Do luto à luta


Por: Cristiane Dias Salvadori

Este é o título de um documentário que traz entrevistas com pais de crianças com Síndrome de Down, com especial atenção à reação destes à notícia de que seus filhos apresentam uma deficiência.

Tal título sempre me vem à lembrança quando penso que este é um caminho a ser percorrido por cada família quando recebe o diagnóstico de que seu filho tem alguma deficiência. E este caminho de conseguir transformar o LUTO em uma LUTA nem sempre é fácil, ele é marcado por sentimentos de culpa, de fracasso, de impotência.

O luto está relacionado a tudo aquilo que sonharam e idealizaram para este filho, e que precisará ser ressignificado. Fazem parte desse processo a negação, a não aceitação das limitações que a patologia impõe a essa criança, e por isso é comum os pais fazerem uma peregrinação em especialistas em busca da cura. Situação esta que gera muita aflição, angústias e dúvidas.

Muitas vezes os pais passam a se dedicar somente ao filho, esquecendo de cuidar de si e do relacionamento, motivo pelo qual em algumas situações acontece a separação, ficando normalmente a mãe com a guarda, sentindo-se sozinha e sobrecarregada.

E quando existem outros filhos? É comum ficarem em segundo plano, pois as atenções e cuidados passam a ser ao irmão com deficiência, gerando um sentimento de abandono e revolta. Também é comum se sentirem responsáveis pelos cuidados com o irmão, assumindo responsabilidades que não lhe pertencem, sendo esta tarefa muito árdua e pesada. Por isso, é importante dar atenção aos laços fraternos, pois eles também sofrem com a chegada de uma criança com deficiência.

É fundamental que os profissionais que recebem estes pais possam escutar a dor que eles carregam, dor esta que muitas vezes se manifesta através da revolta. Poder escutá-los significa auxilia-los no processo de elaboração deste luto, possibilitando que aos poucos o filho ideal vá dando espaço para a aceitação do filho real, com suas limitações e potencialidades, conseguindo, então, perceber essa criança para além da sua deficiência, e sim um sujeito com possibilidades. Um dos maiores exemplos que temos deste processo de conseguir transformar o LUTO em uma LUTA é o que assistimos nos jogos paralímpicos.

Então, como profissionais da área da saúde ou qualquer outra área profissional que tenha em suas mãos essa possibilidade de auxiliar estas famílias a trilhar este caminho de transformar o LUTO em uma LUTA, precisamos ampará-los nesta trajetória.

Imagem: Pinterest

Colunista

Cristiane Dias Salvadori
CRP 07/10857

Psicóloga Clínica e Educacional
Especialista em Neuropsicopedagogia e Educação Especial Inclusiva
Contato:
(51)99914-3842
Email: cris.salvadori@yahoo.com.br

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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