A literatura como forma de cura


Por: Cris da Rocha

Bom, é assim que eu vejo a literatura na minha vida. Quando falo em cura, não estou falando de cura milagrosa, mas de um encontro com algo que faltava.

Desde pequena, gostava de ler. Mas minhas leituras se passavam apenas nos livros escolares, o que para mim, era maravilhoso: conhecer as histórias fantásticas de Monteiro Lobato. As peripécias do pessoal do Sítio do Pica pau amarelo. Vivia no mundo da lua, porque com as aventuras eu podia flutuar entre meu mundo real e o fictício, o que me enchia de prazer. Mas eu queria mesmo um livro para ler, um livro que pudesse escolher uma história que não fosse apenas o livro didático. Mas isto também era um sonho, porque meus pais não tinham condições de me dar um livro. Aliás, nem tínhamos acesso a livrarias, nem sabia direito como era uma.

Algumas vezes pedia gibis emprestados para algumas amigas da escola. Amava ler a Turma da Mônica, ria sozinha, me divertia, mas logo teria que devolver o gibi para a dona. Ela também gostava de ler e reler. E eu? Eu continuava querendo um livro que fosse meu. A infância passou e não realizei o desejo. Quando fui pro antigo ginasial, tinha que ler uns livros bem chatos para fazer provas, foi o momento que me senti desanimada em ler. Mas teve um que eu amei e que leria de novo hoje, “Meu pé de laranja lima”. Nesta época a escola tinha biblioteca, fiz a carteirinha e o peguei lá por minha livre vontade. E amei!

Quando fui pra faculdade, eu comecei a conhecer os livros acadêmicos e comecei a ler tudo que podia, mas acho que ainda não havia me encontrado na leitura como queria. Li por anos livros acadêmicos, ah, e li muito livro de auto-ajuda. E digo, muitos me ajudaram. Porque tinham dicas de ajuda para a vida. Um dia conversando com uma amiga, ela me falou com tanta veemência dos romances que ela lia. Eu disse que romance tinha muitos detalhes e me cansava, então ela me desafiou a pegar um e ler. Bom, peguei um comecei ler e achei chato demais os detalhes que os romances traziam. Mas chegou um dia que um livro me pegou e comecei a devorar romances. Isto começou a acontecer em 2011, quando fui pega por uma depressão, que me deixou sem ânimo pra nada e então comecei a ler… E quando observei estava totalmente envolvida por romances e pelas biografias de pessoas importantes. E deste então, não passo um dia sem ler…

Notadamente a leitura trouxe pra minha vida uma visão dos problemas e alegrias alheios, sejam eles fictícios ou verdadeiros. Via que não só eu sofria mas centenas de pessoas e personagens e que eu estava virando protagonista nas histórias, porque na maioria das vezes me enxergava nelas, vivendo o personagem, brigando pelas situações e até mesmo ficando triste pelo final dado à história.
Foi quando percebi que tirei o foco da aflição que passava e comecei a compreender algumas coisas que a vida e as histórias ficcionais ou baseadas em fatos reais estavam bem próximas do cotidiano de um leitor. E de pessoas como nós, humanamente – humanos!

Colunista

Ana Cristina Vieira de Souza
(Cris da Rocha)

São Gonçalo – RJ
Professora d0 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental;
Formada desde 2007 em Pedagogia;
Especialização em Educação: Orientação Educacional, Supervisão e Administração Escolar, 2008;
Já atuou como Orientadora Educacional na rede pública de Ensino do Município de Itaboraí do 1º ao 9º ano;
Trabalha com crianças e adolescentes no Projeto Sala de Leitura, onde atua como professora de Literatura, estimulando crianças e adolescentes ao desejo e hábito de ler.
Atualmente é estudante do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas – FAMATH, em Niterói.
Contato: prof-anacris@hotmail.com

Imagem: Pinterest

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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