O Bicho-Papão Escola


Por: Cristiane Dias Salvadori

Em breve estaremos iniciando mais um ano letivo. Sendo assim, os estudantes vivem aquela euforia para o reencontro com o cotidiano escolar. A mochila vem carregada de coisas novas: o material, as novidades, as expectativas… Para alguns, é momento de reencontro, enquanto que para outros, é conviver com um novo mundo, quando ocorre a troca de escola ou quando estão iniciando a vida escolar – momento este gerador de muita angústia, pois tudo que é desconhecido, torna-se um tanto assustador.

Por isso o papel dos pais e educadores é fundamental, procurando escutar e acolher os sentimentos da criança, abrindo espaço para que esta possa verbalizar aquilo que está sentindo. Mas, o que se passa com as crianças que, mesmo tendo esse suporte por parte dos pais e professores, recusam-se a ir para escola?

Provavelmente estamos diante da manifestação de uma fobia que se caracteriza por medo de alguma coisa, como da escola, de altura, de lugares fechados. É um medo para o qual não encontramos uma explicação lógica, pois não se trata de um perigo real, mas sim imaginário, fazendo com que o sujeito evite o contato com o objeto fobígeno. A recusa de ir para escola vem acompanhada com sintomas físicos como: diarreia, vômitos, dores de cabeça, de barriga, febre e choro. Tais sintomas  mobilizam os pais  e desaparecem quando é permitido que a criança permaneça em casa, no seu porto seguro.

Vale salientar que as tentativas para que a criança enfrente o bicho-papão escola, chamando-a de medrosa são em vão. É necessário buscar uma ajuda psicológica a fim de entender o que se passa. Por que está manifestando este sintoma, nesse momento da sua vida? Tal sintoma está representando algum conflito? Esta é a forma que a criança encontrou de mostrar que internamente se passa algo com o qual ela não está conseguindo lidar.

Geralmente, a fobia escolar representa a dificuldade que a criança tem de separar-se dos pais, de sair do lar para enfrentar um mundo desconhecido que é a escola. Fazer este movimento de independização é poder crescer e talvez seja essa a dificuldade enfrentada neste momento.

A chegada de um irmãozinho, a separação dos pais ou alguma outra situação que represente medo de abandono real ou fantasiado podem também justificar a dificuldade da criança de distanciar-se daqueles que ama.

Enfim, é importante salientar que a criança não consegue explicar o que lhe impede de ir para escola. Por isso,  a importância de que os  pais e educadores possam compreender este sintoma como a manifestação de uma dor psíquica que precisa ser escutada na sua singularidade.

Imagem: Link

Colunista

Cristiane Dias Salvadori
CRP 07/10857

Psicóloga Clínica e Educacional
Especialista em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva
Contato:
(51)99914-3842
Email: cris.salvadori@yahoo.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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