Transtornos Psicológicos associados à infância: TDAH


Por: Camila M. Fernandes

Da série sobre Transtornos psicológicos associados à infância, o tema desse artigo será o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade).

O TDAH tem como característica principal um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade que interfere no funcionamento e no desenvolvimento da criança. É considerado um transtorno multifatorial, envolvendo tanto fatores neurobiológicos como ambientais. Geralmente os sintomas surgem na infância e podem persistir até a fase adulta. Em 50% dos casos os sintomas aparecem antes dos 7 anos de idade (geralmente entre 5 a 7 anos).

Os tipos de TDAH são:

– Predominantemente desatento
– Predominantemente hiperativo-impulsivo
– Combinado (que é um pouco dos dois).

Vale lembrar que nem todo paciente com TDAH têm hiperatividade. Na hiperatividade o comportamento inquieto não vem sozinho, trás também dificuldade com a memória de trabalho ou operacional.

Com relação aos sintomas, precisam persistir por pelo menos 6 meses, e ter impacto negativo de forma direta nas atividades sociais e acadêmicas.

Segue alguns sintomas para diagnosticar o TDAH:

– Frequentemente não presta atenção em detalhes ou comete erros por descuido em tarefas escolares;
– Frequentemente tem dificuldade para organizar tarefas e atividades;
– Com frequência é facilmente distraído por estímulos externos;
– Frequentemente levanta da cadeira em situações em que se espera que permaneça sentado;
– Com frequência “não para”, agindo como se estivesse “com o motor ligado”.

No TDAH há algumas comorbidades, ou seja, a ocorrência de um ou mais transtornos ao mesmo tempo. Os que mais aparecem no TDAH são: o transtorno opositor desafiador, depressão, transtorno de humor bipolar, autismo, TOC, problemas de aprendizagem e ansiedade.

OBS: vale relembrar que nem toda criança com TDAH tem problemas de aprendizagem, ela é apenas uma das comorbidades que podem aparecer junto com o TDAH, não significa que todos tenham.

Não há exames para diagnosticar o TDAH, pois envolve questões de cognição, problemas de aprendizagem, e para isso não há exames para fechar diagnóstico. É necessário observar a criança em casa, na escola e nas atividades sociais e associar os prejuízos que a criança pode ter nessas áreas.

Para uma boa avaliação é necessário o acompanhamento de uma equipe interdisciplinar, começando por neurologista ou psiquiatra infantil, que pode, se necessário, medicar com estimulantes, e essa medicação não dopa e nem vicia. Também é necessário uma intervenção com terapia comportamental, para ajudar com a psicoeducação e ajudar a criança para criar estratégias e se adaptar as suas dificuldades. Também é necessário suporte escolar e familiar, pois é preciso que a criança possa receber apoio em suas lacunas de conteúdo e suas dificuldades de se organizar. Além desses especialistas, é válido o acompanhamento com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo entre outros.

Também pode ser necessário uma avaliação neuropsicológica, para verificar as funções executivas e todas as áreas afetadas, com isso em mãos, o direcionamento para qualquer tratamento é mais eficaz.

O TDAH durante muito tempo foi considerado apenas um transtorno da infância, mas hoje em dia sabe-se que muitos casos persistem até a fase adulta.  Quanto antes começar o tratamento, melhor é o prognóstico.

Referências:

PETERSEN, C. S.; WAINER, R. Terapias Cognitivo-Comportamentais para crianças e adolescentes. 1ª Ed. Porto Alegre, 2011.

Manual Diagnostico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-V-, 5ª Ed, Artmed, 2014.

CORDIOLI, A.V. Psicoterapias- Abordagens Atuais. 3ª Ed. Porto Alegre, 2008.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Camila M. Fernandes
CRP: 06/109118

Psicóloga Clínica. Formada pela Universidade São Judas Tadeu.
Aprimoramento Clínico na Abordagem Cognitiva pela Universidade São Judas Tadeu.
Atendimento no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo-SP
Contatos:
E-mail: psico.camilamartins@gmail.com
Facebook.com/psicocamilafernandes


**Nota: É importante lembrar que nem toda criança agitada ou desatenta apresenta o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, pois a agitação e desatenção podem ser sinais apenas do desenvolvimento comum da infância, ou ainda estarem ligados a outros eventos marcantes na família, na escola ou outros (como traumas, dificuldades, separação dos pais, mudanças, etc), o que também necessita de apoio psicológico. Por isso é muito importante ter atenção às reações da criança e procurar profissionais capacitados para avaliá-la adequadamente.**


*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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