Um olhar reflexivo sobre o papel do Psicólogo na Assistência Social


Por: Patrícia Franklim

O trabalho do psicólogo em políticas públicas amplia a visão que este tem da realidade da maioria da população local; como também o capacita para o enfrentamento das situações de riscos e para a criação de potencialização dos vínculos sociais. Dentro da política assistencial o seu papel se firma numa conduta empática e promotora de autonomia, a partir da aceitação do outro e da compreensão de suas experiências individuais, muitas vezes geradoras ou mantenedoras de um adoecimento social.

O psicólogo dentro dos Centros de Referência de Assistência Social- CRAS tem papel importante na vida da comunidade, conscientizando-a de sua verdadeira identidade desmistificando a ideia de pessoas desfavorecidas, garantindo o protagonismo de suas ações e promovendo a ‘cura’ social.

Somente uma experiência “in lócus” nos permite perceber que a efetividade da práxis psicológica parte do pressuposto de aceitação de cada indivíduo, provido de escolhas e experiências próprias; da tentativa de compreender a dinâmica coletiva a partir dos aspectos singulares carregados de historicidade que é moldado pelo ambiente em que interage e que molda este mesmo ambiente mediante sua subjetividade.

Dito isto, é possível fazer do contato uma real interação; contribuindo para a prevenção dos riscos de adoecimento social; favorecendo o nosso próprio crescimento profissional no estabelecimento de compromisso ético/político/social tendo o seu ‘despertar’ no ápice do vínculo criado no campo da assistência social presente na rotina do CRAS.

É necessário ainda lançar sobre a comunidade um olhar mais direcionado, intensificado, livre de padronizações, numa tentativa de exprimir conduta de aceitação pela realidade de cada um, pelo respeito à historicidade do sujeito e à sua subjetividade.

Diante destes ‘cuidados estratégicos’ foi que tornei mais acessível essa ‘invasão’ ao universo particular do outro, numa atitude empática consegui produzir essa observação mais analítica de muitos aspectos presentes na rotina desta comunidade; a partir desse ‘desmembramento’ de valores estabelecidos culturalmente, me apropriei melhor das ferramentas psicológicas pertinentes para estabelecer o vínculo suficiente com o público escolhido.

Atuar em assistência social não é só estar num espaço do outro promovendo o assistencialismo; é muito mais que isso, é sair de si e ir ao encontro do outro, é olhar para um ser dotado de dignidade e que necessita se apoderar de sua cidadania, de algo que lhe pertence; alguém que precisa estar esclarecido quanto ao seu pertencimento e parte integrante do funcionamento do sistema. Não falo da massa, que cala e se assujeita ao papel de abastados; falo do sujeito social que é protagonista nesta ou em qualquer outra comunidade, porque o que lhe garante esta realidade é a constituição, conquistada por lutas sociais e regida por lei.

O espaço dos Centros de Referências de Assistência Social existe primordialmente para potencializar as habilidades sociais dos envolvidos e promover a autonomia dos mesmos, evidenciando o aspecto influenciador deles, enaltecendo o sentimento de pertencimento ao meio em que está inserido. É ainda um meio em que se permite a construção de vínculos e relações interpessoais carregando consigo um valor político de interação social, no qual se firma grandes parcerias e possibilidades de crescimento para sujeitos em construção; é um espaço de agregar valores e unificar saberes, partilhando experiências e se integrando para o alcance da autêntica liberdade, a qual permitirá o poder de decisão do sujeito, livre e esclarecido.

Imagem: Pinterest

Patrícia Franklim
CRP 19/2857

Psicóloga formada pela Faculdade Pio Décimo. Possui capacitação na área de Psicologia da saúde no atendimento adulto às gestantes e puérperas; e no Sistema de Prevenção e tratamento do Uso abusivo e Dependência de Substâncias Psicoativas. Experiência na área social com ênfase em relações grupais e dinâmicas de grupo. Tem experiência clínica em relacionamentos e auto-estima. É ainda idealizadora e responsável técnica dos projetos: “Positive-se: desenvolvendo relações mais humanas” e “MaternaPsi: gestando emoções”. Atende em Aracaju- SE
Contatos:
(79) 998418181 / 999016523
E-mail: patriciapsiacp@gmail.com
Facebook: Patrícia Franklim Psi
Instagram: @patriciafranklimpsico

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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