Inveja: Quem nunca?


Por: Maria Fernanda Medina Guido

Segunda-feira de manhã. Você que foi arrastado para o trabalho e já se perguntou 5 vezes na última hora porque não enviou seu currículo para aquela vaga que te indicaram, resolveu entrar numa das redes sociais que segue para se distrair. A primeira foto de sua linha do tempo é daquele seu amigo de infância, que sempre tirou as melhores notas, namorou as pessoas mais populares do Colégio e já está milionário aos 30, passando férias na Tailândia, sorrindo, com o abdômen mais trincado que você já viu. Imediatamente você sente uma raiva que te domina e você sem perceber se pega desejando que um tsunami destrua a região onde ele está. Tirando o tsunami rs, quem nunca?

Inveja. O sentimento mais sentido e menos assumido pelas pessoas em todo mundo. Em uma pesquisa recente, 96% dos brasileiros declararam se sentirem invejados, mas quando os mesmos 96% foram questionados sobre se sentiam inveja dos outros, responderam que não. Não precisa ser muito bom em matemática para perceber que essa conta não fecha. Ou seja, eles mentiram, nós mentimos. Mentimos porque sentir inveja é feio, pega mal. Mas todos nós já sentimos pelo menos uma vez na vida. Existem diversas teorias sobre o assunto, tem quem divida inveja em categorias, boa e ruim, tem quem defenda que a “boa” na verdade seria cobiça, onde o sucesso do outro te faz querer ser melhor e a “ruim”, onde você não pensa em progredir, só deseja o mal a quem conseguiu mais que você, tem quem a veja somente pelo lado negativo.

A reflexão que proponho vale para qualquer crença. Primeiro precisamos ter claro e 24 horas em nossa mente que em se tratando de redes sociais, a maioria das pessoas só mostra o melhor delas. Ninguém posta a fatura do cartão de crédito vencida, só a foto da sobremesa caríssima do restaurante de luxo. Então por favor, você que tem essa tendência a acreditar que todo o Universo está em festa e somente você em decadência, entenda essa premissa, rede social é vitrine. E em vitrine só se põe o que se quer vender. Vendemos o que queremos ser, o queremos ter, o que queremos que os outros acreditem que vivemos. Então um pouquinho de bom senso e análise racional antes de praguejar aos céus que só você não é feliz é sempre bom.

O segundo ponto é pensar por quais razões a vitória do ciclano te incomoda tanto. Se uma pessoa que você admira ou faz parte da sua vida conquistou algo, não era para você estar feliz? Por que não está? Provavelmente porque quem gostaria de estar no lugar dessa pessoa era você. “Porque quem deveria ter recebido a promoção era você”, “quem deveria ter sido homenageado pelo tio avô era você” entre tantas outras afirmações advindas do nosso EU inflado de todas as horas. Tudo bem quanto a isso. Mas ao invés de torcer para que um tsunami destrua a Tailândia não seria mais produtivo rever a sua vida, seus comportamentos, e o que te impede de chegar aonde se quer?

Outro dia li em algum lugar “as pessoas querem ter o que você tem, mas quando sabem o preço que você pagou, desistem”. Não existe mágica. A grama do vizinho é sempre mais verde porque ele cuida dela. E é só isso. Poucas pessoas conquistam o que querem sem esforços. A maioria rala muito para consegui-los. O que você precisa fazer para chegar lá independente qual seja o seu objeto de desejo? Abandonar o comodismo, a preguiça, dizer adeus à zona de conforto, ser corajoso para romper com o que você já sabe que já deu o que tinha que dar. Não existe barriga negativa sem horas de abdominais. A próxima vez que alguém de biquíni te provocar fúria, pense: “se a minha não é assim é porque as minhas escolhas me trouxeram até aqui”. Sentir inveja da fulana não resolve. Só você pode fazer alguma coisa para a situação mudar, ninguém mais. E como diz uma psicóloga que gosto muito chamada Flávia Melissa, “Incomodou, doeu? Leva pra casa que é seu”.

E como fazer para parar de se sentir tão incomodado com sucesso alheio? Se preocupando mais com sua vida, se comparando menos aos outros, trabalhando com afinco para que sua realidade seja mais próxima do que você quer e sobretudo acreditando em seu potencial, todo mundo pode ter a vida que deseja só precisa estar disposto a lutar por ela.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Maria Fernanda Medina Guido
Psicóloga – CRP 06/96825

Psicóloga formada pela Universidade Metodista de Piracicaba em 2006, especializada em Gestão de Pessoas pelo IBMEC, com mais de 10 anos de experiência em Recursos Humanos, atendendo individualmente adultos na abordagem Gestalt Terapia nas mais diversas queixas, desde 2012 em clínica particular e convênios.
Contatos:
http://www.mfernandapsicologa.com.br
(11) 97452-5200
e-mail: contato@mfernandapsicologa.com.br
Facebook.com/psicologamfernanda

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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