Desmistificando Transtornos Psicológicos


Por: Amanda Santos de Oliveira

De uma forma geral, sabemos e entendemos a existência de transtornos psicológicos. Existem alguns que se tornam até “famosos”, por serem citados pela mídia reportados em matérias de jornais, novelas, filmes, etc. Ainda, em nosso dia a dia, ouvimos relatos de pessoas com depressão, ansiedade, e tantos outros transtornos. Às vezes não paramos para pensar em como é o cotidiano dessas pessoas e como elas lidam com essa condição. Talvez o assunto nos assuste e assim, escolhemos ignora-lo para ficarmos mais confortáveis. Até que um dia, um desses nomes é usado para nos diagnosticar, ou diagnosticar um filho, um marido, uma mãe, um pai, ou outro ente querido. E agora, o que fazer?

O que são transtornos psicológicos?

Os transtornos psicológicos também chamados de transtornos mentais, frequentemente são encontrados na sociedade. Segundo Lopes et. al (2003)[1], estudos demonstram que a prevalência de transtornos mentais comuns variam de 7% a 26%. Ainda, os dados indicam que tais transtornos contribuem ainda para um terço dos dias perdidos de trabalho e um quinto de todas as consultas em atenção primária à saúde. Assim como apontam os autores, tais transtornos apresentam taxas de mortalidade mais elevadas e prejuízos importantes na função social e física. Além disso, para os autores os principais distúrbios demonstrados em estudos têm sido a depressão e a ansiedade, incluindo uma série de queixas sem especificação e somáticas (sintomas físicos).

Ainda não é possível identificar ao certo a causa de tais transtornos. Diversos estudos apontam para contextos estressores, no entanto, o surgimento dos transtornos também significa um fator estressor devido às suas consequências, o que torna complicada a separação dos sinais antecessores. Estudos mostram que 90% dos transtornos se referem a estes, de estrutura menos complexa. Portanto, vejamos a seguir uma pequena descrição dos principais transtornos encontrados na sociedade atual.

Depressão

Assim como apresenta Teng, Humes e Demetrio (2005)[2], a depressão é um transtorno altamente presente na população em geral (3% a 5% de incidência) e ainda é encontrada em ate 16% de populações clínicas (pacientes internados ou em tratamento ambulatorial). Mas, apesar de tão presente, os autores apresentam que, a depressão ainda é subdiagnosticada e quando é diagnosticada, muitas vezes não é tratada da forma adequada. Os dados apontam que apenas 35% são diagnosticados e tratados de forma correta. Um fator também preocupante na existência da depressão é a relação do transtorno com outras condições clínicas. Sabe-se que o transtorno pode agravar fatores relacionados à sintomas de algumas condições físicas.

Dalgalarrondo (2008)[3], apresenta os principais sintomas depressivos, sendo eles: humor deprimido, desânimo, perda do interesse, alterações no apetite e sono, fadiga, perda de energia pessimismo, baixa autoestima, concentração prejudicada, pensamentos de morte ou suicídio e retardo/agitação psicomotora. A depressão apresenta vários graus e subtipos, portanto, vale lembrar que o diagnóstico deve ser feito em acompanhamento psicológico e psiquiátrico, assim como o tratamento deve ser estipulado e acompanhado por tais profissionais.

Transtornos de Ansiedade

A ansiedade em si não é um transtorno, mas um sentimento de apreensão de antecipação de perigo ou de algo novo. Tal sentimento é absolutamente normal e inerente ao ser humano. Mas, assim como apresenta Castillo et. al (2000)[4], a ansiedade pode ser considerada como patológica quando é exagerada e desproporcional se avaliada em relação ao estímulo causador. Ainda é importante identificar se os sintomas ansiosos interferem na qualidade de vida, conforto emocional e desempenho das atividades diárias.

