Autocobrança excessiva é geradora de frustração


Por: Psicóloga Ane Caroline Janiro

Viver na “era da informação” realmente tem inúmeras vantagens para a maioria das pessoas que dela sabem tirar proveito. Hoje é muito difícil que alguém não encontre diversas respostas para uma dúvida ou uma solução para determinado problema somente com alguns cliques na internet. Sem falar no fato de os celulares estarem sempre à mão e sempre conectados. Também é possível ter acesso a uma infinidade de cursos, leituras, vídeos… aprender muita coisa nova com facilidade. Isso é ótimo e precisamos mesmo ser a favor do acesso sempre maior às tecnologias.

Mas quando falamos de pessoas que se cobram demais, essa chuva de informações e possibilidades torna as coisas um pouco delicadas. A autocobrança excessiva – especialmente hoje – tem a ver não somente com o querer superar a si mesmo, mas também superar os outros. Para chegar até onde o outro já chegou, preciso ser melhor que ele, aprender mais, saber mais, ter mais. Se percebo então que a estrela dos outros está brilhando mais forte que a minha, eis um sinal de alerta para que eu me esforce mais ainda para me sobressair.

E assim, vamos adicionando tarefas e mais tarefas em nossa lista e buscamos incansavelmente formas de “chegar lá” mais rápido. Esse é o ponta pé inicial para seguidas frustrações e outros sentimentos que, aos poucos, afundam nossa autoestima e saúde mental como um todo. Ao querer “abraçar o mundo” dificilmente alguém dá conta de todas as responsabilidades que toma para si e é comum iniciar muitas atividades ao mesmo tempo, atividades estas que se acumulam, muitas vezes são deixadas pela metade e, como estão sobrecarregando a pessoa, podem não apresentar os resultados desejados, já que o stress é um grande vilão da produtividade eficiente.

Advém desse perfeccionismo também os sentimentos de ansiedade e culpa. Ansiedade em querer fazer cada vez mais e culpa por saber que não dá conta de tudo, acreditando que a falha está em sua baixa competência.

Como se livrar então do excesso de autocobrança?

Não é uma tarefa tão fácil assim. Muitas vezes essa cobrança é estimulada desde bem cedo, ainda na infância, quando as famílias, educadores ou pessoas próximas comparam as crianças umas com as outras, exigem desempenhos sempre melhores em relação aos coleguinhas ou rotulam os pequenos por conta de suas dificuldades. Há crianças também que internalizam em si a regra de que só serão amadas se forem perfeitas em tudo, que somente serão bem aceitas se elas se destacarem mais que outras e que falhar é algo que as torna pessoas ruins.

Nestes casos, é preciso desconstruir estes conceitos errôneos que a pessoa formou e carregou consigo durante boa parte de sua vida e muitos somente conseguem êxito nesse exercício em processo de psicoterapia, ou seja, conhecendo a si mais profundamente e formando novos conceitos acerca de “cometer erros”, “não precisar ser perfeito”, “não precisar agradar a todos e nem ser amado por todos”.

Também, é preciso aprender a definir metas reais para a sua rotina e para a sua vida. Metas que realmente possam ser cumpridas e não que sejam um peso nos seus dias ou uma fonte de frustração. Quando adultos, nós podemos escolher aquilo que fazemos com a nossa vida e se as suas escolhas tem tornado seus dias infelizes, é preciso fazer algo a respeito! Trata-se de mais um exercício aprender a sermos gentis conosco, com nossa saúde física e emocional. Entender que a vida não é uma corrida é importante para deixarmos que a estrela dos outros brilhem tanto como a nossa e não querer que apenas a nossa se destaque.

Imagem: Pinterest

 

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Sobre a autora:

Ane Caroline Janiro – Psicóloga clínica, Fundadora e Administradora do Psicologia Acessível.
CRP: 06/119556


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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