Conhecer e trabalhar as emoções


Por: Danilo Ciconi de Oliveira

Por que sentimos o que sentimos? Como as nossas emoções afetam o nosso dia-a-dia? O que eu posso fazer para transformar o meu humor?

Nossa Saúde Emocional depende do conhecimento dessas “amiguinhas” que estão o tempo todo sobrevoando a nossa “cabeça” e o nosso “coração”.

Então vamos conversar sobre as nossas Emoções…

1) Função Adaptativa

Todas as nossas emoções têm uma função, uma razão de ser. Não existe nada “programado” no nosso comportamento de que não necessitemos, em condições específicas.

Podemos citar, como exemplo, o medo. O medo é um comportamento extremamente adaptativo, se considerarmos que, por meio dele, não nos expomos a situações reais de perigo. Você não sai dirigindo seu carro a 300 km por hora, porque percebe os riscos que tal situação representaria. Ao estar diante de um cachorro grande e enfurecido, automaticamente se põe a correr, tentando esquivar-se do animal, pois reconhece nele uma ameaça. Sem o medo, estaríamos vulneráveis a diversas situações nocivas para a nossa saúde e para a nossa vida. Logo, o medo não é tão somente necessário, como é, também, uma emoção positiva. O ruim, portanto, não é ter medo, mas é não o ter ou tê-lo de forma exagerada. Seguindo a linha de raciocínio de antes: o exagero seria ter medo de dirigir em qualquer situação ou entrar em pânico ao estar em contato com qualquer que seja o cachorro, ainda que pequeno e inofensivo.

O problema com as nossas emoções está na medida delas, no seu desequilíbrio: falta ou excesso. A saúde emocional consiste em viver as emoções na medida certa e está relacionada com a homeostase (equilíbrio) do corpo humano.

Se há um desequilíbrio instalado, é preciso procurar compreender qual a sua função na vida da pessoa. E, a partir disso, dentro de um processo psicoterápico, ajudá-la a estabelecer estratégias que tornem o seu comportamento e a suas vivências emocionais mais funcionais e adaptativas.

2) Dimensão Visceral (nível do corpo)

As nossas emoções, a princípio, são constituídas apenas por sensações físicas que só depois são associadas a um significado característico, a partir do qual interpretamos o mundo.

A criança pequena constrói toda a sua experiência de mundo a partir das sensações corporais que vivencia. Sente, por exemplo, um desconforto na barriga e chora, sinalizando que algo não está bem (um “algo”, até então, inominado). Conforme vai crescendo, vai aprendendo a nomear a sensação de desconforto no estômago com a palavra “fome”. Desse modo, a experiência visceral adquire sentido, ao passo que a criança vai apreendendo a linguagem e a cultura na qual está inserida.

A implicação prática de se refletir acerca da dimensão visceral das emoções é que, a partir dos indicadores corporais, nós podemos reconhecer e manejar as emoções que experimentamos nas situações do dia-a-dia. Se eu reconheço os indicadores físicos de um estado de ansiedade (respiração afobada, movimentos rápidos e espontâneos dos membros, inquietude, tremor, suor frio, etc.), sou capaz de utilizar contraestratégias (exercícios de respiração, por exemplo) que me permitam controlar e trabalhar a ansiedade, antes que meu estado piore.

Assim, se atentar a esta dimensão corpórea das emoções é essencial para que consigamos lidar com elas no nosso cotidiano, especialmente no tocante às consequências comportamentais dos nossos estados emocionais.

3) Relação com nossos hábitos

É sabido, ainda, que o nosso estilo de vida incide diretamente sobre as nossas emoções. Afinal, a emoção é também um processo fisiológico de produção, liberação e ajuste de neurotransmissores e de ativação de áreas cerebrais específicas.

Assim, cuidar da saúde do corpo significa concomitantemente assegurar a qualidade da nossa saúde emocional.

Destaco, aqui, o cuidado dispensado à alimentação e ao sono, duas funções do organismo que afetam e, ao mesmo tempo, são afetadas por nossos estados emocionais.

Não há como o corpo manter o equilíbrio físico e emocional se não tiver o material necessário para essa manutenção: os nutrientes presentes nos alimentos. Do mesmo modo, diversas reações do organismo ocorrem durante o descanso noturno, em horários característicos e em estágios específicos do sono. De uma boa noite de sono depende o nosso humor no dia seguinte.

Nossos hormônios também afetam nossas emoções. Exemplo claro disso é a famigerada “tensão pré-menstrual” (TPM) pela qual passam algumas mulheres no período que antecede o início do ciclo menstrual.

A atividade física regular também colabora intensamente para a melhora da nossa qualidade de vida e para a nossa saúde emocional.

4) Influências sobre o Comportamento

Por fim, nossas emoções influenciam diretamente o nosso modo de agir (comportamento) e os nossos pensamentos. Emoção, cognição (pensamento) e comportamento estão em contínuo relacionamento, afetando e sendo afetados uns pelos outros.

Se os meus estados emocionais são marcadamente ansiosos, por exemplo, eu tendo a agir como uma pessoa vulnerável (fuga de situações novas, dificuldade em tomar decisões, pouca tolerância à frustração, pouca ou nenhuma inserção em grupos sociais, etc.) e as consequências desse comportamento (isolamento social, perda de oportunidades, insucesso pessoal e profissional, etc.) acabam confirmando a minha crença pessoal de vulnerabilidade. Como consequência disso, a ansiedade tende a se intensificar. Dá-se início a um ciclo, que se retroalimenta, e que me faz vivenciar emoções cada vez menos funcionais.

Avaliar, reconhecer e lidar com as próprias emoções é, portanto, uma forma eficaz de promover mudanças comportamentais significativas e duradouras.

Atualmente, estamos deixando de cuidar de nossas emoções. A correria da vida moderna nos distancia da nossa essência. A promoção da saúde emocional é uma jornada de autoconhecimento que passa invariavelmente pelas formas como sentimos e lidamos com o mundo e com as nossas experiências cotidianas.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Danilo Ciconi de Oliveira
CRP 06/123683

Psicólogo (USP), graduando em Pedagogia – Licenciatura (Claretiano) e especialista em Psicopedagogia (Uninter).
Sua trajetória profissional se destaca especialmente pela atuação junto a adolescentes e jovens. Como educador, dedicou-se a intervenções socioeducativas com adolescentes judicializados e, atualmente, à formação/treinamento de jovens em contextos de aprendizagem corporativa, assim como à docência no ensino superior.
Sua formação complementar é marcada por atividades formativas relativas a programas de prevenção e intervenção psicossocial na juventude e a questões atinentes ao processo ensino-aprendizagem, particularmente no tocante às novas tecnologias de ensino e à contextos organizacionais de educação. 
Atua na cidade de São João da Boa Vista – SP.
Contato:
Blog: http://desenvolverpsi.blogspot.com.br/.

E-mail: danilociconipsi@gmail.com.
Linked in: https://br.linkedin.com/in/danilo-ciconi-de-oliveira-256090a4.

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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