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O impacto da separação dos pais no psiquismo da criança


Por: Leonardo Domingues

A taxa de divórcio tem aumentado consideravelmente, em especial no Brasil e não precisamos ir tão longe para percebermos isso. Vejamos nossos avós: dificilmente conhecemos pessoas que tenham seus avós divorciados. Um dos fatores que contribuem para o aumento hoje é a facilidade com que as pessoas podem entrar com o pedido de divórcio. O assunto já se tornou banal e natural para muitos, onde o discurso costuma ser “se não der certo a gente separa”, e antigos valores que faziam com que as pessoas tentassem mais uma vez, acabaram sendo esquecidos.

O divórcio foi aprovado no Brasil em 1977 e desde então tem crescido de uma forma acelerada, onde na última década foi registrado um aumento de 160% aproximadamente[1]. Muitos casais acabam procurando o divórcio como a única solução para a insatisfação conjugal, tornando-o assim um acontecimento do cotidiano familiar.

Outro termo utilizado é a separação conjugal na qual é identificada como um acontecimento responsável por inúmeras mudanças no cotidiano dos que compõem o grupo familiar, especialmente quando o casal possui filhos, e a maior preocupação desse aumento desenfreado de divórcios é em relação às crianças em que muitas vezes convivem em um ambiente de brigas e discussões do casal. Assim, o divórcio traz consigo várias mudanças e ajustamentos na vida dos pais e das crianças, podendo se tornar um evento estressante tanto para os pais quanto para as crianças.

Os primeiros laços sociais da criança são formados na família, é indiscutível que a família e seu relacionamento irão determinar a personalidade dessa criança quando adulto. Quando há conscientização do casal em dar andamento no divórcio, muitas vezes há busca judicial para definir a custódia do filho, esse desenlace pode, em alguns casos, causar uma confusão no psiquismo da criança, fazendo com que ela pense ser o principal motivo da separação.

A separação familiar apresenta ser a maior ruptura do ciclo familiar, pois traz consigo a mudança de regras no seu funcionamento, além da mudança de papéis que cada membro da família representa.

É importante frisar que cada membro familiar tem um papel, independente da formação e orientação sexual. Sabemos que esta definição – pai, mãe e filhos – está atualmente ultrapassada, não mais estruturada apenas por homem e mulher como base, mas também por outras formas. Aquele modelo de que o pai seja o chefe da casa, trabalhando e trazendo sustento, está desconstruída. Hoje a estrutura familiar consiste numa nova formação, um novo visual. Temos famílias compostas até mesmo por duas pessoas: pai e filho ou mãe e filho. A estrutura e os papéis de orientar e de educar, são responsabilidades de qualquer adulto, há então um compromisso de educar, amar e cuidar independente da estruturação familiar. Apesar de todas as mudanças, temos que dar a devida importância aos papéis que cada um exerce dentro da família, não importando então o gênero, é necessário que cada adulto assuma seu papel, seja ele a figura de autoridade, de amor, de limites, entre outros. Os papéis são essenciais para o desenvolvimento do psiquismo da criança que busca na família necessidades como autoridade e o provedor de amor e carinho. Pais ausentes após a separação acarretam na falta desses papéis, formando adultos com alguma necessidade em especial que não supriram quando crianças. Os laços formados pela criança na infância são marcantes e trazem consequências na fase adulta.

A criança necessita de relacionamentos saudáveis, com formação de vínculos afetivos, ter alguém para confiar estabelecendo uma base segura são essenciais para o desenvolvimento de um adulto que seja capaz de estabelecer relacionamentos saudáveis com uma personalidade estável.

O bebê já sente o apego e a relação com a mãe, começando aí o primeiro vínculo com os pais. O vínculo na infância faz com que a criança se sinta segura futuramente e, quando há o divórcio, um dos pais acaba por conviver menos ou até mesmo não há mais convivência, fazendo com que a criança sinta falta da presença diária. Esses conjuntos de situações determinam como será a sua reação em relação a alguns fatos, sendo importantíssimo para o desenvolvimento emocional.

Referência citada:

[1] http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/11/em-10-anos-taxa-de-divorcios-cresce-mais-de-160-no-pais

Imagem: Terapia de Criança

 Colunista:

Leonardo Domingues
CRP 06/133444

Formado pela UNIARA, é Psicólogo Clínico e atende em Jaboticabal/SP na Rua Floriano Peixoto, 1517 – Centro.
É escritor e cartunista.
Contatos:
WhatsApp: (16) 99775-6457
Instagram: @leonardo_psi
E-mail: leonardo.psico@terra.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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