Segundo os autores, os transtornos ansiosos são os quadros psiquiátricos mais comuns, tanto em crianças quanto em adultos e possui uma prevalência estimada durante o período de vida de 9% a 15%. No caso da ansiedade, também existem diversos graus e subtipos em que os sintomas podem aparecer, como por exemplo, o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), as fobias específicas, transtorno de ansiedade de separação, o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e tantos outros.

Dalgalarrondo (2008) apresenta os principais sintomas recorrentes nos transtornos ansiosos, sendo eles: ansiedade e preocupação excessivas, dificuldade em controlar a preocupação e a ansiedade, inquietação, cansaço fácil, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, tensão muscular e alterações no sono. Assim como na depressão, vale lembrar que o diagnóstico e tratamento devem acontecer em acompanhamento psicológico e psiquiátrico. O acompanhamento profissional garante um diagnóstico e tratamento corretos, evitando piora no quadro.

Fui diagnosticado, e agora?

Digamos que você está passando pelo diagnóstico ou tratamento de algum dos transtornos acima citados ou de outros transtornos que podem ter estruturas ou tratamentos mais complexos. Certamente você tem passado por dificuldades em seu cotidiano que foram acarretadas pelos sintomas. Ainda, pode estar com dificuldade na aceitação do diagnóstico, já que a sociedade ainda não aceita o tratamento psicológico como necessário e como um processo para pessoas “normais”.

Infelizmente, uma das principais dificuldades que nos deparamos na prática clínica é o preconceito. Não só das pessoas que convivem com o paciente, mas do próprio paciente. A ideia de que as pessoas que utilizam os serviços psicológicos ou psiquiátricos são “loucas”, ainda é muito presente. Se você tem um transtorno, entenda que você não é uma pessoa pior por isso e você não deve ser tratado como alguém diferente dos demais. O tratamento psicológico é uma questão de saúde, como qualquer outra. Porque tantos ainda tem medo de ir ao psiquiatra ou psicólogo, mas não tem medo de ir ao cardiologista, por exemplo?

No caso de um diagnóstico psicológico, sim, você não está em suas melhores condições. Mas, você está se cuidando e olhando para você, assim como faria em qualquer outro tratamento. Às vezes é necessário apenas elaborar tal notícia e aprender a viver com ela da melhor maneira possível. Sei que o momento de um diagnóstico, seja qual for, não é uma notícia que esperamos, mas podemos escolher passar pelo tratamento sem deixar que a doença nos controle. Busque informações, leia bastante, converse sobre isso, tire todas as suas dúvidas e esteja atento ao tratamento. De uma vez por todas, comece a pensar que o tratamento psicológico visa à saúde, o bem estar emocional e a qualidade de vida e se você tem alguma dificuldade em conseguir tais objetivos, nós psicólogos, estamos aqui para ajuda-lo.

Referências:

[1] LOPES, Claudia S.; FAERSTEIN, Eduardo; CHOR, Dóra. Eventos de vida produtores de estresse e transtornos mentais comuns: resultados do Estudo Pró-Saúde. Cad. Saúde Pública,  Rio de Janeiro ,  v. 19, n. 6, p. 1713-1720,  dez.  2003 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2003000600015&lng=pt&nrm=iso&gt;. Acesso em 12 dez. 2016.

[2] TENG, Chei Tung; HUMES, Eduardo de Castro; DEMETRIO, Frederico Naves. Depressão e comorbidades clínicas. Rev. Psiq. Clín. 32 (3); 149-159, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rpc/v32n3/a07v32n3&gt;. Acesso em 12 dez. 2016.

[3] DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre : Artmed, 2008.

[4] CASTILLO, Ana Regina GL et al . Transtornos de ansiedade. Rev. Bras. Psiquiatr.,  São Paulo ,  v. 22, supl. 2, p. 20-23,  Dec.  2000 .   Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-44462000000600006&lng=en&nrm=iso&gt;. Acesso em  12  Dez.  2016.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

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