Cresci! E agora? – Questões a se pensar na hora da escolha profissional


Por: Amanda Santos de Oliveira 

Quando a gente nasce, as coisas são mais fáceis não é? Tem sempre alguém cuidando da gente e nos dizendo o que fazer e que caminho seguir. Entramos na escola e aí vem aquela longa jornada a percorrer. Durante muito tempo não nos preocupamos com decisões a tomar. Afinal, ano após ano, continuaremos ali e nossas preocupações são a de manter um bom rendimento e ficar longe de confusão. Mas, desde pequenos e chegando ao Ensino Médio mais ainda, ouvimos aquela velha pergunta: o que você quer ser quando crescer? Algumas pessoas desde crianças já se sentem atraídas, como que vocacionadas a algumas profissões e essas respondem rapidamente o que querem ser. Mas e quando a decisão não surge tão claramente, o que fazer?

Esse momento assombra diversos adolescentes e pais. Os adolescentes porque entendem a importância dela, mas não fazem ideia de como escolher em meio a tantas opções e pressões que permeiam essa resposta. Os pais porque temem muito a escolha, por preocupação com o futuro dos filhos ou por preconceito com alguns caminhos que podem ser tomados. O melhor caminho é tomar uma decisão inteligente e bem fundamentada, mas como?

O que eu devo fazer para o resto da minha vida?

Essa pergunta é assustadora não é? Mas, calma. Primeiro pense em fazer uma escolha assertiva e se lá na frente você descobrir que poderia ter escolhido algo melhor, é possível fazer uma troca. Claro que, escolhendo bem na primeira tentativa você poupará um tempo, mas não torne essa decisão tão irreversível. Pouquíssimas coisas na vida não têm volta e essa é uma das coisas que, com um esforço extra, você poderá voltar atrás.

Mas para escolher de forma inteligente é preciso levar em consideração alguns aspectos. Primeiro, pense que nesta hora você terá muitas pressões externas. Talvez, seu pai, sua mãe, sua avó, seus tios, seu irmão mais velho ou outro alguém que é uma referência na sua vida, sempre disse que você se daria bem se fosse um médico ou um advogado por exemplo. A primeira coisa que você deve levar em consideração é que por mais que essas pessoas te conheçam bem, não quer dizer que elas estão sugerindo a profissão certa. Isso porque, elas podem ter diversas referências e ideias em relação à profissão que não necessariamente se aplicam a você. Então, este será o primeiro passo que você deverá dar por conta própria e, infelizmente, nem sempre você terá total apoio daqueles que o cercam. Se a opinião de tais pessoas é extremamente importante para você, se prepare, pois você pode ir contra a algum desejo delas.

Depois de se preparar para isso, entenda que a sua profissão ocupará grande parte da sua vida. O trabalho hoje representa um papel muito central em nossa rotina. Se você parar para pensar, grande parte das ocupações exigem oito horas do nosso dia e podem chegar até as quarenta e quatro horas semanais. Muita hora não é mesmo? Então, o ideal é que você escolha algo que esteja alinhado ao seu projeto de vida. Você já tem um desses?

Esse projeto consistirá em um plano que você quer para a sua vida. Parece simples, mas para construí-lo você deverá levar em conta diversos fatores e alguns deles são difíceis de controlar, como fatores econômicos e sociais. Segundo os autores Almeida e Pinho (2008) [1], a família também será muito importante nessa produção. Isso porque, ela tem um papel importante na sua realidade e deverá ser levada em conta. Nela você também encontrará alguns exemplos e poderá construir com mais facilidade seus próprios padrões e desejos no que diz respeito à vida profissional.

