Envelhecer ou “Reju-velhecer”?


Por: Cris da Rocha

Todo mundo um dia irá envelhecer. Não temos pra onde correr. Podemos fazer plástica, esticar daqui e dali. Não haverá forma, por mais eficiente que seja, para esconder definitivamente as marcas do tempo. Ele chega e vem contudo, embora devagar.

Dizem por aí que algumas coisas caem. Mas não há de cair o bom humor. Dizem que as pernas andam mais devagar, mas não se pode parar de andar. Mesmo que por algumas circunstância da vida, precise de uma cadeira de rodas, um andador ou outro apoio qualquer. Já ouvi dizer que o humor fica diminuído, aquele que vemos na juventude. Mas há de procurar interagir com outras pessoas para aprender novas formas de viver, isso é importante em qualquer fase da vida.

Falaram-me uma vez que na velhice sexo não existe. Que isso é coisa para gente nova. Tuuudo mentira! Idoso tem desejo, tesão, acha pessoas de outro sexo e até do mesmo sexo atraentes e se apaixona, ama. Talvez de uma forma calma, observadora, seletiva… Mas ama!

A velhice não deve ser vista como a sociedade impõe, como um momento de espera da morte, pela etapa de vencer doenças, de ficar apenas fazendo tricô ou tomando chá com torradas e vendo o tempo correr para completar seu tempo aqui na terra. Nesta fase acontece um fato que pode facilitar muito a vida: a pessoa tende a ficar mais sábia, mais atenta às decisões, ao que acredita ser resultado de todas as suas experiências vividas. Dos sofrimentos, alegrias, da vida com ou sem família, dos sonhos realizados e desfeitos ou até dos não realizados. A vivência com os filhos, netos, amigos que fizeram ao longo da vida e os que perderam também. Das crises existenciais, dos amores e desamores, dentre outras experiências muito privadas.

Conheço na cidade em que moro o famoso Baile da terceira idade. Fico pensando e imaginando quantos namoros já não devem ter rolado naquele lugar ou pelo menos uma boa paquera. Ver os idosos dançando, mesmo com as limitações que a idade e principalmente a que o tempo traz é algo maravilhoso e, mesmo assim, notar as pessoas se alegrando, mesmo que a perna doa depois, a coluna fique reclamando e os pés ardendo. É a força da vida pulsando dentro de um grupo tão abandonado e desacreditado por muitos. Mas que com uma nova posição e um novo olhar de si próprio, o idoso pode ganhar seu espaço, ou reconquistar o que acreditava que havia perdido.

Na velhice os cabelos ficam branquinhos, mas só fica com cabelo branco quem quer ou que gosta, porque existem inúmeras tinturas para colorir do gosto de cada pessoa. Estou até vendo jovens pintando o cabelo de branco, o tal “platinado”. Tem gente que acha que ao ficar idoso, a vida acabou. Ledo engano, também não vou dizer que está começando, comparando ao nascimento de um bebê, mas pode ser um lindo ciclo. E que pode ser visto como uma linda oportunidade pra se sentir grato por ter chegado a tal tempo da vida. Poder passar por diversas gerações. Assistir a inúmeros eventos que fazem parte da existência.

Quem teve a oportunidade de ter netos, ganhou mais tempo na terra de alegrias e descobertas, porque criança renova a esperança de qualquer ser humano. Ser vovó, vovô deve ser incrível! Retornar às brincadeiras com as crianças, ver o sorriso da sua continuação. Emoção demais!
Quero poder viver todas estas emoções e poder passar maquiagem por cima das minhas rugas e vestir umas roupas descoladas e bonitas. A velhice, ela chega pra mim, pra você, mas só será boa e proveitosa se quisermos buscar isso e viver toda emoção de cada fase da vida.

Velhice. Terceira idade. Idoso. O nome que é dado não precisa representar a sua idade mental, talvez a idade cronológica apenas. É uma questão de convenção esses números. E olha que tem muita gente dando de dez a zero em uma galera bem novinha que já anda cansada por tudo, reclama da vida e vira e mexe, estão mal humorados.

Cada época é um novo aprendizado, um novo amanhecer, um novo sol, uma nova vida pra ser vivida com muita gratidão. Mesmo que o “script” da vida não tenha seguido um curso esperado.

Tenha sido inesperado,
Despreparado,
Apenas contemplado,
Vendo a vida seguir,
Tudo se partir,
Ainda assim – há sempre algo novo e diferente pra se viver!
Basta querer!

Imagem: Pinterest

Colunista

Ana Cristina Vieira de Souza
(Cris da Rocha)

São Gonçalo – RJ
Professora d0 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental;
Formada desde 2007 em Pedagogia;
Especialização em Educação: Orientação Educacional, Supervisão e Administração Escolar, 2008;
Já atuou como Orientadora Educacional na rede pública de Ensino do Município de Itaboraí do 1º ao 9º ano;
Trabalha com crianças e adolescentes no Projeto Sala de Leitura, onde atua como professora de Literatura, estimulando crianças e adolescentes ao desejo e hábito de ler.
Atualmente é estudante do curso de Psicologia nas Faculdades Integradas – FAMATH, em Niterói.
Contato: prof-anacris@hotmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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