Você não é tão importante assim


Por: Maria Fernanda Medina Guido

Antes que você comece a me amaldiçoar, permita-me explicar, até porque provavelmente não nos conhecemos pessoalmente rs. Este texto com certeza foi escrito para você, para todos vocês. Essa é uma das coisas mais libertadoras que já aprendi e por isso resolvi compartilhar.

Sempre fui muito crítica comigo mesma em todos os sentidos. Vivia numa briga interna e constante para que nada saísse errado, nada tivesse falhas. Porém, obviamente os erros aconteciam e quando ocorriam eu me martirizava horas a fio por não me conformar com a tal gafe cometida.

Há muitos anos atrás fui a uma festa e exagerei um pouquinho na bebida, nada demais. No dia seguinte, eu estava desolada, sofrendo, me consumindo com o que as pessoas deveriam estar pensando de mim naquele momento, como eu havia me permitido perder o controle? Como? Foi um martírio e o problema é que os dias passavam e a raiva de mim mesma só aumentava, até chegar o dia da terapia.

Contei o ocorrido para a minha psicóloga na época e ela me respondeu “você não é tão importante assim”, me explicando que essa autopunição era inútil, já que depois de dias seguidos, ela havia passado de aprendizado para tortura, ou seja, repetir o acontecimento sem parar em minha mente, não teria outra função a não ser me machucar.

A princípio fiquei muito ofendida com essa frase. Como assim não sou importante? Sou sim! E fui embora brava para casa. Mas logo em seguida compreendi o que de fato ela havia me explicado. Sim, sou importante, mas não a ponto das pessoas que convivem comigo ou me conhecem perderem seu sono ou passarem seus dias pensando em mim porque eu tomei uma cerveja a mais numa festa, onde praticamente todas as pessoas fazem isso. Muito provavelmente elas me viram, analisaram a situação, tiraram suas conclusões e ponto final, não sou uma celebridade para me tornar assunto nacional, não havia feito nada que merecesse um vídeo rodando na internet e eu gostando ou não, as pessoas tem mais coisas para fazer ou pensar a ficarem lembrando de mim.

Ao contrário do que pode parecer, isso não foi um golpe duro em minha autoestima, isso foi extremamente libertador! E desde então repito essa frase para mim mesma quando percebo que estou exagerando nas autocríticas e tem funcionado muito. Divido isso com meus pacientes e com o tempo percebo que eles também se sentem mais leves, porque de fato é libertador, diminuir a criticidade consigo mesmo aumenta a tranquilidade na hora de agir, ou depois de se ter agido de uma maneira que não era a planejada. Veja bem, isso não quer dizer que não é preciso analisar seus comportamentos, é preciso sim. Mas se já foi analisado, já foi visto aonde errou, o ideal é se focar em não cometer mais esse erro e pronto. Isso é aprender com os erros. Passar dias se torturando porque enviou um e-mail ao seu chefe com uma vírgula a mais não promoverá seu crescimento interno, acredite.

Então, a minha sugestão para quando você cometer um erro ou até mesmo quando você estiver esperando muita desaprovação dos outros por algo é pensar que você não é tão importante assim. Não tem problema se você deu uma bola fora no último churrasco, já foi, as pessoas que estavam lá com certeza nem se lembram mais disso e ponto final. Não se torture tanto assim, você não merece!

Imagem: Pinterest

Colunista:

Maria Fernanda Medina Guido
Psicóloga – CRP 06/96825

Psicóloga formada pela Universidade Metodista de Piracicaba em 2006, especializada em Gestão de Pessoas pelo IBMEC, com mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos, atendendo individualmente adultos na abordagem Gestalt Terapia nas mais diversas queixas, desde 2012 em clínica particular e convênios.
Contatos:
http://www.mfernandapsicologa.com.br
(11) 97452-5200
e-mail: contato@mfernandapsicologa.com.br
Facebook.com/psicologamfernanda

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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7 opiniões sobre “Você não é tão importante assim”

  1. Que texto muito excelente!!!
    Acredito que a repetição de boas atitudes pode implicar em boas consequências, mas se for repetir más atitudes, pode causar más consequências. Assim, ambas atitudes dependem de pessoas. Sei que as repetições comuns ocorrem na vida cotidiana assim.
    Parabéns….

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