Ter medo da mudança é normal! Ufa, que alívio!


Por: Jackeline Leal

Tem sido muito falado por aí, e também é bastante perceptível, o quanto o mundo está mudando. Junto com esta mudança, surge uma exigência quase que “implícita” da sociedade que você viva a mudança da forma mais natural e tranquila possível.

Atualmente existem dois tipos de pessoas no mundo: as resilientes, que conseguem esse feito e as resistentes que não acompanham os avanços da modernidade.

Para que seja ainda mais interessante, geralmente ouvimos que “Aqueles que não acompanham as mudanças acabam sendo atropelados por ela ou deixados para trás”.

Essa afirmação seria muito simples se de fato, ser ou não ser resiliente ou aberto às mudanças fosse algo mágico como: ou você nasce assim, ou está fadado ao fracasso. Ainda bem que na verdade as coisas não são bem assim.

O cérebro humano tem sido construído evolutivamente a milhares de anos e hoje é conhecido por ser programado para agir ou reagir frente a situações novas e inesperadas, de maneira ativa e em algumas situações “agressiva”, caso seja necessário. Mas como isso funciona?

O primeiro passo é começar desmistificando o “senso comum” com a ideia de que resistir à mudança é algo exclusivamente ruim. Consta em nossa história genética cerebral, que este tipo de reação instintiva, por muitas vezes, foi responsável por ainda estarmos vivos. O nosso cérebro evoluiu em milhares de anos até chegar ao conceito atual de Cérebro Trino.

Para o neurocientista Paul Mclean e sua teoria do Cérebro Trino, os humanos ou primatas possuem o cérebro dividido em três partes:

1. Cérebro Reptiliano ou basal: é formado pela medula espinhal e tem apenas a capacidade de promover reflexos simples. É conhecido como cérebro instintivo e tem como característica marcante a sobrevivência, sendo responsável pelas emoções primárias como fome, sede, medo entre outras.

2. Cérebro Límbico ou dos mamíferos inferiores: também conhecido como cérebro emocional, é o segundo nível funcional do sistema nervoso e conta com, além da medula espinhal, os núcleos da base do telencéfalo, responsáveis pela motricidade grosseira.

Cientificamente formados pelo Diencéfalo (tálamo, hipotálamo, epitálamo), pelo Giro do Cíngulo e pelo hipocampo e parahipocampo, estes últimos são responsáveis pelo sistema Límbico que controla o comportamento emocional dos indivíduos.

3. Cérebro Neocórtex: também conhecido como cérebro racional é composto pelo córtex telencefálico e é dividido em lóbulos (frontal, parietal, temporal, occipital e insular). Este cérebro é o que diferencia o ser humano dos demais, pois ele é capaz de analisar e tomar decisões racionais, desenvolver o pensamento abstrato e capacidade para gerar invenções.

Após compreendermos a evolução do nosso cérebro, é possível entender melhor o motivo pelo qual reagimos de forma tão inesperada em algumas situações e de forma tão racional em outras.

E como podemos conectar as nossas reações ao tema mudança? Simples. Para que haja uma mudança ou transformação pressupõe-se uma alteração de estado, modelo ou situação anterior para um estado, modelo ou situação futura por razões inesperadas ou incontroláveis, mas também por razões planejadas e premeditadas, segundo o Wikipédia.

Sendo assim, quando a mudança acontece sem que tenhamos anteriormente tomado consciência da sua existência ou até mesmo da sua necessidade, ela nos pega de surpresa e aciona em nós o cérebro reptiliano que tem como premissa nos proteger de qualquer perigo que ameace a nossa sobrevivência.

Portanto, as reações em primeiro momento, mesmo que demasiadas reativais, são consideradas normais e necessárias, pois a luta que estão travando é em prol da nossa sobrevivência e segurança enquanto espécie.

À medida que vamos tomando consciência dos fatos e permitindo que eles sejam julgados e processados por nosso cérebro mais evoluído, aí sim, é necessário que tenhamos repertório emocional e racional para construirmos novas ações e comportamentos baseados no novo que não pode ser nunca desprezado, pois as mudanças são necessárias.

Acontece que estamos vivemos em um mundo onde aprender a controlar instintos e emoções têm se tornado algo bom e quanto menos nos expressamos mais somos valorizados na carreira e na vida pessoal. E isso tem sido confundido com ter habilidades em Inteligência Emocional.

Este é exatamente o erro o qual precisamos evitar. Em nenhum momento, Daniel Goleman, o grande nome quando estudamos Inteligência Emocional, nos diz nada neste sentido.

Para Goleman, a Inteligência Emocional é um conceito da psicologia que descreve a capacidade de reconhecer os próprios sentimentos e os dos outros assim como ter habilidade para geri-los dentro de nós e nos nossos relacionamentos. E isso não condiz com maquiar aquilo que se sente!

Portanto, hoje o meu convite a todos os leitores é para que não tenham vergonha ou medo dos sentimentos que as mudanças possam ativar em vocês. Mas que busquem expandir o conhecimento que cada um tem de si mesmo, do por que as emoções que têm vivenciado lhes causam medos, ansiedades e/ou reações muitas vezes incontroláveis, para que seja possível através da autoconsciência saber quando essas reações ajudam e quando elas limitam em alcançar seus objetivos pessoais e profissionais.

Fora isso, não aceite a insipiência como verdade. Esse é um convite para o autoconhecimento e melhor utilização das suas emoções.

Imagem: Pinterest

Jackeline Leal
CRP 16/1585

Psicóloga Clínica, Pós Graduanda em Psicodrama pelo IDH/RS,
Formada pela FAESA/ES, atende em Vitória/ES.
Jackeline também é Coach de Carreira e Negócios e conta com
mais de 10 anos de experiência em desenvolvimento de pessoas.
Contatos:
E-mail: contato@jackelineleal.com.br 

Facebook.com/jacklealpsicoach
www.jackelineleal.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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