O Papel dos Pais na Psicoterapia Infantil


Por: Susana Joaquim Rodrigues

O papel dos pais na psicoterapia infantil é de extrema importância. Inicialmente porque geralmente é um deles, ou ambos, que identifica a necessidade de atendimento e leva o filho ou filha até o psicólogo. A partir do primeiro contato, se estabelece uma parceria entre a família e o terapeuta, que será imprescindível para o sucesso do tratamento.

Os pais, ao escolherem um profissional para acompanhar seu filho, assumem também responsabilidades, como a manutenção da frequência, a efetivação do pagamento e o cumprimento das demais combinações realizadas conjuntamente. Para tanto, é necessário que se estabeleça uma relação de confiança. Tendo isso em vista, geralmente, no início do tratamento, é realizada uma ou mais entrevistas com ambos ou com um dos pais. Nessas entrevistas, o profissional irá escutar a demanda familiar, realizar uma avaliação prévia do caso, esclarecer as dúvidas da família, explicar como realiza o seu trabalho e estabelecer combinações. Nesse momento, é importante que os pais relatem tudo o que julgarem pertinente para que o psicólogo possa ter um entendimento o mais abrangente possível da problemática envolvendo a criança e sua família. O psicólogo deve se colocar de forma que os pais sintam-se à vontade para fazer todos os questionamentos que julgarem necessários, esclarecendo todas as suas dúvidas quanto aos procedimentos a serem utilizados, ao referencial teórico adotado pelo profissional, aos honorários, à frequência, aos horários, às férias, aos intervalos, etc.

Alguns profissionais, ao atenderem crianças, costumam realizar um processo avaliativo antes de iniciar a psicoterapia propriamente dita. Essa avaliação varia no tempo e nos instrumentos utilizados conforme a orientação teórica e prática de cada profissional. Os psicólogos que adotam a avaliação inicial, realizam uma devolução para os pais ao final da mesma. Nessa devolução, são discutidos com a família os resultados obtidos, a possibilidade ou não de um diagnóstico inicial, os instrumentos utilizados e a indicação terapêutica. Toda e qualquer dúvida ou discordância deve ser discutida com o profissional, que tem a obrigação ética de acolher e esclarecer os questionamentos da família.

Durante o processo psicoterapêutico infantil, a participação dos pais é constante, pois é essencial que acompanhem e participem do tratamento. Essa participação pode ocorrer de diversas formas, com entrevistas semanais, quinzenais ou mensais; com entrevistas com pai e mãe juntos; com entrevistas só com o pai ou só com a mãe, ou mesmo com outro familiar cujo vínculo seja significativo para o paciente; com atendimento conjunto da criança com ambos os pais, ou com um dos pais. Nada disso é pré-definido e existem muitas possibilidades que vão sendo construídas conjuntamente pelo terapeuta, pelo paciente e pelos pais. O contato contínuo com os pais propicia que estes se apropriem do processo terapêutico dos filhos, podendo acompanhar o progresso e a evolução, dando ao psicólogo feedbacks que subsidiarão a sua intervenção.

Cria-se também um espaço de escuta para os pais, onde as questões individuais e familiares podem ser trabalhadas, colaborando para a melhora dos filhos. Não se trata de psicoterapia para os pais, mas do acompanhamento familiar visando o progresso terapêutico da criança. Havendo a necessidade de atendimento psicológico dos pais, o psicólogo os encaminhará para outro profissional.

Além disso, a psicoterapia infantil também exige que o psicólogo muitas vezes realize intervenções junto a outros profissionais que atendem a criança, como médicos e professores. Essas intervenções são sempre realizadas com a ciência e anuência dos pais e muitas vezes é solicitado que a família realize a mediação dos contatos entre o psicólogo e os demais profissionais.

No momento da alta, também é indicada a realização de uma ou mais entrevistas de encerramento com os pais para avaliação do processo e discussão das indicações futuras.

É importante que os pais tenham a segurança de que a qualquer momento podem interpelar o profissional, seja para esclarecimentos, pontuações ou recombinações. O psicólogo e a família são aliados no processo psicoterapêutico infantil. O receio de muitos pais de que o psicólogo possa julgar ou criticar suas crenças, posturas ou formas de educar os filhos deve ser superado. O trabalho do psicólogo não é de julgamento e sim de auxílio à família para entender o que se passa com o filho, buscando soluções para os problemas apresentados, de forma que a criança retome o seu desenvolvimento saudável e a família siga a sua vida de forma mais tranquila e satisfeita.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Susana Joaquim Rodrigues
CRP 07/15823

Psicóloga com atuação clínica, especialista em Educação Especial e Inclusiva, membro da Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul.
Contatos:
Telefone: (51) 95396145
Email: susipsique@yahoo.com.br
Facebook: /psicologasusanajoaquimrodrigues
Instagram: @psicologasusanarodrigues

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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