Permita que acolham seus pedaços!


Por: Cleunice Paez

A depressão não aparece de repente, ela não bate na sua porta e se instala. Ela é uma visita chamada tristeza que vem passar uns dias, quando você a percebe estará morando com você. Muitas vezes permitimos sua chegada mas não sabemos como manda-la embora, não conseguimos “dizer não”. Somos acobertados pelo medo de lidar com ela, de dizer “chega, cansei de você, vou buscar ajuda!”.

A dor de uma depressão dói muito, porque é uma dor do vazio, é a dor de que “nada tem sentido”. O amor e alegria foram embora, o sorriso quase não se vê e tudo perdeu a sua graça. A raiva vem do sentimento de impotência do “não saber o que fazer”.

Ser duro com você e com a vida, não significa que estará no controle das situações. Amoleça o coração para ouvir a si mesmo. A depressão vem da inércia da vida, da falta de movimento, de interesses, de contatos sociais, é um estar cansado da vida e das pessoas.

Muitas vezes, escutamos que “Precisamos estar inteiros para ter o outro, mas…Será?

Somos fragmentos de todos os nossos relacionamentos, de nossa criação, de nossas crenças, do ambiente, e de tudo que nos cerca. Somos um pouco de cada momento vivido, de cada lágrima caída, daquele sorriso na hora errada. Somos feitos de contos, de um dia após o outro. Nunca somos os mesmos, porque a cada dia você constrói um novo aprendizado, uma nova história, um novo contexto, somos nossas escolhas.

Algumas vezes o outro aparece para nos acolher, para dar um conselho, para nos cuidar, para dar aquilo que nos falta em certos momentos. E isso também parte de nossas buscas, de nossa permissão para o outro entrar em nossa vida. Talvez, o contexto do todo, é o que nos torna inteiros.

Precisamos de vínculos, uns dos outros, de conexões, mais do que imaginamos. Muitos te magoarão ao longo da vida, e talvez você ainda guarde rancor ou mágoas de algumas pessoas, mas precisa dar um novo sentido a essa história, talvez construir novas relações, compartilhar e partilhar sua vida com grupos que tenham o mesmo interesse que você.

Quanto mais você afirma para sua mente que tem sentimentos ruins com certas lembranças, mais estes pensamentos irão se fixar, como se fosse um mantra de associação para ativar a angústia. Precisa escutar esses pensamentos! O que eles querem te dizer? Que isso tudo  machuca, que dói lembrar do passado, ou adivinhar o futuro? Muitas vezes, vai doer mesmo.

Compreenda se este sentimento que dói, é orgulho ferido ou talvez abandono? Encontre a dor e mantenha um diálogo interno, até entendê-la.

Sempre tome cuidado com o apego aos sentimentos improdutivos, como raiva, tristeza, rancor. Acreditar que os sentimentos não mudam é se fechar para a resiliência.

A resiliência é uma forma de enfrentamento, como lida com os problemas da vida, é o poder de dar a volta por cima das situações desafiadoras. Quanto mais você compreender que precisa alimentar o bom humor e suas relações sociais, todo seu mundo ficará mais leve, a vida não precisa ser levada de forma tão pesada e solitária.

Você precisa conhecer muito os seus sentimentos, para que não se torne refém deles. Quanto mais você valorizar o amor e os bons relacionamentos, a tendência é que você se torne mais satisfeito com a vida.

Se permita a descobrir tudo que você ainda pode alcançar, você nunca envelhecerá se mantiver a alma jovem. Não conheça seus limites, avance sempre um pouco mais daquilo que acredita ser o seu limite.

A vida é uma só, qual é a história que você vai contar sobre si?

* Publicado também em: www.caentrenospsicologos.com

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Cleunice Paez
06/103445

Psicóloga pela UNIP
Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental – CETCC
Especialista em Psicologia Jurídica – UNICID
São Paulo- SP
Contato:
(011) 970172525 
http://www.psicologavilamariana.com.br
Email: paez.psicologa@gmail.com

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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