A adolescência chegou e agora?


Por: Ana Rafaela Bispo da Costa

Se você leu o título desse artigo e não sentiu um arrepio na coluna, muito provavelmente ainda não tem convivência com filhos nessa idade, ou algum parente mais próximo, ou até mesmo não trabalha com essa faixa etária e, portanto, não há muito com o que se preocupar.

Por outro lado, você que correu para ler o artigo desesperado para entender o que ocorre nessa fase tão marcante da vida, provavelmente tem proximidade com essa figura adorável que é o adolescente.

Sim, defino dessa forma por não encontrar outra que melhor os resuma. São figuras porque ora se mostram maduros, ora se mostram bebês, ora dão um trabalhão no percurso da vida, ora ajudam nos deveres domésticos, ora reclamam e se rebelam, ora querem ser como os pais.

Talvez outra palavra defina essa fase, seria conflito?

Todas essas características tem uma razão e podem sim gerar um conflito, ou vários. A adolescência é um período de transição, é o momento que as crianças começam a deixar sua identidade infantil para construir sua identidade adulta. O primeiro sinal são as mudanças corporais, hormonais e, consequentemente, emocionais.

Não é tão simples para o adolescente lidar com essas mudanças, pois nessa fase começa a perceber a maturação de seu corpo, preparando-se para a vida adulta e para a vida reprodutiva.

Alguns têm mais dificuldade em aceitar essas mudanças e entendê-las e aí que começam as mudanças no comportamento. Afinal o adolescente vive o luto da perda de seu corpo e atitude de criança para começar a construir sua atitude e corpo de adulto.

Para os pais, geralmente, a aceitação também não é tão natural. Afinal aparece a mudança de atitude do filho, que, vendo-se como adulto assim como os pais, sente-se no direito de indagar e questionar, o que pode gerar conflitos.

Nesse momento os conflitos podem ser evitados se os pais tiverem em mente que esse embate é essencial para que o adolescente passe pela transição de forma saudável e madura. Porém, de alguma forma, os pais, que já foram adolescentes, acabam por reviver seus conflitos, sucessos e fracassos e isso prejudica no trato com o filho se não souber separar as duas situações.

Então olhe para você e seja honesto. Perceba se realmente está tão incomodado com seu filho ou se o que ele está vivendo está te obrigando a reviver fatos não tão bons ou assuntos que já tinha dado por encerrados.

Com a maturação reprodutiva surge nessa fase a busca pelo par, os primeiros namoros e a nova realidade de que já está biologicamente pronto para esse momento. A sexualidade que estava latente se aflora e o processo de amadurecimento natural da vida se inicia.

Olhando pelo ponto de vista paterno e materno é fácil evidenciar o choque que essa realidade pode causar, ontem uma criança, um pré-adolescente, hoje um adolescente iniciando uma realidade de adultos.

Aqui é essencial que pais identifiquem seus próprios conflitos quanto ao assunto para que não deixem de orientar e ensinar. Colocando limites e dando liberdade, nesse constante movimento de segurar e soltar os filhos para que trilhem o melhor caminho.

Entenda que eles estão buscando muitas respostas nesse momento, buscam a aceitação de si mesmo através da mudança corporal, buscam a aceitação de que estão sendo inseridos na vida adulta, e a transição da fase infantil e dependente dos pais para uma fase adulta e mais independente. E os pais tem papel fundamental para essa maturidade, e devem colaborar com o processo. A partir daí é estabelecida uma nova relação entre pais e filhos, e entre adolescentes e o mundo.

O que é importante entender é que todas essas mudanças geram sentimentos de desconfiança, incompreensão e conflitos entre dependência e independência. Portanto, é fundamental saber lidar com isso e saber a hora de dar liberdade e a hora de não fazer.

Segundo Aberastury:

“A adolescência é o momento mais difícil da vida do homem e necessita uma liberdade adequada, com a segurança de normas que sigam ajudando-o a adaptar-se sem entrar em conflitos graves com seu ambiente e com a sociedade”.

Ou seja, se mudar o foco de visão para a definição acima, acredito que se torne mais fácil a compreensão dessa fase, a convivência com os adolescentes e o apoio para seu crescimento e amadurecimento.

Imagem: Pinterest

Colunista:

Ana Rafaela Bispo da Costa
CRP: 06/95603

Psicóloga pela UMESP
Pós Graduada em Especialização em Informática em Saúde pela UNIFESP
trabalha no auxílio ao desenvolvimento de crianças e adolescentes e suas famílias,
atuando na região do ABCD.
Contatos:
(11) 982172197
ana_rafaela_24@hotmail.com

anacosta.psicosaude@hotmail.com
Facebook: Infância e Adolescência e os seus desafios na Família

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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