acima, a realidade da violência de gênero ainda está muito presente. Mas, como, em nossa casa, com nossos familiares e amigos podemos combater a violência? Primeiro, esteja atento(a) à sinais: marcas no corpo de amigas ou familiares, relatos de brigas que fugiram ao controle, relatos de casos de violência psicológica, etc. Muitas dessas vítimas ainda não denunciam e os motivos podem ser muitos. Portanto, ajude na conscientização daqueles que estão próximos a você para prevenir tais situações.

Mas, como chegamos a este ponto? Infelizmente, a sociedade, apesar de modernizada em alguns aspectos, ainda mostra-se extremamente machista e preconceituosa em relação às mulheres. Esteja atento(a) também a este tipo de comportamento que pode aparecer em comentários sexistas, ações de subjugação de mulheres ou brincadeiras machistas que parecem inofensivas. A violência não começa no ato em si, mas se inicia com um pensamento, um preconceito e/ou uma intolerância. A prevenção se torna muito mais fácil quando aprendemos a controlar e combater os comportamentos que nos parecem pequenos e inofensivos, mas que podem ser o início de algo muito maior.

Referências:

[1] Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz.  25 de novembro –  Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher. Disponível em: <http://www.centrodireitoshumanos.org.br/25-de-novembro-dia-internacional-de-combate-a-violencia-contra-a-mulher/&gt;. Acesso em 20 de nov. de 2016.

[2] Portal Brasil. Violência contra a mulher não é só física; conheça outros 10 tipos de abuso. Disponível em: < http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/12/violencia-contra-mulher-nao-e-so-fisica-conheca-10-outros-tipos-de-abuso&gt;. Acesso em 20 de nov. de 2016.

[3] SOARES, Ana Lis. Violência Contra a Mulher. Notícias Terra. Disponível em: < https://noticias.terra.com.br/mundo/violencia-contra-mulher/&gt;. Acesso em 20 de nov. 2016.

[4] O Estado de S. Paulo. Brasil tem 1 denúncia de violência contra mulher a cada 7 minutos. Disponível em: < http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,brasil-tem-1-denuncia-de-violencia-contra-a-mulher-a-cada-7-minutos,10000019981&gt;. Acesso em 20 de nov. de 2016.

Imagem: Pinterest

» 25 de Novembro: Dia Internacional da Luta Contra a Violência à Mulher

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

 

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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