O problema são os outros?


Por: Juliana Lima Faustino

Como você lida com pessoas difíceis? Algumas pessoas simplesmente se afastam delas, preferem viver isoladas a conviver com os defeitos de outra pessoa. Por outro lado, há quem conviva com os problemáticos, mas a custo de tentar mudá-los. Mas, quem é que nunca tentou de alguma forma, mudar o jeito de um amigo ou a forma de se comportar de um parente? Essa necessidade está em nós, sentimos essa urgência de tirar o argueiro do olho do nosso próximo quando, quase sempre, existe uma trave no nosso. O resultado desse penoso trabalho só pode ser a frustração, talvez não exista nada mais difícil que tentar mudar alguém.

Por causa da nossa dificuldade em lidar com os que nos incomodam, muitas vezes, revidamos e reagimos de forma a atacar o outro. O problema é que, ao tentar resolver as coisas dessa forma, contribuímos para que o ciclo da intolerância e da violência se perpetue, pois quando somos atacados somos tentados a pagar na mesma moeda.

O que fazer então para não sermos consumidos emocionalmente por pessoas difíceis de conviver? Primeiramente, é entendendo que somos também pessoas com muitos defeitos. Por mais compreensíveis e bons que sejamos nós, vez ou outra, erramos e frustramos outras pessoas. Isso parece simples de compreender, mas durante o processo terapêutico, por exemplo, é muito comum eu ouvir de pacientes coisas do tipo “Se minha mãe não fosse tão implicante minha vida seria outra”, “Ah, se meu marido não fosse tão mal humorado eu seria mais feliz”, “Eu estou doente por causa do meu pai”, são pessoas que não conseguem enxergar suas próprias questões e responsabilizam o outro por seus problemas. Mas, se não formos capazes de olhar para nós mesmos e ver o quanto precisamos mudar como queremos apontar as falhas de qualquer pessoa e exigir que ela mude?

Em segundo lugar, é preciso entender que não temos poder de mudar as pessoas, a arte de tolerar o outro, tem mais a ver com a capacidade de gerenciar as nossas próprias emoções do que tentar a todo custo mudar os outros. É preciso aprender a gerenciar as próprias emoções, treinar a capacidade de compreender o outro em lugar de julgar. Quando agimos de forma impulsiva, revidando e agredindo o outro, não trabalhamos o nosso lado altruísta e tolerante, deixamo-nos levar por nossas emoções descontroladas. Por outro lado, quando pensamos antes de reagir trabalhamos a capacidade de termos controle de nossas emoções e isso nos ajuda a sair do lugar de vítima, sair do lugar de onde o outro é quem tem o poder sobre nós.

Os momentos de raiva, estresse ou de humilhação são ótimas oportunidades de sermos criativos, de pensarmos outros caminhos para conduzir a situação. As relações humanas são dinâmicas, sempre que eu mudo o meu comportamento com alguém esse alguém também muda a sua forma de se comportar comigo. A questão é que achamos mais fácil nos livrar do outro ou tentar mudá-lo. Mas, praticar a tolerância exige mais esforço, requer abrir os olhos para quem somos e dar espaço para compreender o outro, requer desenvolver o domínio de si mesmo, ser menos exigente e radical. Conviver com pessoas é desafiador, mas talvez não haja experiência melhor do que essa que nos transforme no melhor que podemos ser.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Juliana Lima Faustino
CRP 05/43780

Psicóloga clínica (PUC-Rio 2008), terapeuta cognitivo-comportamental (Cepaf-RJ 2011), Psicóloga na ONG Pra Melhor. Experiência clínica no tratamento de transtornos de ansiedade, estresse, depressão, relacionamentos e transtornos alimentares.
Contatos:
Cel: (21) 98108-1978
E-mail: julianafaustinopsi@gmail.com
Fan Page: www.facebook.com/julianafaustinopsicologa
Blog: Cuidando das Emoções: www.psijulianafaustino.wordpress.com
Instagram: www.instagram.com/psico_juliana

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