Mas é muito importante que você esteja atento aos seus interesses, aptidões e habilidades. Isso porque, devido à cultura em que vivemos, muitas vezes as questões mercadológicas são colocadas acima de quaisquer outros fatores. Entenda, o dinheiro e as formas de renda são realmente importantes, mas não são os únicos fatores a serem considerados. Caso você faça sua escolha apenas fundamentada em padrões financeiros, você pode se ver preso em uma ocupação que não tem nada a ver com você e consequentemente não te fará feliz. Além disso, pessoas que se ocupam de atividades que não estão no seu perfil estão mais propensas a sofrer de estresse, desmotivação e tantos outros problemas que assolam o mundo profissional.

Como ter certeza?

Pesquise e muito! Hoje temos muita facilidade no que diz respeito à coleta de informações. Então, use isso ao seu favor. Pesquise as opções que estão em sua mente e tente entender ao máximo como é a vida de uma pessoa que exerce essa profissão. Fazendo essa pesquisa você não conseguirá entender completamente como será, mas quanto maior a qualidade das informações que você encontrar, mais perto você chegará da realidade.

Para pesquisar, busque informações de áreas de atuação, renda média, concursos públicos, jornada de trabalho, dentre outros. Cave mais fundo! Isso porque se colocarmos em um aplicativo de busca, por exemplo, “o que um psicólogo faz” as respostas virão, mas muitas estarão descritas de forma bastante superficial. Então use o resultado de sua pesquisa para mais pesquisas. A renda e a jornada de trabalho também são importantes dados a serem pesquisados. Isso porque os resultados podem não condizer com seu projeto de vida. Por exemplo, se você gostaria de viajar muito em seu futuro, talvez se você se tornar médico e trabalhar em um consultório, essa realidade seja um pouco mais difícil. Portanto, durante a pesquisa tenha em mente seus objetivos.

E na hora de escolher a faculdade?

A primeira dica que posso te dar é: estude bastante para o ENEM e os vestibulares que vai prestar. Parece óbvio, mas seu rendimento aumentará ou diminuirá suas opções. Então não pense em fazer o mínimo para passar, se esforce para poder escolher depois. Neste caso, a questão financeira provavelmente estará em pauta. Portanto, em caso de possibilidade de ingressar em uma instituição particular, pesquise o preço dos cursos, oportunidades de bolsa, financiamento estudantil e fique de olho nos programas do governo para tal.

Resolvida essa parte, não basta escolher uma faculdade renomada e perto da sua casa, por exemplo. Realmente, a fama da instituição no mercado faz diferença, mas, além disso, pesquise a fundo a estrutura do curso oferecido, quais são as matérias que você vai cursar, qual a estrutura da faculdade (laboratórios, bibliotecas e demais espaços). Talvez você pense que não seja a hora de se preocupar com isso. Mas saiba que os cursos, apesar de te formarem para mesma ocupação são muito distintos de uma instituição para outra. Pesquisando, talvez você se interesse mais pelo curso de uma determinada faculdade do que de outra.

E aí, o que achou das dicas? Se você está no momento de fazer esta escolha, mãos à obra. Realmente a decisão é muito importante e para ela você deverá estar munido de informações e muito apoio. Lembre-se que existem opções de orientação profissional aplicados em ambiente clínico que também podem te auxiliar, e muito, neste processo árduo que você tem pela frente. Então, com informações, coragem e muito apoio, você vai chegar lá!

Imagem: Pinterest

Referência:

[1] ALMEIDA, Maria Elisa G. Guahyba; PINHO, Luis Ventura de. Adolescência, família e escolhas: implicações na orientação profissional. Psic. Clin., Rio de Janeiro, vol. 20, nº 2, p.173-184, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pc/v20n2/a13v20n2&gt;. Acesso em 10 de Jan. de 2017.

Colunista:

Amanda Santos de Oliveira
CRP 04/43829

Psicóloga Graduada pela PUC Minas, atuante na área clínica em Belo Horizonte, oferecendo psicoterapia individual para adultos
Contatos:
psi.amandaoliveira@gmail.com
Facebook: facebook.com\psi.amandaoliveira
Instagram: @psicologabh

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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