Sobre as expectativas que criamos!


Por: Jackeline Leal

Eu estava fazendo um curso no sábado e bem cedo vi um post de uma amiga, da qual eu gosto muito, falando sobre expectativas, que dizia assim: “Aprendi que não se deve criar expectativas. Mas confesso que eu ainda preciso aprender melhor essa lição.”

Aquela reflexão de alguma forma tinha mexido comigo, talvez pelo fato de eu me considerar a “expectativa em pessoa” e também por estar nos últimos dias refletindo e pensando muito a respeito das minhas expectativas sobre coisas e pessoas.

Por este motivo, postei uma reflexão que elaborei meio que de imediato, com o intuito de provocar um debate e até de ouvir uma outra opinião que não fosse só a minha.

E eu disse no post exatamente assim: “Eu ainda tenho dúvida se nós não devemos criar expectativas ou se devemos aprender a tomar consciência delas! O problema das expectativas é que só nos damos conta que as tínhamos, depois que nos sentimos frustrados, o que você acha?”.

Bem, este foi o acontecido que de alguma forma me tirou da minha linda zona de conforto com relação ao que eu sei sobre as expectativas, e me levou para uma busca intensa pelo que eu sinto com relação a elas.

Isso me fez escrever este texto e compartilho abaixo algumas humildes opiniões, com as quais não tenho objetivo de esgotar o tema, muito menos de que você sinta as mesmas coisas que eu, mas sim, de convidar você a fazer como eu fiz: questionar as minhas ações e transformar a minha realidade, assumindo toda a responsabilidade que eu tenho quando decido sentir, pensar e ainda, depositar no outro as minhas histórias de vida, os meus sonhos e a obrigação por me devolver o que eu acredito que mereceria estar recebendo do mundo…

Por “N” motivos. Por ser uma pessoa boa, por acreditar nas pessoas, por respeitar meus valores, por não roubar, não matar, por ser fiel aos amigos, por tanta coisa… que faltam até exemplos.

E para isso, eu precisei entender uma coisa bem simples: expectativas são intenções, ideias e esperanças que construímos sobre coisas e pessoas na nossa vida. Elas são crenças que fazem com que acreditemos que quem espera deveria receber em troca.

Mas por que elas persistem, diferente de outras crenças que se tornam limitantes quando nós vivemos muitas situações de frustrações? Por que continuamos criando expectativas mesmo sofrendo?

Porque as expectativas estão entrelaçadas com a nossa Fé. Essas intenções ou ideias são diferentes de todas as outras, pois elas falam de algo que não conhecemos, de algo que não é físico, de algo profundo e espiritual.

Portanto, por mais que as pessoas tentem nos ensinar que é preciso reduzir as nossas expectativas em relação às pessoas ou aos sonhos que a gente tem na vida, no nosso coração isso é impossível. Pois é impalpável, podendo apenas ser sentido. E aqui mora o perigo. Será realmente que queremos deixar de acreditar, nos sonhos, nas pessoas, na nossa fé e até mesmo em Deus? Para mim, isso é impossível.

E foi bem aí que chequei a uma conclusão sobre este assunto. Parei e fiquei pensando o quanto, todos os dias de nossas vidas, estamos sendo testados e incentivados a reduzir nossas expectativas sobre tudo. Sinto como se estivéssemos caminhando para um mundo racional e frio, desconexo com quem somos, com o que acreditamos, um mundo sem esperanças.

Sinto como se aos poucos nós estivéssemos sendo convidados a deixar de acreditar, de esperar. E sabe, sim, eu me frustro todos os dias comigo, com as expectativas que eu tenho de um mundo diferente, de pessoas mais amorosas, mais empáticas e altruístas. Menos arrogantes e prepotentes, mais humildes e autênticas. Ninguém me disse que isso era possível, eu sonhei com um mundo assim e quero poder continuar sonhando.

E me vem quase que subitamente à cabeça a certeza de que se um dia eu deixar de ser essa pessoa, com estas expectativas, eu provavelmente deixarei também de ser eu e tudo que eu acredito deixaria de fazer sentido, para mim, só para mim, aqui no meu coração. Não posso esperar que você que lê este texto agora, pense assim também, mas posso compartilhar com você como eu me sinto.

Paro um minuto, respeito e peço a essa minha fé, que eu aceite as pessoas como elas são inclusive a mim mesma. Na verdade, principalmente a mim mesma, pois esse excesso de expectativas que eu coloco nos outros, agride muito mais a mim, do que a eles.

Muitos sequer sabem que as tenho, portanto, sequer podem corresponde-las. Eu as crio e também as impeço de serem atingidas, porque eu não falo para os envolvidos sobre elas. As deixo aqui, no fundo do meu coração, praticamente escondidas e livre das críticas dos outros.

Aqui, no meu íntimo elas parecem tão protegidas… e aos poucos vou me dando conta de que quanto mais as protejo, mais saboto a mim mesma e limito as minhas chances de ser mais plena, mais feliz e conectada com as pessoas que me cercam. E depois deste novo pensamento que eu construo dentro de mim, já fora da minha zona de conforto, eu decido algo muito importante…

Decido que quero continuar tendo as minhas expectativas, e toda essa minha fé que as vezes é meio louca e que me torna excessivamente otimista e crente… em algo maior que nós e em um mundo melhor. Peço apenas sabedoria para eu possa ter consciência das minhas expectativas para comigo e com os outros ao meu redor.

E que se possível for, que eu assuma a minha parte da responsabilidade e compartilhe com esse outro, do qual eu que exijo tanto e que muitas vezes nem sabe o que eu espero dele, para que ele possa decidir se é capaz de me ajudar…

Imagem: Pinterest

Jackeline Leal
CRP 16/1585

Psicóloga Clínica, Pós Graduanda em Psicodrama pelo IDH/RS,
Formada pela FAESA/ES, atende em Vitória/ES.
Jackeline também é Coach de Carreira e Negócios e conta com
mais de 10 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas.
Contatos:
E-mail: contato@jackelineleal.com.br 

Facebook.com/jacklealpsicoach
www.jackelineleal.com.br

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4 comentários em “Sobre as expectativas que criamos!”

  1. Esse assunto “Expectativas” parece mesmo ter mexido com muita gente, em especial nesse momento de incertezas em todos os campos que vivemos (econômicas, políticas, sociais e, reverberando, pessoais, íntimas, afetivas etc.). Se “a expectativa” é fomentar o diálogo a respeito do tema, escrevi há pouco tempo a respeito. Numa linguagem um pouco diferente da sua, em especial em termos de terminologias, mas com algumas coincidências semânticas interessantes.

    Se ainda lhe estiver em voga o tema, dê uma conferida lá! :D

    Afinal, “O que são as expectativas futuras senão um presente cheio de passados?”

    –>

    https://sartotxt.wordpress.com/2016/11/15/expectativas/

    Beijão e parabéns novamente!

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  2. Gostei muito, pois da mesma forma que sentiste, acredito que também já me senti e fiz a mesma pergunta: mas, ´per aí! Como não ter expectativas, uma pessoa como eu cheia de esperanças? Depois é que vou me preocupar em lidar com as decepções, pois intendo perfeitamente que os resultados não dependiam só de mim, mas que preciso respeitar o modo diferente de ser do outro . Mas deixar de depositar expectativas, para mim, é impossível. Penso até que se traduz em indiferença, e indiferente, não sou.
    Obrigada por dividir teus sentimentos. Pensarei mais sobre o assunto.
    Um abraço, Lilian

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