A eterna culpa materna


Por: Daniela Knapp

A culpa é algo tão frequente em nossa cultura que ela quase nasce junto com os filhos quando uma mulher se torna mãe. Mas por que as mulheres se culpam tanto? Por que se cobram tanto a ponto de muitas acharem que não nasceram para serem mães?

A maternidade que experimentamos e construímos diariamente em nossa sociedade é aquela que se mostra em meio a um amor incondicional, um amor arrebatador e especial que precisa existir nessa  relação mãe e filho. E para que esse amor sublime aconteça a mãe se vê em uma condição de “ter que” fazer muita coisa. E é nessa frase tão sutil “eu tenho que ser/fazer” que se encontram as raízes da culpa materna.  Dependendo das situações vividas e da pessoa em questão, essa condição de culpa quase não se é percebida, mas em outras ocasiões ela aparece grandiosa como se o termo “mãe” tivesse que ser sinônimo da perfeição. Nesses casos a mãe sente que sempre está em dívida com seus filhos, que está sempre atrasada em relação ao que os filhos merecem dela.

Mas como podemos desconstruir esse conceito de perfeição materna tão impregnado na nossa cultura?

Simplesmente entendendo que a perfeição materna é uma tragédia para os filhos. Quando uma mãe se apresenta para os filhos como uma pessoa que não erra e que não pode errar, está passando a mesma mensagem para eles, ou seja, essa mãe está transmitindo aos filhos que eles também não podem errar. Além disso,  em muitos casos os filhos se veem como pessoas inferiores a essa mulher perfeita e, consequentemente, incapazes de corresponder a esse padrão elevado, sentindo-se afetados inclusive em sua autoestima. Sim! Uma mãe perfeita faz com que seus filhos se enxerguem muito menores do que ela!

O fato é que os filhos crescem com as falhas da mãe. Quando uma mãe permite a si mesmo errar, ela está permitindo os seus filhos serem mais humanos. Dessa maneira, a mãe ensina aos filhos que não é preciso ser perfeito para ser uma ótima pessoa.

Consequentemente, quando uma mãe reconhece um erro perante seus filhos, ela está ensinando eles a como reparar uma situação que ocorreu, como pedir desculpas e como se reconciliar. Dessa forma, é permitido que os filhos conheçam as qualidades e os defeitos dessa mãe, humanizando essa figura perante eles e ao mesmo tempo permitindo que eles também entrem em contato com os próprios defeitos, criando repertório para que consigam superar seus próprios erros futuros.

Mas como substituir a culpa? Através do encontro genuíno entre uma mãe e um filho. A culpa deve ser substituída por um pedido de desculpa, por um olhar, um abraço, um carinho. Através da demonstração de tristeza, de uma voz baixa e de um olhar embaraçado, o filho vai entender que ali  está alguém suscetível ao erro e que está refletindo e tentando aprender com ele. Uma pessoa que está se reconstruindo para seguir em frente. E isso é maravilhoso para um filho!

Lembre-se, que os filhos geralmente toleram os erros da mãe, mas não conseguem suportar a perfeição. Portanto, permita-se ser simplesmente mãe, sem cobranças, culpas ou medos. Sinta-se livre para errar, pois é através dessa autenticidade no relacionamento que o vínculo mãe e filho se fortalece e assume a forma de amor.

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Daniela Knapp
CRP 08/16950

Psicóloga Clínica e Coach de Mulheres
Formada pela Universidade Federal do Paraná
Atende em Curitiba – PR
Contato:
Site: www.realmentemulher.com.br
Facebook.com/realmentemulher
E-mail: psicologadanielaknapp@gmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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