Pelo Direito à Tristeza


Por: Susana Joaquim Rodrigues

Seja feliz! Siga em frente! Não olhe para trás! O que passou, passou! Sorria! Não chore! Levante a cabeça! Chega de mimimi! Você está com depressão, vá se tratar! Essas e tantas outras frases nos fazem refletir sobre o imperativo da felicidade instalado na contemporaneidade. Toda expressão de tristeza ou de não alegria eufórica é vista como fraqueza, drama, covardia, enfim, uma afronta ao ideal de felicidade imposto na nossa sociedade do espetáculo e do consumo.

Parece que somos obrigados a sermos felizes e estarmos alegres o tempo todo, custe o que custar. Com o advento das redes sociais então, isso fica ainda mais evidente e mais complicado, pois aí, além de ser feliz, ainda tem que provar que está através de várias selfies diárias com largos sorrisos. Ok, ser feliz é ótimo, estar alegre é o que todo mundo quer, mas o tempo todo? Quem consegue? Ninguém. Há momentos e situações na vida em que a tristeza é inevitável. Mas não devemos lastimá-la nem ignorá-la ou tentar impedi-la. Digo que ela é necessária!

Ficar triste ou até extremamente triste quando algo ruim acontece, quando você se decepciona, quando se frustra, quando perde um ente querido ou não atinge algo que almejava não torna você depressivo, ao contrário, preserva a sua saúde mental. A tristeza é necessária para a regulação do sistema psíquico, assim como a alegria e as demais emoções. Tentar negar, não vivenciar, não sentir é extremamente perigoso e pode levar à origem de transtornos graves, inclusive a depressão.

Portanto, permita-se entristecer. Permita-se não estar alegre o tempo todo. Procure acolher as suas emoções da forma como elas realmente se manifestam e não como a sociedade diz que deve ser. Não permita que os outros digam como você deve se sentir. Não diga a uma criança: Não fique triste! Isso nega a possibilidade dela conhecer suas emoções e de aprender a lidar com elas. Se quiser confortá-la, diga: Eu sei que você está triste, mas isso vai passar. Diga isso aos adultos tristes que encontrar também. Diga isso a você mesmo.

Todos nós temos o direito à tristeza. Todos nós temos momentos tristes e tristezas que nos acompanham pela vida. Não as neguemos. Respeitemos nossa história, nossas cicatrizes, nossas emoções. Sejamos mais francos conosco e com os outros. E aí sim poderemos ser felizes de fato, acomodando todas as nossas tristezas. Do contrário, seremos deprimidos, ressentidos e melancólicos escondidos atrás de falsos sorrisos alegres.

Colunista:

Susana Joaquim Rodrigues
CRP 07/15823

Psicóloga com atuação clínica, especialista em Educação Especial e Inclusiva, membro da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul.
Contatos:
Telefone: (51) 95396145
Email: susipsique@yahoo.com.br
Facebook: /psicologasusanajoaquimrodrigues
Instagram: @psicologasusanarodrigues

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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