O que eu tenho, doutor? – Visões acerca da Avaliação Psicológica e da Psicoterapia


Por: Danilo Ciconi de Oliveira

– Sobre a avaliação psicológica e a necessidade humana de dar nome à própria dor.

– “Eu tenho depressão! ”. 

Esta é uma das frases mais escutadas na clínica de Psicologia, logo no primeiro contato com o cliente. A pessoa busca o apoio psicológico já imbuída da crença de que possui determinado transtorno de saúde emocional.

Geralmente, antes mesmo de procurar o médico ou o psicólogo, a pessoa consulta a internet para entender direito “o que ela tem”. Dar nome ao próprio mal-estar ou sofrimento é quase uma necessidade vital, tão importante quanto livrar-se deles, para grande parte das pessoas. E é aí que corremos o risco de, na busca por nomes e/ou rótulos psiquiátricos, acabarmos caindo no engodo de uma interpretação rasa da nossa realidade emocional.

Uma avaliação psicológica séria não combina com pressa.

Para entender o que está acontecendo com o cliente, o médico ou psicólogo precisa realizar investigação apurada. Não dá pra mal olhar na cara da pessoa e já afirmar se ela tem ou não tem depressão, por exemplo. O especialista investiga as circunstâncias presentes da vida da pessoa, hábitos de sono e de alimentação, prática de atividade física, histórico de doenças e tratamentos de saúde, uso de drogas e medicamentos, histórico de transtornos de saúde emocional na família, características do processo de desenvolvimento etc. Além disso, analisa criteriosamente os sintomas relatados: duração, frequência, cronologia, intensidade.

Apenas após investigação atenta e cuidadosa, pode-se, de fato, proferir um diagnóstico e indicar estratégias de tratamento/intervenção. Além disso, há instrumentos de avaliação padronizados (testes, escalas etc.) que subsidiam a avaliação do profissional da saúde.

Não se contente com avaliações mal realizadas ou apressadas. Se não se perceber ouvido e acolhido, busque uma segunda opinião, procure outro profissional.

E não seja você o apressado! Na clínica, é extremamente comum certa urgência do cliente em saber o “nome” daquilo que está sentindo. Mas mais importante que nomear é entender o processo que você está vivendo.

A cura, melhora dos sintomas e/ou mudanças de comportamento são resultados que precisam ser conquistados todo e a cada dia, de acordo com o nosso próprio ritmo e com o do nosso corpo. O profissional da saúde vai te auxiliar nessa empreitada. A Psicoterapia é um caminho de autoconhecimento, cura e desenvolvimento.

A Psicoterapia é um caminho de desenvolvimento pessoal.

A PSICOTERAPIA é uma modalidade de intervenção psicológica, dentro da perspectiva da Psicologia Clínica. O principal objetivo da Psicoterapia é a busca pelo desenvolvimento pessoal do cliente e a promoção do bem estar e da saúde emocional.

Existem diversas abordagens (“jeitões de trabalhar”) na Clínica Psicológica. Cada uma delas dá destaque a aspectos específicos do funcionamento humano. A mais conhecida no Brasil é a Clínica Psicanalítica, cujo principal autor, Sigmund Freud, tem o mérito de ter sido pioneiro em tratar assuntos relacionados à psicossomática e aos determinantes “inconscientes” do comportamento humano. No entanto, não é a única. Outras abordagens, como a Terapia Centrada na Pessoa (Psicologia Humanista) e a Terapia Cognitivo-Comportamental, por exemplo, são outras possibilidades para a prática clínica.

É preciso ressaltar que a busca por Psicoterapia não é “coisa de doido”. Ao contrário, a clínica é recomendada para pessoas que necessitam desenvolver habilidades psicossociais e/ou estabelecer mudanças comportamentais importantes para a sua adaptação social.

Nas situações em que algum transtorno de saúde emocional (depressão, transtorno obsessivo compulsivo etc.) está instalado, é aconselhável, para o sucesso do tratamento, a associação da psicoterapia com intervenção medicamentosa prescrita por psiquiatra. A medicação auxilia o corpo no equilíbrio das taxas dos neurotransmissores (substâncias químicas) envolvidos no quadro específico de saúde emocional apresentado, enquanto a psicoterapia ajuda a promover modificação no comportamento.

Os atendimentos levam em média 50 minutos e têm sua frequência definida de acordo com a avaliação realizada pelo psicoterapeuta acerca das necessidades e recursos do cliente.

Por vezes, a pressa e o sofrimento nos levam a recorrer a soluções mágicas para resolver nossos problemas de ordem emocional. Não existe pílula que nos cure da noite para o dia. A Psicoterapia é um caminhar constante que exige de nós perseverança, comprometimento e resiliência, para que saibamos dar um passo de cada vez rumo aos nossos objetivos. A clínica é, em princípio, um espaço de escuta, acolhimento e reflexão.

Ali podemos assumir toda a nossa humanidade, abandonar os padrões exacerbados de produtividade que jogamos sobre nossas costas e permitir nos escutar a nós mesmos. “O que eu tenho?” torna-se apenas detalhe diante da riqueza de poder estacionar, contemplar a nós mesmos e decidir dia a dia para onde iremos caminhar…

Imagem capa: Pinterest

Colunista:

Danilo Ciconi de Oliveira
CRP 06/123683

Psicólogo (USP), graduando em Pedagogia – Licenciatura (Claretiano) e especialista em Psicopedagogia (Uninter).
Sua trajetória profissional se destaca especialmente pela atuação junto a adolescentes e jovens. Como educador, dedicou-se a intervenções socioeducativas com adolescentes judicializados e, atualmente, à formação/treinamento de jovens em contextos de aprendizagem corporativa, assim como à docência no ensino superior.
Sua formação complementar é marcada por atividades formativas relativas a programas de prevenção e intervenção psicossocial na juventude e a questões atinentes ao processo ensino-aprendizagem, particularmente no tocante às novas tecnologias de ensino e à contextos organizacionais de educação. 
Atua na cidade de São João da Boa Vista – SP.
Contato:
Blog: http://desenvolverpsi.blogspot.com.br/.

E-mail: danilociconipsi@gmail.com.
Linked in: https://br.linkedin.com/in/danilo-ciconi-de-oliveira-256090a4.

*Ao reproduzir este conteúdo, não se esqueça de citar as fontes.


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